Os problemas que sepultaram a participação da McLaren no GP da China deste domingo (15) fizeram com que a equipe quebrasse marca de 44 anos na Fórmula 1. Foi no GP de San Marino da temporada 1982 a última vez em que os dois pilotos da equipe britânica não conseguiram sequer alinhar para a volta de apresentação. De mala e cuia, a McLaren ficou fora da corrida hoje como há 44 anos.
É verdade que a McLaren também não participou com seus dois pilotos naquele famoso e infame GP dos Estados Unidos, disputado em Indianápolis na temporada 2005, quando 14 dos 20 carros do grid escolheram não largar por protesto quanto a segurança dos pneus naquela pista. Mas a diferença para a prova de 1982 é que a McLaren fez a volta de apresentação e, ao final dela, resolveu se retirar.
No GP de San Marino de 1982, não houve volta de apresentação, mas tampouco o motivo da ausência foi de problemas no carro, como hoje. Na ocasião, a McLaren participou de um boicote junto a outras equipes como parte de uma guerra política nos bastidores entra a FISA (braço da FIA que era responsável pela parte esportiva, hoje já extinto) e a FOCA (organização que unificava negociações entre equipes, sobretudo as inglesas, e a competição, uma versão pueril do que hoje é a FOM).
Aquela guerra ganhou força na abertura do campeonato de 1982, no Brasil, quando Nelson Piquet e Keke Rosberg foram excluídos da corrida por usarem tanques d’água como lastro para mantê-los no limite de peso durante a corrida. A FOCA protestou e decidiu pelo boicote.
Assim, as equipes alinhadas à associação – Brabham, McLaren com John Watson e a volta de Niki Lauda ao grid, Williams e Lotus – não correram. Enquanto Ferrari, Renault e Alfa Romeo, lado a lado com a FISA, tiveram a companhia de Tyrrell, Osella, ATS e Toleman, que quebraram o protesto alegando obrigações de patrocínio. A corrida em San Marino teve 14 carros alinhados.

A corrida entrou para a história da Fórmula 1 não apenas pelo boicote. Houve também famoso desentendimento protagonizado por Gilles Villeneuve e Didier Pironi, então companheiros de equipe na Ferrari. Villeneuve liderava a corrida e tinha Pironi logo atrás quando a equipe deu uma ordem de equipe para que ambos segurassem as posições e apenas levassem os carros para casa, visto que não havia mais ninguém que pudesse ameaçar os carros vermelhos. Villeneuve considerou um pacto de não-agressão, mas, na última volta, Pironi foi para cima e ultrapassou para vencer a prova.
O gesto, considerado uma traição pelo canadense, rompeu qualquer relação entre os dois. Gilles chegou a afirmar que nunca mais falaria como Piorni, o que se tornou algo tristemente profético. Duas semanas depois, Villeneuve morreria em acidente durante a classificação do GP da Bélgica, em Zolder.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da China AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.