A Mercedes foi a única dentre as quatro principais equipes da Fórmula 1 — incluindo, também, Red Bull, McLaren e Ferrari — que não apresentou qualquer atualização no carro para o GP da Cidade do México, realizado no domingo (27). Olhando para os acontecimentos recentes envolvendo a dupla de pilotos, Toto Wolff admitiu que o time de Brackley ainda precisa entender o que há de errado nas melhorias que foram introduzidas ainda no GP dos Estados Unidos, há dez dias.

Antes, no entanto, de entrar no mérito das mudanças que foram feitas no W15, o chefe da escuderia falou um pouco sobre o resultado de George Russell e Lewis Hamilton no Autódromo Hermanos Rodríguez. Nas voltas finais, os companheiros travaram uma batalha pela quarta posição, com o heptacampeão levando a melhor. O #63, por sua vez, já vinha lidando com uma queda de desempenho desde o momento em que sofreu um dano na asa dianteira, voltas mais cedo, quando tentava ultrapassar Oscar Piastri, da McLaren. Wolff explicou como pode ter acontecido a quebra de um dos flaps.

“A turbulência pode ter desempenhado um papel importante, e um dos flaps dianteiros principais entrou em colapso. Então, foi uma tremenda perda de desempenho, acho que em alta velocidade foram 20 pontos [de downforce]. Ele meio que guiou muito bem, mas, obviamente, quanto mais os pneus são atingidos, mais o impacto no tempo de volta é exponencial”, disse o dirigente.

“Então, como posso explicar a diferença no ritmo? Acho que no final da corrida deu para perceber que havia uma grande diferença. Então, duas razões. Em primeiro lugar, acho que George guiou muito bem durante todo o fim de semana. Por outro lado, pode haver alguma coisa no pacote de atualização que causa algo que não entendemos”, admitiu.

A dupla da Mercedes duelou nas voltas finais do GP da Cidade do México (Foto: Reprodução/F1)

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As suspeitas por parte da Mercedes aumentaram depois que os dois pilotos sofreram acidentes similares nas últimas semanas. Durante o Q3 da classificação em Austin, Russell perdeu o controle do bólido prateado enquanto contornava a curva 19 e bateu forte na barreira de proteção. No dia seguinte, exatamente no mesmo ponto, Hamilton rodou e acabou a corrida atolado na caixa de brita.

Mas não parou por aí. No último fim de semana, depois de ter apresentado um ótimo desempenho e liderado o treino livre 1 no México, George voltou a sofrer um acidente estranho no momento em que completava uma volta rápida na segunda sessão da sexta-feira. Ao passar por cima da zebra na curva 8, sofreu um impacto de aproximadamente 35G ao se chocar contra o muro em seguida.

“Tivemos dois acidentes fortes na mesma curva em Austin, e tivemos um acidente no carro antigo também [o de Andrea Kimi Antonelli, em Monza]. Esses carros estão tão no limite que faremos um experimento interessante no Brasil, para ver se há uma instabilidade em curvas de alta velocidade ou se é um fator das curvas de baixa velocidade”, apontou Wolff, que voltou a falar dos problemas que a Mercedes pode enfrentar com o teto orçamentário por causa dos acidentes.

O acidente de George Russell no TL2 no Autódromo Hermanos Rodríguez (Vídeo: Reprodução/F1)

“É um tremendo golpe no teto de gastos e, provavelmente, teremos de diminuir o que colocamos no carro. Então, teremos dois pacotes de atualização no Brasil, dois assoalhos. Mas basicamente é isso, não há mais nada depois”, revelou. “Temos certas limitações em peças onde precisamos ser criativos. Como estamos administrando isso? E certamente há um impacto em quantas peças de desenvolvimento podemos colocar no carro, porque a resposta é zero”, encerrou.

A Fórmula 1 retorna já neste fim de semana, entre os dias 1 e 3 de novembro, com o GP de São Paulo, etapa brasileira do calendário. O GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ e com grande equipe.