Após bater na trave em 1983 e 1984, com dois vice-campeonatos conquistados, a temporada de 1985 surgiu como a grande oportunidade de Alain Prost enfim conquistar o Mundial de Pilotos da Fórmula 1. Hoje conhecido como um dos grandes nomes da história da categoria e tetracampeão, o francês teve de batalhar muito para levantar a primeira taça, que veio exatamente 40 anos atrás, em Brands Hatch.
Nas duas temporadas anteriores, porém, a história poderia ter sido diferente. Em 1983, uma sequência de abandonos no fim do ano abriu caminho para Nelson Piquet conquistar um dos títulos mais improváveis da história da F1. Em 1984, a irregularidade permitiu uma reação de Niki Lauda, que se sagrou campeão pela terceira e última vez.
Em 1985, o adversário era outro: Michele Alboreto. Prost chegou ao GP da Europa com 69 pontos contra 53 do italiano, representando uma margem de 16 tentos entrando na 14ª e antepenúltima etapa, disputada em Brands Hatch. Para ser campeão, o titular da McLaren precisava apenas terminar na zona de pontos e à frente do rival para garantir o título antecipadamente.
Somado a isso, o cenário atual do campeonato também jogava contra Alboreto. Além da desvantagem na pontuação, o piloto da Ferrari vinha de dois abandonos e sofria para manter constância em pista. Do outro lado, Prost estava em uma sequência de nove pódios nas últimas dez corridas.

De início, a ordem de forças dos últimos finais de semana já começou a se repetir em Brands Hatch. A McLaren não era a equipe dominante ao longo da sexta-feira e do sábado, mas estava mais equilibrada e constante que a Ferrari. Prost largou em sexto, enquanto Alboreto foi apenas o 15º, o que já facilitou e muito a missão do francês.
A prova em si começou com Ayrton Senna, o pole-position, mantendo a liderança, seguido por Keke Rosberg, Piquet e Nigel Mansell. Prost, no entanto, não teve vida fácil no primeiro giro e despencou para 14º após uma largada ruim, enquanto Alboreto subiu para nono. De repente, o italiano teve uma sobrevida.
Mais à frente, a briga pela liderança pegou fogo na volta 6, quando Rosberg e Senna se tocaram. O finlandês rodou e ainda foi acertado por Piquet, que quebrou a suspensão.
Irritado, Rosberg voltou à pista como retardatário e atrás dos líderes. A partir desse momento, começou a atrapalhar Senna de propósito, abrindo caminho para Mansell assumir a dianteira.

Pouco depois, veio um golpe fatal para Alboreto. Após uma parada nos boxes, o motor da Ferrari pegou fogo na 13ª volta, decretando o abandono do postulante ao título. Prost, então, precisava apenas administrar a prova e terminar em quinto para garantir o título.
Sem arriscar desnecessariamente, Prost fez o pit-stop sem maiores dores de cabeça, recuperou posições e, na volta 63, já estava no top-5, em terceiro. No fim, perdeu o posto para Rosberg, mas cruzou a linha em quarto, o suficiente para se sagrar campeão mundial. À frente, Mansell venceu pela primeira vez na Fórmula 1, com Senna em segundo.
A França, porém, era a dona da festa, já que celebrava o primeiro título da F1. Curiosamente, Prost é, até hoje, o único francês campeão mundial da categoria.
O triunfo do piloto da McLaren também foi responsável por inaugurar uma nova era na F1, dominada por quatro nomes: Prost, Senna, Piquet e Mansell. Apenas em 1994, quando Michael Schumacher venceu o título, que o quarteto deixou de se reservar no topo da categoria.

Ao todo, Prost conquistou o título quatro vezes, com os outros vindo em 1986, 1989 e 1993. Senna foi dono de mais três taças, em 1988, 1990 e 1991. Em 1992, Mansell viria a ganhar o único título da carreira na F1, enquanto Piquet conquistou seu terceiro e último em 1987.
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