Há exatos 20 anos, Rubens Barrichello teve a saída precoce da Ferrari anunciada. O contrato do piloto com a equipe tinha validade até o fim da temporada de 2006, mas a ruptura partiu do próprio brasileiro, que se viu cada vez mais sem espaço ao lado de um Michael Schumacher já heptacampeão e que recebia todas as regalias do time. Assim, Rubens assinou com a Honda para seguir na Fórmula 1 e abriu espaço para Felipe Massa defender a escuderia italiana.

Depois de defender a Jordan e a Stewart entre 1993 e 1999, Barrichello teve a chance de se juntar a uma equipe de ponta ao assinar com a Ferrari para a temporada de 2000. Na época, a escuderia italiana passava pelo processo de reestruturação que começou ainda na década de 1990 com a liderança de Jean Todt e que aos poucos foi tomando forma com Ross Brawn, Rory Byrne e Schumacher, que era visto como o grande nome para encerrar o jejum de títulos no Mundial de Pilotos que perdurava desde 1979.

Quando Barrichello chegou, a Ferrari já estava estruturada e havia vencido o Mundial de Construtores contra a McLaren no ano anterior, mas ainda faltava o tão aguardado título entre os pilotos. Rubens começou aquela temporada de forma positiva completando a dobradinha da equipe na etapa de abertura na Austrália, mas o ponto alto foi o GP da Alemanha, quando venceu pela primeira vez na carreira depois de largar de 18º e apostar em pneus de pista seca na molhada Hockenheim.

Além da vitória na Alemanha, um dos momentos mais marcantes da passagem de Barrichello pela Ferrari aconteceu em 2002, no GP da Áustria. Depois de passar a temporada 2001 em branco, Barrichello estava prestes a encerrar o jejum com a vitória em Spielberg, mas foi ordenado pela equipe a ceder a posição para Michael. Rubens resistiu às ordens por algum tempo, mas acatou a decisão e reduziu a velocidade nos metros finais, resultando na revolta dos torcedores locais e em um dos maiores vexames da história do esporte.

O clima do pódio na Áustria ficou tenso e o alemão até chamou o brasileiro para o degrau mais alto (Foto: Reprodução)

Essa não foi a primeira e nem a última vez que Barrichello recebeu ordens da Ferrari para beneficiar Schumacher. E ao perceber que estava cada vez mais sem espaço dentro da equipe, o brasileiro optou por encerrar o contrato no fim da temporada de 2005.

“A primeira vez que disseram: ‘vamos ter de deixar o Schumacher passar, porque ele está à frente no campeonato’, eu nem titubeei, porque pensei: ‘estou crescendo aqui dentro, cada hora testo mais pneu, daqui a pouco eles vão deixar a coisa ficar no mesmo nível”, disse Barrichello alguns anos depois no programa ‘Na Grelha com Netão’ da RedeTV!

“Não é normal falar para um companheiro: ‘você não vai ganhar hoje’. Como fica a cabeça? Fui indo até o ponto em que questionei: ‘agora estamos no mesmo nível, conseguem deixar a competição nivelada?’. Não deixaram. Então disse: ‘Quero sair da Ferrari’. Saí um ano antes do contrato acabar porque decidi que, ali, não tinha mais espaço para crescimento”, continuou Rubens.

Entre 2000 e 2005, Barrichello conquistou nove vitórias, 55 pódios, 11 poles, foi duas vezes vice no Mundial de Pilotos e venceu seis vezes o Mundial de Construtores pela Ferrari. Ainda assim, disse à Folha de S.Paulo na época que não deixava o time com a sensação de dever cumprido.

Vice-campeão de 2002 e 2004, Rubens Barrichello venceu nove vezes com a Ferrari (Foto: Ferrari)

“Acho que consegui me dar muito bem nesses seis anos dentro das minhas possibilidades, dentro dos limites que me foram impostos. Mas não saio com o sentimento completo de missão cumprida porque não ganhei o título. Foi a Ferrari que me deu a chance de ser o que sou atualmente. Minha velocidade nunca mudou, mas consegui aprimorar aquilo que sempre fiz. Então saio com uma chance boa de tentar ser campeão por uma outra equipe”, disse Barrichello.

No dia 16 de agosto de 2005, Rubens foi anunciado como piloto da então BAR, que viraria Honda a partir de 2006. A equipe passou por temporadas difíceis nos anos seguintes e abandonou a categoria no fim de 2008, quando foi comprada por Ross Brawn e virou Brawn GP.

Na Brawn GP, Barrichello conquistou apenas duas vitórias, ambas em 2009, e chegou a disputar o título com o companheiro Jenson Button ao longo da temporada, mas terminou o ano em terceiro. Rubens deixou a categoria no fim de 2011 com 323 GPs disputados.

Para a vaga de Barrichello, a Ferrari anunciou o jovem Felipe Massa. Piloto de testes do time de Maranello, o brasileiro estava disputando a terceira temporada pela Sauber em 2005 e ainda buscava a primeira vitória na categoria. No time italiano, Massa conquistou as 11 vitórias da carreira, além de 16 poles. O ponto mais alto da trajetória de Felipe aconteceu em 2008, quando brigou pelo título mundial até a última corrida contra Lewis Hamilton, então na McLaren.

Felipe Massa venceu o GP do Brasil em 2008, mas não ficou com o título (Foto: Ferrari Media)

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 108:3010:3012:3013:30
Treino livre 212:0014:0016:0017:00
Treino livre 307:3009:3011:3012:30
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horário de Brasília

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