“ULTRAPASSAR NUNCA FOI BOM EM MÔNACO, NUNCA. Então, não sei por que as pessoas têm tanta expectativa. Mas também acho que a Fórmula 1 não deve se transformar apenas em um espetáculo para entreter as pessoas. É um esporte. O importante é quem impõe o melhor desempenho, quem classifica melhor”. De fato, talvez tenha sido Lando Norris quem melhor expressou o que realmente aconteceu em Monte Carlo neste domingo (25). Vencedor da corrida após largar da pole, o inglês da McLaren não hesitou em falar sobre o impacto da regra que estabeleceu dois pit-stops obrigatórios. Porque simplesmente, como bem afirmou o piloto, ninguém passa ninguém no Principado, não diante da realidade dos carros atuais, que são grandes demais para as apertadas ruas da pequena cidade-estado. Mas o que se viu desta vez foi algo ainda pior, preocupante até, justamente por aquilo que Norris cita: o esporte. A verdade é que esse regulamento acabou por criar um enorme contrassenso.
A Fórmula 1 e a Federação Internacional de Automobilismo concordaram em criar uma regra própria para Mônaco em 2025 por conta, especialmente, do que aconteceu na etapa do ano passado. Naquela ocasião, Sergio Pérez e Kevin Magnussen bateram logo após a largada. A corrida entrou em regime de bandeira vermelha por causa dos reparos na pista depois do violento acidente. No pit-lane, todo mudo promoveu a troca de pneus, então, quando a prova foi retomada, nada mais ocorreu. Foi uma longa procissão por mais 70 voltas. Por isso, a ideia de forçar duas paradas nos boxes, fazendo uso de três jogos de pneus. O problema é que a tentativa se mostrou impraticável.
Primeiro, porque é quase impossível ultrapassar no traçado monegasco, e isso limita demais aquilo que se pode pensar em termos de estratégia. E aí cai no segundo ponto: as táticas usadas pelas equipes do pelotão intermediário, especialmente, uma vez que, para as ponteiras, não houve qualquer impacto. A dinâmica de segurar o ritmo e permitir um pit-stop livre para um — ou os dois carros de um mesmo time, como fez a Williams, por exemplo — tornou a corrida ainda mais enfadonha, manipulada, porque vai contra tudo que se entende deste esporte.
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Quer dizer, os caras começaram a andar deliberadamente lentos — aqui ainda cabe o adendo sobre Alexander Albon, que quase provocou um acidente com Kimi Antonelli. Então, se a ideia é melhorar o espetáculo e provocar no fã a sensação de desafio, como explicar carros tão lentos? Ok, que a regra permitia e que, em certas situações reais, é até aceitável, mas definitivamente não da maneira como foi feito neste domingo, apenas como um recurso de um regulamento sem sentido.
O que também leva a uma terceira questão: além do ritmo muito aquém do que poderiam ter, pilotos e equipes também ficaram esperando algo acontecer, como um safety-car ou bandeira vermelha — a parte final da corrida de Max Verstappen foi claramente nesta intenção, tanto que o neerlandês foi aos boxes para a segunda parada na volta final, depois de desacelerar o ritmo, também na tentativa de levar os adversários ao erro. Agora, como esperar algum vacilo, se o desempenho é propositalmente mais lento do que deveria ser?
Portanto, o caminho parece ser outro. Ou seja, entender que Mônaco é imutável e tomar uma decisão quanto ao calendário — e aqui não há nenhum posicionamento contra ou a favor. Mas a corrida fica e terá vida longa ainda, de acordo com o contrato vigente, então é preciso se preparar e, talvez, a resposta esteja em 2026. “A principal limitação continua sendo a impossibilidade de ultrapassagem. Isso é uma limitação bastante estrutural. Não sei exatamente como isso pode ser modificado, pode ser alterado, simplesmente impondo um certo número de pit stops”, disse o chefe da McLaren, Andrea Stella, que coloca expectativa o novo regulamento, que promete carros 10 cm mais estreitos.
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“Espero que essa mudança de carros torne as ultrapassagens possíveis, mesmo quando você está 3s mais rápido, porque no momento, se você estiver 3s mais rápido, ainda não poderá ultrapassar”, disse Stella. “Mas isso tem muito a ver com o tamanho do carro, com a velocidade e a aderência, o que significa que as zonas de frenagem são, de qualquer forma, muito, muito curtas. Simplesmente não há espaço suficiente para frear.”
De toda a forma, Norris foi no ponto, mais uma vez, e é isso que a Fórmula 1 precisa ter em mente: “Tudo era sobre o passado. É assim desde o primeiro ano, 50, 60 anos atrás. Então, a última coisa que eu quero é uma corrida fabricada, e definitivamente precisamos nos afastar disso e melhorar os carros e os pneus”.
A Fórmula 1 volta de 30 de maio a 1º de junho em Barcelona, que recebe o GP da Espanha, nona etapa da temporada 2025.