Piastri janta Norris na largada e vence longo GP da Bélgica. Bortoleto pontua em 9º
Oscar Piastri passou Lando Norris com muita facilidade na reta Kemmel, administrou os pneus e venceu o arrastado GP da Bélgica, realizado neste domingo (27). Charles Leclerc completou o pódio
Oscar Piastri aproveitou a bela bobeada de Lando Norris e venceu o arrastado GP da Bélgica, realizado neste domingo (27), em Spa-Francorchamps. Na largada em movimento no asfalto molhado, o australiano foi astuto ao acompanhar o colega de McLaren, que acelerou muito antes, subir a Eau Rouge colado e efetuar a ultrapassagem no começo da reta Kemmel. Charles Leclerc resistiu com a Ferrari e terminou em terceiro.
Depois de uma espera de 1h20 por causa da chuva forte, a corrida se desenrolou no ritmo morno que tem marcado as últimas edições da etapa belga. E sem água para trazer o caos, foi um passeio tranquilo da McLaren, ainda que Norris tenha tentado jogada diferente ao colocar os compostos duros em vez dos médios escolhidos por Piastri.
A tática era clara: levar o carro até o fim, sobretudo pelo degrau criado pela Pirelli entre os duros e médios ao escalar para o fim de semana C1, C3 e C4. Só que Piastri também soube administrar bem a borracha, valendo-se de um carro que sabe cuidar dos pneus. Foi só preciso ficar longe dos erros — ao contrário de Norris, que depois de uma bela fritada foi orientado pela McLaren a ter cuidado.
Se a McLaren novamente lutou contra si, a Ferrari foi a segunda vitoriosa. Leclerc resistiu bravamente ao ataque de Max Verstappen ainda no molhado, levando o neerlandês à loucura — e às reclamações por causa do RB21. No seco, o acerto para as retas fez Charles abrir mais de 2s e administrar a vantagem, assegurando o pódio.
Destaque também para Lewis Hamilton. Depois de largar do pit-lane, com motor novo e mudanças no acerto, efetuou várias ultrapassagens no molhado e ainda teve o instinto de ser o primeiro a parar para calçar os slicks, ganhando muita vantagem sobre quem estava à frente. Ele terminou em sétimo.
Gabriel Bortoleto também brilhou. Desta vez, manteve-se longe de erros e ainda cuidou bem da borracha, levando a Sauber ao nono lugar. Nico Hülkenberg, por sua vez, precisou trocar os pneus slicks pela segunda vez e terminou fora da zona de pontos.
A Fórmula 1 volta de 1º a 3 de agosto em Hungaroring, palco do GP da Hungria, 14º da temporada.
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Confira como foi a corrida da F1 em Spa-Francorchamps:
A previsão do tempo indicava chance de chuva em 80% para a largada, e ela de fato veio quando os pilotos alinhavam para a volta de apresentação e aquecimento de pneus. Todos, no entanto, optaram pelos compostos intermediários, sempre usados em tais condições, uma vez que os de chuva extrema da Pirelli não funcionam conforme o esperado.
Com 17°C de temperatura ambiente, asfalto em 24°C e umidade relativa do ar em 88%, os carros partiram atrás do safety-car, porém não precisou nem completar o giro para a direção de prova acionar a bandeira vermelha, suspendendo a largada. Pole-position, Norris avisou que não tinha visibilidade nenhuma atrás do safety-car, que diriam os demais colegas.
O curioso, como sempre, era que a chuva nem estava tão forte, mas o volume de água era muito alto para os pneus intermediários. Não havia jeito, portanto, a não ser esperar, e a previsão da FIA era de tempestade pela frente.
E ela se estendeu por cerca de uma hora até o instante em que o sol tentou dar o ar da graça, tímido em meio ao imenso céu cinzento da bela região das Ardenas. O safety-car, então, foi para a pista dar a clássica volta para checar as condições, e a direção de prova determinou o recomeço às 16h20 locais (11h20, de Brasília).

Até então, o protocolo das três horas até o final da corrida ainda não havia sido acionado, portanto, em tese, as voltas seriam completadas caso houvesse realmente condições de corrida dali em diante. As imagens da transmissão buscavam a todo tempo o céu para aumentar a esperança de torcedores, pilotos e todos pelo paddock. O aviso, porém, era de que seriam pelo menos duas voltas atrás do safety-car no recomeço.
Boxes finalmente liberados, todos partiram atrás do condutor Bernd Mayländer, já contabilizando a primeira volta das 44 programadas. E o primeiro feedback veio de Piastri, afirmando que o trecho de alta da Eau Rouge estava bem melhor, mas outros pontos do circuito ainda pareciam críticos para a visibilidade.
O problema, nesse caso, era a extensão de 7 km do traçado belga, por isso alguns trechos apresentavam muito mais volume de água no asfalto que outros. A sensação de fora, contudo, era de que havia, sim, condições de corrida, e Hamilton, do alto de toda experiência, avisou que a pista estava “secando rápido”.
Enquanto isso, o safety-car seguia conduzindo a fila, fato este que aconteceu até o final do giro quarto, quando finalmente o carro apagou as luzes e sinalizou a liberação para a largada em movimento.
Bandeira verde enfim acionada, Norris acelerou bem antes, mas Piastri acompanhou de perto, subiu a Eau Rouge colado e mergulhou por fora na reta Kemmel e assumindo a primeira colocação. Leclerc, por sua vez, resistiu em terceiro, à frente de Verstappen, enquanto as demais posições seguiam inalteradas — ou seja, Bortoleto manteve o décimo.
A largada, com Norris sendo jantado por Piastri (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Na volta 6, enquanto Piastri já levava mais de 1s para Norris, Russell aproveitou o vácuo do retão e ganhou a posição de Albon na freada da Les Combes, subindo para quinto. Verstappen, então, passou a pressionar Leclerc para evitar que os McLaren escapassem na ponta. A distância entre Oscar e Charles já era acima de 2s.
Atrás, de motor novo e configuração modificada, Hamilton dava um show particular ao realizar ultrapassagens arrojadas rumo à zona de pontos. O problema era a pista secando rapidamente, como ele mesmo havia previsto. Pelo gráfico da F1, praticamente metade do traçado já apresentava trilho.
Lewis, então, não quis saber de perder muito tempo. Depois de deixar Sainz, Colapinto e Hülkenberg para trás, colocou em Gasly e subiu para 13º em outra bela manobra.
Enquanto isso, volta 10, Verstappen continuava buscando espaço para ultrapassar Leclerc, já 7s5 atrás de Norris. Só que o monegasco vendeu caro: deu o lado de fora, dividiu curva e usou o ótimo acerto de reta para segurar Max na Kemmel. Só que os pneus passaram a ser uma preocupação, com Charles alertando à equipe que estava ficando descalço.
Pouco mais atrás, a Haas inverteu posição entre Ocon e Bearman, deixando o novato à frente para buscar Bortoleto. Ao mesmo tempo, na volta 12, a Ferrari, atenta, deu a chamada para Hamilton entrar nos boxes e colocar os slicks.

Gasly, Alonso e Hülkenberg fizeram o mesmo, e o trabalho ruim da Alpine fez o francês perder posição para o carro da Sauber. Pouco a pouco, todos entraram, incluindo Leclerc e Verstappen, e novamente a Red Bull desandou no trabalho de pit-stop, mas para não correr risco de unsafe release. Resultado: Charles voltou com 2s de vantagem.
Só que a diferença caiu em apenas uma volta, uma vez que Leclerc ficou preso no tráfego. Enquanto isso, volta 14, a McLaren também parou Piastri e Norris, com o #4 calçando os pneus duros para esticar ao máximo o stint.
Posições restabelecidas, Piastri, Norris, Leclerc, Verstappen, Russell, Albon, Hamilton, Lawson, Hülkenberg e Bortoleto eram os dez primeiros. Destaque para a vantagem de Lewis por ter sido o primeiro a parar, assim como Hülkenberg, que foi no embalo e retornou à frente do brasileiro. E quem se deu mal foi a Haas, que se viu mais distante da zona de pontos.
Bortoleto, então, pediu à Sauber para que Hülkenberg abrisse passagem, pois estava mais rápido. O alemão assentiu e deixou o brasileiro passar, e a diferença entre eles aumentou rapidamente. Gabriel, por sua vez, saiu à caça de Lawson, logo à frente em oitavo.
A partir daí, começou o jogo de estratégias, curiosamente dentro da McLaren. De um lado, o time avisava a Norris que Piastri também tentaria a parada única, embora de médios. O detalhe era que os médios em questão eram o C3, enquanto Lando vinha com o C1, teoricamente mais resistente.

Volta 21 de 44, Hadjar parou para colocar os compostos duros, já que vinha completamente sem ritmo com os médios. Enquanto isso, a McLaren deixava nas mãos de Piastri a decisão de ir até o fim com o C3 ou parar pela segunda vez. “Os pneus estão desgastados”, informou, e Sainz confirmou também à Williams a alta degradação da borracha.
Piastri, então, começou a acelerar e pegou a volta mais rápida, só que Norris rapidamente devolveu. A distância mantinha-se em torno de 8s, com mais 20 giros pela frente. Enquanto isso, na volta 27, Sainz não resistiu e foi mais um a parar pela segunda vez.
Alonso parou na 30, só que em vez dos duros, preferiu os médios para as 14 voltas finais. Hülkenberg também voltou aos boxes no giro 33, enquanto Bortoleto seguia firme na nona colocação, em totais condições para pontuar pela segunda vez na temporada.
Nas voltas finais, Norris foi para o tudo ou nada e tirou bastante a vantagem de 8s que Piastri levava. Mas o #81 já tinha a corrida na mão, apenas poupando os médios até a bandeirada.
F1 2025, GP da Bélgica, Spa-Francorchamps, Resultado Final:
| POS | Piloto | Equipe | Diff |
| 1 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | 44 voltas |
| 2 | L NORRIS | McLaren Mercedes | + 3.415 |
| 3 | C LECLERC | Ferrari | + 20.185 |
| 4 | M VERSTAPPEN | Red Bull RBPT Honda | + 21.731 |
| 5 | G RUSSELL | Mercedes | + 34.863 |
| 6 | A ALBON | Williams Mercedes | + 39.926 |
| 7 | L HAMILTON | Ferrari | + 40.679 |
| 8 | L LAWSON | Racing Bulls RBPT Honda | + 52.033 |
| 9 | G BORTOLETO | Sauber Ferrari | + 56.434 |
| 10 | P GASLY | Alpine | + 1:12.714 |
| 11 | O BEARMAN | Haas Ferrari | + 1:13.145 |
| 12 | N HÜLKENBERG | Sauber Ferrari | + 1:13.628 |
| 13 | Y TSUNODA | Red Bull RBPT Honda | + 1:15.395 |
| 14 | L STROLL | Aston Martin Mercedes | + 1:19.831 |
| 15 | E OCON | Haas Ferrari | + 1:26.063 |
| 16 | A K ANTONELLI | Mercedes | + 1:26.721 |
| 17 | F ALONSO | Aston Martin Mercedes | + 1:27.924 |
| 18 | C SAINZ | Williams Mercedes | + 1:32.024 |
| 19 | F COLAPINTO | Alpine | + 1:35.250 |
| 20 | I HADJAR | Racing Bulls RBPT Honda | + 1 volta |
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