A Ferrari conseguiu roubar parte do protagonismo do fim de semana em Baku, mas não pelo que se viu na pista, e sim nos bastidores. Mais uma vez, Frédéric Vasseur ficou na mira das especulações que o colocam sob ameaça de perder o cargo de chefe de equipe, só que a história ganhou capítulo inesperado com a afirmação de Christian Horner de que aceitaria o posto mesmo sem participação acionária. Uma troca, contudo, não seria tão simples assim.

É preciso primeiro entender o contexto da chegada de Vasseur à Ferrari. Ele foi escolhido para ocupar o posto de Mattia Binotto, dispensado ao final da temporada 2022. Naquele momento, a equipe passava por mais uma de tantas crises internas, sobretudo pelos inúmeros erros que contribuíram para a virada de Max Verstappen sobre Charles Leclerc na metade do campeonato.

A questão é que o presidente da Ferrari, John Elkann, resolveu fazer uma promessa ousada: voltar a vencer consistentemente até 2026, o que não aconteceu. Este ano, os italianos subiram ao degrau mais alto do pódio em apenas duas ocasiões: em Barcelona, com Lewis Hamilton, e na Inglaterra, com Charles Leclerc.

Mas a realidade é bem mais melancólica. A Ferrari viu a Mercedes retomar o posto de equipe a ser batida com a mudança de regulamento, e por mais que tenha nas mãos um chassi muito bom, já é consenso que ele não faz mais diferença na briga direta contra as Flechas de Prata. O motor é o grande xis da questão, e a Ferrari ficou 4% abaixo do Red Bull Ford no ranking de potência medido pela FIA.

Para completar, o que parecia o início de um sonho com a vitória de Hamilton na Catalunha não foi à frente. A comunicação interna ainda evidencia ruídos, e isso se agravou justamente no GP da Itália, após Hamilton tecer críticas públicas à gestão de pilotos de Vasseur. Houve esclarecimentos depois, mas o estrago já estava feito.

Em meio a tudo isso, ressurge Horner, que já teve o nome ligado à Ferrari após deixar o comando da Red Bull, equipe que defendeu por 20 anos. Só que o britânico nunca escondeu o desejo de voltar à F1 como acionista de alguma equipe. É a condição, exceto para Maranello.

Christian Horner abriu o coração sobre Ferrari, mas mudança não seria tão simples assim (Foto: Fórmula E)

Uma possível troca de Vasseur por Horner não é tão simples assim, a começar por Elkann. O jornal italiano La Gazzetta dello Sport publicou nesta terça-feira (29) artigo que fala, sim, da insatisfação do presidente da Ferrari com o não cumprimento da promessa de Vasseur, só que o nome de Horner não é do agrado de Hamilton. E a opinião do heptacampeão conta muito para Elkann. Mesmo com as críticas feitas em Monza, Lewis já disse que só escolheu a Ferrari por causa de Frédéric, com quem trabalhou na base.

Outro que também não vê Horner com bons olhos é o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna. Nesse caso, é um voto importante a favor da manutenção de Vasseur, já que o entendimento é de que as decisões de gestão estão nas mãos de Vigna. O dirigente francês também tem apoio incondicional de Leclerc, em quem deposita total confiança, segundo a publicação. Charles está em Maranello desde 2019 e acompanhou todas as mudanças recentes de gestão.

O mesmo, porém, não acontece com Piero Ferrari, filho do fundador, Enzo Ferrari, e atual vice-presidente da Scuderia. La Gazzetta afirma que a ideia de ter Horner como chefe de equipe o agrada, e isso joga inevitável pressão no trabalho de Vasseur para os próximos GPs.

Numa atitude pouco usual, a Ferrari veio a público nesta terça-feira (29) comentar a onda recente de especulações que indicam um possível interesse da equipe em Horner para o cargo de Vasseur. Em nota oficial, o time reafirmou que a escuderia italiana tem “total confiança” no francês e já fez a sua escolha.

No entanto, os detalhes da estrutura de gestão da equipe de Fórmula 1 ainda não foram esclarecidos. A publicação italiana fala que alternativas a Horner estão sendo analisadas, incluindo candidatos internos, mas todas as partes parecem concordar em um ponto: qualquer possível substituto para Vasseur deve ser uma figura de grande destaque.

A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 2 a 4 de outubro, na Malásia, que recebe o GP do Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Sepang AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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