Tsolov dá as cartas na Inglaterra e mostra que merece oportunidade na F1
Nikola Tsolov impôs um domínio poucas vezes visto na F2 durante a rodada na Inglaterra, venceu as duas corridas do fim de semana e mostrou que merece uma oportunidade na F1 em 2027
Nikola Tsolov foi o grande nome do fim de semana da Fórmula 2 na Inglaterra. Soberano durante toda a rodada dupla em Silverstone, o búlgaro, que faz parte da academia de jovens pilotos da Red Bull, mostrou não só que é o grande favorito à conquista do título da temporada 2026, como também que reúne características que o credenciam a uma vaga na Fórmula 1 em 2027.
Depois de protagonizar a disputa pelo título contra Rafael Câmara na Fórmula 3 em 2025, Tsolov disputou as duas últimas etapas da F2 no mesmo ano pela Campos e permaneceu na equipe para a temporada de 2026. Embora o time espanhol tenha se tornado uma das potências da categoria desde a mudança do regulamento, em 2024, Nikola era visto como um forte candidato na briga pelo campeonato, mas não figurava, necessariamente, entre os favoritos.
No entanto, não demorou para que essa percepção mudasse. Logo no primeiro fim de semana de corrida, na Austrália, o búlgaro mostrou que tinha o necessário para disputar as primeiras posições, venceu a corrida principal e voltou ao lugar mais alto do pódio na sprint de Miami. É verdade que a sequência de quatro corridas fora da zona de pontuação colocou em dúvida sua capacidade de lutar pelo campeonato. Ainda assim, Tsolov soube contornar a situação como poucos.
Desde o GP de Mônaco, quando induziu Câmara ao erro na corrida principal e conquistou a vitória no Principado, Tsolov vem demonstrando que é um piloto veloz, consistente e capaz de aproveitar as oportunidades quando elas surgem. E isso ficou ainda mais evidente nas últimas etapas.

Se não tem a velocidade de classificação como principal ponto forte, o piloto da Campos compensa com largadas extremamente eficientes. Na corrida principal da Áustria, por exemplo, saiu da terceira posição e assumiu a liderança ainda na primeira volta. Algo semelhante aconteceu na Inglaterra. Na sprint, largou em sexto e subiu para terceiro ainda nos metros iniciais. Já na corrida principal, partiu de quinto e ganhou três posições antes mesmo do fim da primeira volta.
E Tsolov venceu as duas corridas em Silverstone recorrendo a estratégias inteligentes. Na sprint, quando parecia destinado ao segundo lugar, induziu Gabriele Minì ao erro e superou o principal rival na disputa pelo título na última volta — algo semelhante ao que havia feito com Câmara em Mônaco. Já na corrida 2, ao perceber que não tinha ritmo para ultrapassar Kush Maini naquele momento, administrou os pneus, permitiu que o indiano abrisse uma pequena vantagem e esperou o momento certo para atacar. Nas voltas finais, partiu para cima, realizou a ultrapassagem e completou um fim de semana praticamente perfeito em Silverstone.
Com os dois triunfos na Inglaterra, Tsolov passa a somar seis vitórias na temporada, o que representa uma das campanhas mais dominantes da história da Fórmula 2. Até aqui, apenas Charles Leclerc e George Russell venceram mais corridas em uma única temporada: sete cada, em 2017 e 2018, respectivamente. Nikola, porém, ainda terá sete rodadas duplas para tentar superar essa marca.
Além de se colocar entre os maiores vencedores em uma única temporada da F2, Tsolov também abriu vantagem na liderança do campeonato. Com o quinto lugar de Câmara e o sexto de Minì, o búlgaro agora soma 141 pontos, 17 a mais que o italiano. O brasileiro aparece em terceiro, com 94.

Agora, cabe à Red Bull decidir o que fazer com Tsolov. Em junho, o portal espanhol SoyMotor informou que a marca austríaca estava decidida a colocar o búlgaro em um dos carros da Racing Bulls em 2027. Se naquela ocasião ele já havia mostrado o suficiente para impressionar a equipe, depois do domínio em Silverstone fica cada vez mais difícil imaginar um cenário em que Nikola não esteja no grid da Fórmula 1 no ano que vem.