Um dia após Rafael Câmara consolidar a liderança do campeonato, a F2 ainda se vê sem respostas quanto à realização das etapas do Catar e de Abu Dhabi no final da temporada 2026. Acontece que fontes ligadas à F1 confirmaram ao GRANDE PRÊMIO que, ao contrário do plano B traçado pela categoria máxima do automobilismo mundial, Ímola não é opção para a série suporte. Mas o que acontece para haver essa resistência da F2 em retornar à Europa para encerrar o campeonato?
É preciso primeiro entender com funciona a estrutura da F2, que é muito diferente do que se tem na F1. Na Fórmula 1, cada equipe gerencia a própria logística, enquanto o frete de deslocamento da principal categoria de acesso é centralizado totalmente pela Formula Motorsport Limited (FML, responsável pela organização da categoria) e transportado pela DHL (empresa logística parceira da F1).
Logística e orçamento limitado: por que desfecho em Ímola não é opção para F2
Todos os carros e equipamentos das 11 equipes do grid são embarcados juntos em aviões cargueiros, como os Boeing 777-8, como explicou ao site Raceteq Marco Codello, diretor de operações da F2 e da F3, em abril de 2025.
“Ele acomoda todo o grid da F2 [em termos de carros], e há outro avião de carga idêntico para a F3”, disse na ocasião. A F2 também trabalha sob regras rígidas que limitam pessoal e custos. Codello explicou que são apenas 12 funcionários operacionais por equipes nos fins de semana.
“Tentamos reduzir e otimizar o processo ao máximo para não prolongar a jornada de trabalho das equipes. Por isso, o prazo limite geralmente é terça-feira… As equipes chegam e encontram tudo já organizado em suas garagens”, explicou.
“Vale lembrar que as equipes da F2 operam com 12 profissionais operacionais, que fazem de tudo. Elas podem até levar uma ou duas pessoas extras apenas para cuidar da embalagem, mas, de quinta a domingo, operam com essa equipe de 12 pessoas”, completou Codello.

Antes da etapa do Azerbaijão, o portal espanhol SoyMotor divulgou que, por causa dessas normas restritivas, o fluxo de cargas internacionais pós-Baku foi desenhado e contratado com antecedência para ir diretamente ao Oriente Médio. Ou seja: as equipes levaram para o Azerbaijão equipamentos e insumos para três etapas.
Uma mudança de planos, portanto, implicaria em alterar todo o custo logístico já desenhado pelas equipes em um curto espaço de tempo, acarretando em valores de frete e prazos alfandegários incompatíveis com o orçamento enxuto das equipes da base.
Temperaturas abaixo dos 10°C tornam etapa em Ímola em dezembro inviável para F2
Há outro ponto importante também: um retorno à Europa na primeira semana de dezembro já será complicado para a F1 por causa da proximidade do inverno europeu. Para a F2, que não dispõem, por exemplo, de cobertores térmicos para os pneus Pirelli, enfrentar temperaturas variando entre 4°C e 7°C tornaria o aquecimento da borracha tarefa quase impossível, oferendo risco elevado de acidentes pela natural falta de aderência.
A iluminação baixa é mais uma questão. Nessa época do ano em Ímola, o pôr do sol por volta das 16h30 exigiria largadas antes das 12h/13h, comprimindo o cronograma de todo o fim de semana da F1 e dificultando o encaixe das atividades da F2. Para se ter uma ideia, a largada da segunda corrida da rodada do Azerbaijão foi às 14h15 locais.