Pedro Clerot definitivamente se tornou um dos destaques positivos do automobilismo brasileiro no cenário internacional em 2026. Primeiro campeão da Fórmula 4 Brasil, após uma temporada dominante em 2022, o piloto teve desempenhos interessantes quando correu na Europa, passando pelas F4 Espanhola e Italiana e pela FRECA. E a trajetória na Fórmula 3 chama a atenção porque, mesmo sem experiência prévia na categoria e correndo por uma equipe que não é dominante, já mostrou capacidade de entregar bons resultados.

Há alguns anos, a Fórmula 3 vem sendo dominada pela Trident, mas a Campos entrou na briga pela liderança depois da introdução dos carros do novo regulamento, em 2025. Assim, é claro que pilotos de outras equipes conseguem se colocar na disputa por vitórias, mas, em 2025, com Rafael Câmara e Nikola Tsolov, e em 2026, com Freddie Slater e Ugo Ugochukwu, a disputa pela taça se resumiu aos pilotos das duas equipes.

A Rodin, equipe de Clerot, figura entre os times que têm potencial para lutar esporadicamente por pódios e vitórias, mas que encontram um pouco mais de dificuldade para alcançar consistência. Ainda assim, o brasileiro tem entregado resultados bastante positivos e, após sete rodadas duplas, já soma três pódios e está no top-10 da classificação.

Mesmo com carro e equipe novos, Clerot terminou na zona de pontos em metade das corridas realizadas até agora. Porém, o que mais surpreende são os três pódios, com destaque para o terceiro lugar conquistado na corrida sprint em Mônaco.

Por falar em Mônaco, Pedro mostrou uma adaptação rápida a circuitos novos e de características urbanas. Além da boa atuação no Principado, foi oitavo na corrida 2 da Austrália logo no fim de semana de estreia.

“Não sabia o que esperar quando cheguei na Austrália, muito menos em Mônaco, porque nunca tive contato com pistas de rua. Então minha adaptação foi muito boa, a equipe fez um trabalho incrível para eu ficar o mais à vontade possível e me senti muito confortável andando perto dos muros”, disse em entrevista ao GRANDE PRÊMIO no Paddock Sprint.

Pedro Clerot conquistou um pódio na Bélgica (Dutch Photo Agency RF1)

“As pistas de rua são peculiares por causa das oscilações e precisa muito do feeling do piloto. E uma das minhas características é ter essa boa percepção de conseguir brincar com o carro e sentir os mínimos detalhes”, explicou Clerot.

E, embora o desempenho apresentado até agora tenha sido muito bom para um ano de estreia, o brasileiro tem fome de mais. Após o fim de semana positivo na Bélgica, chegou à Hungria com o objetivo de entrar no top-5 da classificação — uma meta razoável, considerando que Clerot saiu de Spa-Francorchamps em décimo, com 48 pontos, apenas 11 a menos que Noah Strømsted, que, àquela altura, era o quarto colocado.

A rodada da Hungria, no entanto, não saiu como o esperado para Clerot, que não marcou pontos, permaneceu em décimo e viu a diferença para o top 5 aumentar para 23 pontos. De qualquer forma, o percalço não desanimou o brasileiro, que acredita que poderá vencer pela primeira vez em breve.

“Saí da Áustria muito confiante. Tirei muitas coisas positivas para mim e, como equipe, também aprendemos bastante. São fins de semana assim que ficam marcados. Agora, acredito que a vitória é apenas uma questão de tempo. Sabemos o que precisamos fazer e temos duas etapas para mostrar isso. Esse é o nosso foco”, disse Clerot ao GP.

Pedro Clerot pontuou na rodada de estreia na Austrália (Foto: Dutch Photo Agency/RF1)

E Clerot está certo. Por mais que a etapa na Hungria tenha sido negativa, o saldo da temporada é bastante positivo e ainda há muito a conquistar com a Rodin. Brando Badoer, companheiro de equipe, é o maior exemplo de que é possível vencer uma corrida com esse carro. Portanto, basta seguir trabalhando para buscar resultados ainda melhores na reta final da temporada.

Com a conclusão da etapa na Hungria, a Fórmula 3 parte para as férias de verão e retoma as atividades entre 4 e 6 de setembro, com a rodada em Monza. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do fim de semana.