A Fórmula 3 chega em 2026 totalmente repaginada. A temporada passada foi marcada por um domínio absoluto de Rafael Câmara, que foi campeão com uma etapa de antecedência, sendo o primeiro na história da categoria a levar o título antes da rodada derradeira. Com a automática saída do brasileiro, aliada ao êxodo dos outros principais pilotos do último campeonato, um grande vácuo se abriu no grid. E um nome já desponta como favorito a ocupar esse espaço: Freddie Slater.

A campanha de Câmara em 2025 foi tão impressionante que ofuscou totalmente pilotos que fizeram bons campeonatos, como Nikola Tsolov e Mari Boya. O brasileiro igualou o recorde de quatro vitórias em uma temporada, fez cinco pole-positions — recorde absoluto na história —, administrou riscos em etapas caóticas e mostrou capacidade de recuperação que normalmente se associa a pilotos mais experientes. Ele não apenas ganhou, mas também controlou o campeonato do início ao fim.

Com Tsolov, Boya e Martinius Stenshorne seguindo o brasileiro na F2, além da migração de Tim Tramnitz para categorias de GT, nenhum dos cinco primeiros colocados de 2025 retorna ao grid nesta temporada. É a oportunidade perfeita para Slater seguir os passos de Câmara e abalar as estruturas do campeonato ainda como novato.

Campeão da FRECA em 2025, o britânico foi recrutado pelo programa de desenvolvimento da Audi e chega cercado de expectativas, respaldado pela equipe que consagrou os últimos três campeões. Claro que a F3 não é uma extensão da FRECA, mas a Trident já mostrou que sabe potencializar muito bem os pilotos que por lá chegam, tendo levado tanto Câmara quanto Gabriel Bortoleto ao título sendo novatos. E a força demonstrada na pré-temporada, onde Slater liderou os dois primeiros dias e ficou no 4º lugar na última atividade, inevitavelmente traz os holofotes para o piloto do carro #5.

Freddie Slater liderou dois dos três dias de pré-temporada da F3 em Barcelona (Foto: Fórmula 3)

Isso não significa que o britânico terá vida fácil. Noah Stromsted, companheiro de Trident, não brilhou em 2025, mas conseguiu uma vitória, fez campanha sólida o bastante para ficar no sexto lugar e pode usar a experiência para fazer frente e brigar pelo título. Assim como Théophile Naël, que subiu ao pódio três vezes na temporada de estreia na categoria e, agora correndo pela campeã Campos, pode ser figura constante nas primeiras posições.

Mesmo em um ano amplamente dominado por um piloto, a F3 mostrou em 2025 que é um campeonato moldado pela imprevisibilidade, com grid cheio e provas impactadas (até encurtadas) por incidentes ou fatores climáticos — Austrália, Silverstone, Hungria, Bélgica e Monza tiveram influência do clima. Isso reforça um ponto central para 2026: a categoria premia adaptabilidade.

Não basta ser rápido. É preciso saber ler corridas, gerenciar riscos em grids invertidos, tomar decisões estratégicas sob pressão e, sobretudo, pontuar mesmo em fins de semana imperfeitos. Se 2026 repetir o padrão que estamos habituados, o título pode não ir para o piloto mais rápido em termos absolutos, mas para o mais resiliente e constante ao longo do calendário.

Por fim, o Brasil segue representado na categoria por Fernando Barrichello, na AIX, e Pedro Clerot, na Rodin. Porém, após dois títulos em três temporadas, as expectativas não são as mesmas dos últimos anos. Competindo por equipes que estão longe de serem grandes forças, ambos entram em 2026 com objetivos diferentes dos de um favorito ao campeonato — e a pré-temporada já mostrou isso.

Fernando Barrichello faz primeiro ano na F3 com missão de se adaptar e tentar salto em 2027 (Foto: Fórmula 3)

Barrichello não conseguiu ir além do 23º lugar, enquanto Clerot teve como melhor posição um 14º — ambos no último dia. A escassez de boas performances dos companheiros também demonstra que os brasileiros não entram no campeonato almejando vitórias — e essa não deve ser a cobrança. O foco de ambos deve estar na adaptação e em demonstrar capacidade de aproveitar oportunidades que se apresentarem para conquistar bons resultados e tentar chamar a atenção de um time mais forte para 2027.

A Fórmula 3 volta a acelerar neste fim de semana, com a abertura da temporada em Melbourne, na Austrália. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa.

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