Rafael Câmara foi campeão da temporada 2025 da Fórmula 3 de maneira dominante, não dando chance aos concorrentes. Nikola Tsolov foi quem tentou se aproximar mais do brasileiro, mas terminou 24 pontos atrás. O campeonato também foi marcado pela estreia do novo chassi feito pela Dallara e por um novo pacote de motores, mas o destaque maior foi o título antecipado do brasileiro, em um ano quase sem erros.
O título de Câmara também comprovou outra vez o domínio da Trident, que levou a melhor entre os pilotos pela terceira vez consecutiva: em 2023 com Gabriel Bortoleto e no ano passado com Leonardo Fornaroli. Por outro lado, entre as equipes a situação foi diferente, já que a Campos somou o maior número de pontos.
A temporada teve início na Austrália e o pernambucano cravou a pole-position logo de cara, mas acabou se envolvendo em uma batida na corrida sprint junto com James Wharton e Laurens van Hoepen devido ao grid invertido. A vitória acabou ficando com Santiago Ramos. Na prova principal, a chuva decidiu aparecer e a largada foi atrás do safety-car. O piloto da Trident venceu com tranquilidade a corrida que teve duas voltas a menos devido ao mau tempo, e saiu de Melbourne com nove pontos de vantagem para Théophile Naël.
A etapa seguinte teve outra pole do #5. Tsolov venceu a prova curta, após largar na quinta posição. Já na corrida principal, Rafael perdeu a liderança para Callum Voisin na primeira curva, e os dois posteriormente travariam um duelo que iria durar diversas voltas, com o brasileiro levando a melhor. O triunfo fez a diferença na liderança aumentar para 26 pontos para o segundo colocado, Tim Tramnitz.

Câmara se tornou o primeiro piloto da história da F3 a conquistar três poles consecutivas nas três primeiras etapas. Em Ímola, a corrida sprint foi movimentada, com intervenções do safety-car em duas oportunidades e Tramnitz venceu a primeira do ano. Ramos tomou a liderança da prova principal na largada, mas foi superado pelo brasileiro na quarta volta. Os dois andariam próximos durante toda a prova, até o mexicano dar o bote no antepenúltimo giro e terminar na primeira colocação. O #5 caiu para terceiro e viu a vantagem na liderança cair para 21 pontos.
A rodada de Mônaco não foi favorável para o líder do campeonato: além de não ter ido tão bem na classificação, também infringiu uma bandeira vermelha e acabou perdendo três posições em ambas as corridas. Martinius Stenshorne venceu a prova curta depois de assumir a ponta na largada. E Tsolov teve um fim de semana perfeito, já que cravou a pole, fez a volta mais rápida, liderou todas as voltas e venceu a corrida principal sem ser ameaçado. Tramnitz conseguiu reduzir a diferença para a liderança para 13 pontos.
Rafael voltou à normalidade na Espanha e marcou outra pole-position. A corrida sprint teve diversos incidentes logo na largada: os três primeiros bateram e abandonaram, enquanto Tuukka Tapponen ficou parado na largada e foi acertado pelo #5. Melhor para Ivan Domingues, que escapou da confusão e conquistou a primeira vitória da carreira. O safety-car entrou duas vezes durante a prova principal, mas não atrapalhou Câmara, que dominou e triunfou pela quarta vez na temporada, ampliando para 26 tentos a vantagem na ponta da tabela.
Tsolov mostrou força na Áustria. Além de cravar a pole, subiu ao pódio na corrida sprint — que teve vitória de James Wharton — e venceu a prova principal de maneira dominante. No entanto, acabou sendo desclassificado por excesso de desgaste da prancha e a vitória ficou com Stenshorne. O resultado ajudou o brasileiro, que viu a diferença ser reduzida para 24 pontos para Tramnitz.

O piloto da Campos marcou a pole outra vez para a etapa da Inglaterra, mas se envolveu em um acidente com Brando Badoer e não conseguiu completar a prova curta. A vitória ficou com Tasanapol Inthraphuvasak, que triunfou pela primeira vez na categoria. Apesar de a corrida principal iniciar debaixo de chuva, a maioria dos pilotos na parte da frente do grid optaram por largar com pneus slicks. Melhor para Mari Boya, que escolheu os compostos de chuva e tomou a ponta logo na largada. A chuva aumentou depois, o que obrigou muitos competidores a trocarem os pneus e, com a batida de Louis Sharp, o safety-car foi acionado e logo em seguida foi a vez da bandeira vermelha entrar em ação. A prova não foi reiniciada e o espanhol levou a melhor pela primeira vez no ano. Apesar de marcar apenas três pontos, Câmara aumentou a diferença para Tramnitz para 27 pontos, já que o alemão não pontuou em Silverstone.
Brad Benavides cravou a primeira pole na F3 na Bélgica e Rafael ficou com a segunda posição no grid. Noah Strømsted superou Freddie Slater na largada para ficar com a vitória na corrida sprint. A chuva voltou a aparecer na prova principal e estava tão forte que a direção de prova optou por não iniciar a corrida. Sendo assim, nenhum ponto foi distribuído, e o brasileiro saiu da etapa com 28 tentos de vantagem para Tsolov.
Câmara conquistou a quinta pole da temporada na Hungria. Apesar da movimentação na prova curta —incluindo duas entradas do safety-car —, Inthraphuvasak liderou todas as voltas e venceu com tranquilidade. Outra vez a chuva foi um fator na corrida principal, mas não foi o suficiente para impedir Rafael não só de vencer, mas também de conquistar o título de forma antecipada, já que Tsolov não teve um bom fim de semana, foi sexto colocado e perdeu o segundo lugar no campeonato para Boya, que terminou a etapa 48 pontos atrás do líder.
A última rodada do campeonato foi em Monza e contou com mais um brasileiro no grid: Fernando Barrichello, filho de Rubens, estreou na categoria pela AIX. Por estar se adaptando, não foi além do 20° lugar na corrida sprint e abandonou na prova principal. A primeira prova do fim de semana teve vitória de Roman Bilinski, que se aproveitou da punição de Tramnitz, que havia cruzado a linha de chegada em primeiro lugar. A última corrida da temporada 2025 foi bastante movimentada do início ao fim e teve dobradinha da Campos — que garantiu o título de equipes em cima da Trident — com Inthraphuvasak em primeiro e Tsolov em segundo. Já coroado campeão, Câmara largou da 30ª e última posição e terminou em quinto lugar, dizendo que teve a melhor prova da vida. Tsolov terminou como vice e Boya foi o terceiro colocado.

Com dois campeões brasileiros nos últimos três anos, a F3 se prepara para ter mais dois representantes do Brasil: além de Barrichello, Pedro Clerot estreará pela Rodin na temporada 2026. No entanto, ambos não vão correr em equipes que costumam disputar o título, e possivelmente terão um ano de adaptação à categoria. Quem chega como favorito é Slater, campeão da FRECA 2025 que fará a temporada completa da F3 pela Trident.
A Fórmula 3 retorna somente entre os dias 6 e 8 de março, em Melbourne, palco da primeira etapa da temporada 2026.
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