Rafael Câmara teve simplesmente um ano irretocável na Fórmula 3: conquistou o título de forma antecipada e de maneira dominante, sem sequer ser de fato ameaçado pelos rivais ao longo da campanha e se consolidando como a maior promessa do automobilismo brasileiro atualmente. Além disso, também seguiu exatamente os mesmos passos de Gabriel Bortoleto, levando a melhor na F3 com o #5 da Trident e assinando com a Invicta para correr no ano seguinte na Fórmula 2. A diferença é que o pernambucano faz parte da academia de pilotos da Ferrari e deve andar com carro de Fórmula 1 já em 2026.
Assim como todos, Rafael começou a carreira no automobilismo através do kart e muito jovem, com apenas cinco anos de idade. Mas os torneios para valer só começaram aos nove, em 2014, em campeonatos locais em Recife, Pernambuco. Em 2018, disputou o Mundial pela primeira vez pela classe OK Junior. Já no ano seguinte, na Finlândia, foi vice-campeão, e ainda acumulou retrospecto interessante em outros torneios até chamar a atenção de ninguém menos que a Ferrari, quando estava prestes a iniciar a carreira nos monopostos.
Câmara bateu na trave algumas vezes antes de conquistar os campeonatos da FRECA e da F3 em anos consecutivos: foi vice da F4 dos Emirados Árabes e terceiro tanto na F4 Alemã quanto na F4 Italiana.
A temporada 2025 da F3 teve um carro novo pela primeira vez em seis anos, que também contou com um novo pacote de motores. Entretanto, a Trident continuou a mostrar força e o brasileiro mostrou uma rápida adaptação desde a pré-temporada. E foi logo na primeira corrida do campeonato que Rafael começou a se destacar.

A primeira etapa do ano já teve pole-position do #5 que, apesar de se envolver em um acidente na corrida sprint, levou a prova principal de forma tranquila e em condições de chuva. A dose foi repetida no Bahrein, novamente largando na primeira posição e vencendo a corrida que distribuía o maior número de pontos.
Em Ímola, Câmara se tornou o primeiro piloto da história da F3 a conquistar três poles consecutivas nas três primeiras etapas. No entanto, acabou não vencendo o duelo com Santiago Ramos e terminou na terceira colocação. E a rodada seguinte, em Mônaco, não foi positiva: além de não ter ido tão bem na classificação, também infringiu uma bandeira vermelha e acabou perdendo três posições em ambas as corridas. O sétimo lugar na prova curta foi o melhor resultado do fim de semana e o pernambucano viu a distância na liderança ser reduzida para 13 pontos — a menor em todo o campeonato. No entanto, a diferença a partir da etapa seguinte só iria aumentar.
Rafael voltou a cravar outra pole na Espanha e, apesar de acertar Tuukka Tapponen — que ficou parado na largada da corrida sprint —, dominou a prova principal, venceu outra vez no ano e ampliou a diferença na liderança para 26 pontos. E embora tenha marcado poucos pontos na Áustria, Inglaterra e Bélgica — que não teve a realização da corrida sprint por conta da chuva —, conseguiu manter uma vantagem confortável no topo da tabela e chegou à Hungria com 28 tentos de distância para Nikola Tsolov.
Câmara largou na frente pela quinta vez na temporada e se colocou em ótima posição para vencer o campeonato de forma antecipada em Budapeste. A oitava colocação após evitar os incidentes na prova curta facilitaram ainda mais o caminho rumo ao título. Bastava abrir somente mais sete pontos para soltar o grito de campeão, e com Tsolov e Tim Tramnitz largando na parte do grid, o único que poderia impedir a festa era Mari Boya. Com pista molhada, o espanhol bem que tentou, mas Rafael resistiu aos ataques e controlou a vantagem durante toda a prova para cruzar em primeiro lugar e levar o título com uma rodada de antecedência. Ao fim do campeonato, terminou 44 pontos à frente de Tsolov.

O pernambucano fez uma temporada quase perfeita: cravou diversas poles, dominou corridas, cometeu poucos erros e soube administrar a vantagem na liderança quando necessário, demonstrando calma e maturidade incomuns em pilotos com tão pouca idade.
O próximo passo agora é a F2, e Câmara já chega como um dos favoritos ao título. Além de ser campeão no primeiro ano de F3, vai correr pela Invicta, que foi campeã tanto de pilotos quanto de equipes nos últimos dois anos. E não para por aí: Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, já declarou que Rafael vai fazer testes com carros de F1 de anos anteriores e deve também fazer alguns treinos livres no bólido de 2026. Já com tudo isso na bagagem e muito bem encaminhado, é questão de tempo para que o pernambucano pegue o passaporte para a principal categoria do automobilismo.
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