A partir deste final de semana, na Bélgica, a F1 entrará em contagem regressiva para as férias de verão na Europa, marcando o fim da primeira metade da temporada 2026. De um lado, pilotos, dirigentes e membros das equipes terão três semanas de necessário descanso, mas, na prática, é na chamada silly season que os bastidores fervem e o trabalho não para. E a julgar pelas recentes notícias veiculadas pela imprensa especializada, 2027 pode trazer importantes — e até surpreendentes — mudanças no grid.

Na prática, Lance Stroll (Aston Martin), Pierre Gasly (Alpine), Andrea Kimi Antonelli (Mercedes), Isack Hadjar (Red Bull), Charles Leclerc (Ferrari), Lando Norris (McLaren), Oscar Piastri (McLaren) e Max Verstappen (Red Bull) possuem contratos válidos para 2027 e além, porém cláusulas contratuais de desempenho colocam principalmente os dois últimos como peças no tabuleiro de xadrez do mercado de pilotos.

Olhos voltados também para Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que sempre se veem às voltas com questões relacionadas à aposentadoria. No caso do espanhol, uma hipótese cada vez mais presente, enquanto Hamilton, embalado pelo crescimento da Ferrari, já avisou que não sai enquanto não chegar ao sonhado octa.

São cenários possíveis, isso sem contar com as promessas da F2 que estão na fila e já surgem como nomes bem cotados, como é o caso dos postulantes ao título Rafael Câmara e Nikola Tsolov. O 10+ desta semana, portanto, reuniu dez movimentos que podem acontecer na F1 2027. Confira!

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Max Verstappen fica ou sai da Red Bull? (Foto: Red Bull Content Pool)

Verstappen na McLaren?

Certamente seria uma surpresa e tanto, mas faz tempo que a relação entre o tetracampeão e a Red Bull deixou de ser inabalável. Até se pensou que a saída de Christian Horner acalmaria os ânimos do clã Verstappen, porém especulações sobre bastidores à parte, o que se sabe vem do próprio Max: a insatisfação não somente com a performance do carro, mas com a falta de atenção que a equipe parece dar ao feedback do seu principal piloto.

É nesse contexto que Verstappen começa a olhar para o lado, já que, com o abandono na Inglaterra, não pode mais chegar ao top-2 da classificação antes das férias, ficando livre para acionar a cláusula de saída, segundo o jornal alemão Bild. E se essa cláusula realmente for acionada, é a McLaren quem pode vencer a queda de braço e levar Verstappen. Na Áustria, a Sky Sports noticiou que os agentes de Max se reuniram com Zak Brown, dando início às negociações. Mas como ficariam Norris e Piastri?

Piastri na Red Bull?

Apesar do contrato renovado, Piastri também não está certo para 2027. O GRANDE PRÊMIO apurou que o australiano deseja acionar a cláusula de saída também relacionada à performance, já que é somente o sexto na classificação, a 97 pontos do líder Antonelli. Mark Webber, empresário de Oscar, já trabalha nos bastidores em busca de um novo lugar a Piastri por entender que, na McLaren, nunca será primeiro piloto — Mark sabe bem disso desde os tempos que passou a ter Sebastian Vettel na Red Bull.

Com a McLaren de olho em Verstappen, uma troca natural, com Piastri ocupando o posto eventualmente deixado por Max na equipe taurina, é a opção mais realista. Vale destacar a boa relação que Webber possui com os austríacos pelos tempos em que correu por lá.

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Oscar Piastri não está satisfeito e pode deixar a McLaren (Foto: Gabriel López/Grande Prêmio)

Piastri na Audi?

Mas a Red Bull não é a única opção para Piastri. Segundo o portal alemão F1 Insider, Webber conversa com a Audi, e é importante entender o cenário na equipe alemã, pois tanto Nico Hülkenberg quanto Gabriel Bortoleto estão assegurados até o final deste ano, com possibilidade de renovação. Mattia Binotto, que lidera o projeto Audi na F1, já falou que o objetivo é chegar em 2030 com um carro competitivo o bastante para brigar pelo título, portanto a ideia de poder contar com um piloto jovem e com um ano de destaque na McLaren não deixa de ser interessante.

Quanto à dupla atual, quem parece mais ameaçado é Hülkenberg, que continua muito forte em classificações, mas tem sofrido mais em corridas e ainda não conseguiu pontuar. Isso sem falar que o alemão tem 38 anos e também se encontra muito mais próximo do fim da carreira.

Sainz na Audi?

Nessa dança das cadeiras, Carlos Sainz também surge entre os cotados para correr em um dos carros da marca das quatro argolas em 2027. O curioso é que o espanhol teve essa mesma oportunidade antes de assinar com a Williams em 2025, mas optou pela esquadra de Grove em vez de apostar em um projeto totalmente novo. Agora, o portal inglês PlanetF1 noticiou que há uma insatisfação grande de Sainz com o início aquém das expectativas somado aos atrasos no planejamento da pré-temporada e ao excesso de peso do carro. A Williams também não demonstra poder de reação. E Albon também tem contrato até o final deste ano.

Alonso na Alpine?

Alonso já é visto por alguns como a peça que pode movimentar várias outras, e tudo porque, aos 44 anos, pode estar em sua última temporada na Fórmula 1. A ida para a Aston Martin pareceu acertada ainda em 2023, quando emplacou seis pódios nas oito primeiras corridas, mas os ingleses não só ficaram para trás na batalha das atualizações como se encontram em um pesadelo sem fim justamente quando o novo regulamento trouxe a Honda e Adrian Newey, duas figuras determinantes no sucesso da Red Bull.

Há, porém, a chance de Fernando encerrar a carreira ao lado daquele que sempre o apoiou: Flavio Briatore. A versão italiana do Motorsport publicou em junho que o dirigente pressiona a Renault para ter Alonso de volta, dando ao bicampeão o que seria um desfecho mais digno do que a Aston Martin tem sido capaz de proporcionar, com Alonso sequer terminando corridas.

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Fernando Alonso está cada vez mais perto da aposentadoria (Foto: Aston Martin)

Câmara na Haas?

O brasileiro é a bola da vez entre os pilotos da F2 cotados para conseguir uma vaga no grid da F1 em 2027, e a Haas surge como porta de entrada por conta da relação que a equipe possui com a Ferrari. A Haas é cliente da escuderia de Maranello, a quem pertence o passe de Câmara, portanto a ida para a F1 seria nos mesmos moldes da estreia de Oliver Bearman — que também tem nas mãos contrato com a Haas até o final desta temporada, porém a tendência é que renove o vínculo por ao menos mais um ano enquanto aguarda uma oportunidade na Ferrari. A imprensa italiana, aliás, já dá o acordo entre Câmara e Haas como certo.

Tsunoda na Haas?

Yuki Tsunoda é quem surge com mais potencial de barrar a estreia de Câmara na F1 com a Haas, já que o experiente piloto seria opção para agradar a parceira Toyota. É desejo da marca ter na Haas um piloto japonês, e isso quase aconteceu ao final da temporada 2025. Segundo o portal inglês The Race, foi o ex-consultor da Red Bull, Helmut Marko, que impediu a ida de Tsunoda (que ainda é piloto do grupo austríaco) para o time da Carolina do Norte.

Só que Yuki ainda não está totalmente descartado, uma vez que possui bom relacionamento com o chefe, Ayao Komatsu. Enquanto uma definição não é dada, tudo pode acontecer, inclusive outros candidatos serem escolhidos, como Ryo Hirakawa, também japonês e que já fez treinos livres pela Haas, e até Leonardo Fornaroli, campeão vigente da F2 e hoje ligado à McLaren.

Ocon na Aston Martin?

Bom, parece que Ocon está com os dias contados na Haas, por mais que seja natural a irritação diante das especulações de mercado. Mas o destino do francês pode estar ligado ao do ex-companheiro dos tempos de Alpine, Alonso. Segundo o portal neerlandês RacingNews365, a Aston Martin olha para Ocon como possível alternativa diante de uma saída do bicampeão. E mesmo se Alonso decidir ficar por mais um ano, Esteban pode ir para a reserva da equipe de Silverstone, à espera da aposentadoria do colega para retornar ao grid.

Rafael Câmara já é dado como certo na Haas pela imprensa italiana (Foto: F2)

Tsolov na Racing Bulls?

Se Câmara é bem cotado para a Haas, Tsolov também já cresce em direção à F1, mas o caminho do búlgaro é o mais previsível de todos: uma vez piloto da academia da Red Bull, a Racing Bulls é a porta de entrada, repetindo o movimento de todos os pilotos da casa. O site espanhol Soy Motor cravou que Tsolov estará na equipe de Faenza em 2027.

A questão, todavia, é entender o que Verstappen realmente fará do futuro, pois Liam Lawson, embora garantido só até o final de 2026, pontuou em todas as últimas cinco etapas do campeonato, assim como o companheiro, Arvid Lindblad. Sacá-lo para colocar outro novato seria surpreendente, ainda que tais movimentos não sejam chocantes quando se trata da Red Bull. O que se sabe é que há algo acontecendo.

Verstappen em ano sabático?

É a opção menos provável. Mesmo irritado com o rumo que a F1 tomou em 2026 ao ampliar a importância da bateria em 50/50 com o motor de combustão interna, tirando dos pilotos o jeito intuitivo de se pilotar, Verstappen não parece realmente inclinado a deixar a categoria. Ele já manifestou o desejo de cumprir o contrato com a Red Bull, mas as condições ditas pelo empresário, Raymond Vermeulen, foram bem claras: Max precisa voltar a vencer. Terá a Red Bull condições de assegurar isso?

Ou melhor, terá qualquer outra equipe condições de garantir um carro vencedor a Verstappen? A julgar o começo desta nova era da F1, apenas a Mercedes tem esse gabarito, sendo que também sofre de problemas de confiabilidade. Portanto, se for para trocar seis por meia dúzia, nada o impede de passar o próximo ano curtindo as corridas de resistência.