A temporada 2025 da MotoGP está aí batendo na porta. Mas, antes mesmo da virada de ano, já é possível listar os assuntos que mais vão chamar a atenção no próximo campeonato. E temas não faltam, passando por calendário, Liberty Media, novatos e até crise financeira.
No 10+, o GRANDE PREMIUM lista os dez principais assuntos que merecem atenção na temporada 2025. Ao menos de entrada.
Liberty Media: aprovado ou barrado no baile?
Desde o anúncio da compra de parte das ações da Dorna Sports pelo Liberty Media, a MotoGP vive a espera de aprovações de organismos antitruste ao redor do mundo. Em boa parte do planeta, as autorizações foram todas concedidas, mas a União Europeia segue sendo uma barreira.
Há poucos dias, a Comissão Europeia fez novos destaques e estendeu a análise do caso por mais 90 dias. A preocupação é por prática de monopólio e aglomeração comercial, já que a companhia norte-americana é dona, também, da Fórmula 1.

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Enquanto isso, o Liberty mantém a fé no negócio. E a MotoGP vai fazendo o que pode para alcançar o objetivo de levar o campeonato para um público cada vez maior.
Calendário de 22 etapas: agora vai?
Não é de hoje que a MotoGP tenta fazer um calendário de 22 etapas, mas, até aqui, segue passando longe do alvo. Nos últimos anos, foi o GP do Cazaquistão que apareceu como barreira.
Em 2025, porém, os desafios são outros. Brno volta à programação, mas, como já existe e é homologado — mesmo que precise de um novo asfalto —, não pairam tantas dúvidas em relação ao GP da Tchéquia.
A situação, todavia, é bem diferente com o GP da Hungria. Balaton Park até existe, mas não tem a homologação necessária da FIM (Federação Internacional de Motociclismo). Em 2024, a pista húngara figurou como reserva, mas, mesmo com necessidade, não pôde ser utilizada. Resta saber se as autorizações vão sair ou se o GP da Hungria vai ser mais uma daquelas que aparecem no calendário e nunca recebem sequer uma corrida.
Jorge Martín na defesa do título
Outro tema que vai despertar a atenção do espectador é a defesa do título por Jorge Martín. Campeão com a Pramac Ducati, o espanhol muda de endereço em 2025 e terá a missão de defender a taça com uma moto inferior àquela com que foi campeão.
Claro, a Aprilia pode conseguir um salto de performance e vir com uma RS-GP mais forte, mas, pelo que se viu em 2024, é difícil imaginar que o protótipo de Noale avance a ponto de dominar a Desmosedici.
Ainda assim, Martín já provou ser dono de um talento ímpar e tem plena capacidade de compensar ao menos parte da deficiência da moto e conseguir levar a Aprilia mais longe.
Aprilia vai corresponder ao #1?
O desempenho do piloto, porém, não é o único que estará sob avaliação. Quando escolheu contratar Martín, a Aprilia eliminou todas as desculpas externas e, se não desempenhar, será por culpa dela mesmo.
Afinal, piloto capaz a gente já sabe que a Aprilia tem. Martín não foi campeão ao acaso. Ele conquistou a taça com méritos. E, por isso, a casa de Noale estará sob pressão.
Como campeão, Jorge tem o direito de estampar o #1 na carenagem, mas a RS-GP vai ter de se desdobrar para também ela fazer jus ao número do campeão.
Marc Márquez x Francesco Bagnaia
Poucos assuntos, entretanto, despertam mais curiosidade do que a relação entre Marc Márquez e Francesco Bagnaia nos boxes da Ducati. Tem muita gente, aliás, esperando o circo pegar fogo.

Em termos de currículo, ninguém terá um elenco melhor do que a Ducati. São 11 títulos dentro da garagem. Mas o fato é que o cenário vai mudar. Bagnaia tem o amor e o respeito de Borgo Panigale por tê-los tirado da fila de títulos. E, até aqui, fez jus do status que conquistou lá dentro. Pecco é o maior piloto da história da equipe. Mas Márquez é sedutor.
Dono de um histórico para lá de vitorioso, o espanhol chega ao time de fábrica tentando recuperar o reinado, mas, ao menos em público, reconhecendo que a equipe é de Pecco. Resta saber por quanto tempo essa postura vai durar. Uma disputa direta pelo título pode elevar a temperatura em Borgo Panigale.
KTM reage ou afunda na crise (financeira)
Mais do que a performance, o que verdadeiramente preocupa na KTM no momento é a profundidade do bolso. A fábrica austríaca tem uma dívida que ultrapassa R$ 1 bilhão e está em processo de autoadministração.
Ainda que a casa de Mattighofen reforce aos quatro ventos que não pretende sair da MotoGP e que a crise não vai abalar a equipe, não é impossível imaginar uma situação como essas. Em meio a rumores de congelamento da evolução da RC16, 2025 promete ser um ano de dificuldades para a marca austríaca.
Yamaha: mais estruturada e com mais pilotos?
2025 também promete ser um ano diferente para a Yamaha. Empenhada em sair do buraco, a casa de Iwata tem trabalhado duro para melhorar a performance da YZR-M1 e, entre outras coisas, tem como grande acerto a parceria com a Pramac.
Depois de alguns anos limitada a duas voltas, a Yamaha vai dobrar a presença de M1s no grid e, mais do que isso, mudar a filosofia de trabalho. Agora, Miguel Oliveira e Jack Miller terão as motos do ano, as mesmas do time de fábrica e, assim, poderão trabalhar ao lado de Álex Rins e Fabio Quartararo para desenvolver a moto.

A expectativa é de um ano bem mais produtivo. Mas é preciso o cuidado para não deixar que o trabalho de desenvolvimento de um motor V4 — mais um sinal claro do esforço da Yamaha em voltar a ser a Yamaha — roube todas as manchetes antes da hora.
Honda: agora vai?
Quem também vive mergulhada na crise é a Honda. Em 2024, pareceu que a melhora da RC213V estava estagnada, mas o final do campeonato foi bem mais animador.
Mas, mais do que os resultados, os bastidores também rendem um contido otimismo. Romano Albesiano deixou a Aprilia para assumir a direção-técnica da Honda, um sinal de uma nova filosofia em Hamamatsu. Além disso, Aleix Espargaró é o novo piloto de testes da marca e Takaaki Nakagami assumiu a função de desenvolvimento direto no Japão, melhorando a comunicação entre a fábrica e a equipe de corrida.
Franco Morbidelli no conforto da VR46
Outro ponto de interesse de 2025 é a performance de Franco Morbidelli. O ano passado, que deveria ser uma temporada de redenção, acabou prejudicada por uma séria concussão, mas a evolução aconteceu ao longo do ano. Mesmo que os resultados não tenham sido tão expressivos.
Agora, o ítalo-brasileiro migra para a VR46, onde vai meio que correr em casa. Pupilo de Valentino Rossi, Franco não terá a moto do ano, vai usar o mesmo protótipo com que correu no ano passado, mas, entre amigos, pode reencontrar o ritmo que falta para voltar a ser protagonista.
Os novatos: Ai Ogura, Somkiat Chantra e Fermín Aldeguer
O último ponto para ficar de olho reside nos calouros de 2025. Ao todo, três: Ai Ogura, Somkiat Chantra e Fermín Aldeguer.
Ogura chega com a pompa de ser o campeão vigente da Moto2 e com um contrato até meio inesperado. A expectativa sempre foi que ele desse o salto via LCR, graças aos laços que sempre nutriu com a Honda, mas ele acabou fechando com a Trackhouse e vai correr de Aprilia. Um bom passo, que o livra do rótulo de que foi promovido por causa do passaporte.
Situação, aliás, diferente de Chantra. Sem Ogura e com uma cota de asiático a preencher, a LCR partiu para o lado do tailandês, que ainda não tinha mostrado credenciais para dar um passo como este.
Aldeguer, por fim, chega amparado por um valioso contrato com a Ducati, assinado precocemente. É fato que a performance de 2024 talvez não justifique tanto assim um contrato de dois anos com a opção de ser renovado por mais dois, mas o espanhol é um dos mais interessantes jovens pilotos, então estará sob os holofotes.
A MotoGP volta a acelerar entre 5 e 7 de fevereiro de 2025 para os primeiros testes de pré-temporada, em Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.