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O Mundial de GT abriu a temporada 2016 no último fim de semana com a rodada em Misano, na Itália. E a vitória na categoria Sprint ficou com os belgas Laurens Vanthoor e Frédéric Vervisch, andando no Audi #1. A etapa também confirmou a ausência da equipe capitaneada por Antonio Hermann e Washington Bezerra, depois de três anos. Ainda é incerta uma eventual participação do time em corridas isoladas desta temporada. A esquadra, no entanto, segue em Portugal, também tentando um retorno à competição – e ainda negociando carros. Mas há um entrave em tudo isso: a grana. Ou a falta dela.
A crise econômica brasileira é a justificativa para o revés da equipe, que deixou a pé Cacá Bueno, Valdeno Brito, Felipe Fraga, Sérgio Jimenez e Átila Abreu, pilotos que estiveram na categoria no ano passado. O pentacampeão da Stock Car fez uma análise dos problemas enfrentados por Hermann, falou sobre o cenário do automobilismo no país e já vê 2016 como o “pior ano de todos”.
Acostumado a sempre dividir a temporada com outros campeonatos, o carioca da Red Bull não tem esperanças de disputar categorias paralelas neste ano e sente, principalmente, a pausa forçada do projeto de Hermann e Bezerra no GT. “Era uma forma de mostrar o bom trabalho feito pelos brasileiros lá fora”, fala.
A equipe perdeu patrocínios importantes no ano passado e passou a trabalhar no esquema de ‘esforço próprio’. Só que não foi suficiente. “Estamos no ano mais complicado de todos”, diz Cacá ao GRANDE PREMIUM ao ser questionado sobre o planejamento para as competições desta temporada.

“Estamos no ano mais complicado de todos”, diz Cacá Bueno (Cacá Bueno e Sergio Jimenez (Foto: Tony Hermann))
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“Durante muitos anos, além de correr de Stock Car, sempre fiz outras categorias, como Super TC 2000, Troféu Linea, GT Brasil, Mundial de GT. Também tive participações no WTCC, Porsche Cup, Carretera. Quer dizer, sempre foi possível fazer outros campeonatos. Mas agora, com a crise financeira do país, não dá mais. O valor do euro dobrou, e lá tudo é em euro, porque é uma corrida fundamentalmente europeia. Não tem como”, completa.
“Todo ano, eu faço uma prova ou outra na Argentina, eu devo fazer agora também, mas vamos ver o que acontece. Mas, se não puder para esse ano, a gente tenta para o ano que vem. Fazer uma única categoria é muito pouco. A gente precisa permanecer em atividade. Tem de fazer um pouco mais do que um campeonato”, afirma Bueno.
O piloto de 39 anos revela que ainda tentou ajudar Hermann na captação de recursos, mas que a situação atual impediu qualquer avanço. “É um ano de quase nenhum retorno do marketing esportivo, de mídia, sumiu tudo.”
“É o momento do país, o dinheiro sumiu do marketing. Quer dizer, não deu para bancar. O Hermann é um cara bem sucedido e que não faz loucura. É uma pena, porque o projeto é muito interessante. Espero que, quando passar essa turbulência, a gente consiga voltar a fazer alguma coisa lá”, acrescenta Cacá.
“Então, tudo isso afetou o projeto. É praticamente impossível. Eu tentei ajudá-lo. Mas é um ano escasso de retorno, de mídia e de patrocínio. E agora a gente só pode torcer para que o cenário econômico e político do país melhore.”
“Que outra categoria fazer esse ano? Capaz de ser somente a Stock Car mesmo. E dedicar o meu ano à ela e tentar ser campeão”, define.

O dirigente revela que chegou a fechar um pré-contrato com uma nova marca – o acordo com a BMW se encerrou no ano passado. Mas que não foi possível levar o projeto adiante. “Apesar de termos assinado um pré-contrato para representarmos uma importante marca, ficou impossível de se viabilizar o orçamento adequado para sermos competitivos em função da condição macroeconômica pela qual o país atravessa.”
“Decidimos abortar nossa participação este ano e aproveitar essa ‘temporada sabática’ para nos estruturamos com vistas para a temporada de 2017”, completa.
Só que a equipe ainda tem esperança de fazer algumas provas em 2016, na classe endurance do Mundial de GT. “Talvez façamos uma das corridas de longa duração no segundo semestre e, nesse caso, os pilotos serão o Cacá, Valdeno e Fraga”, diz.
O carro continua em negociação. "Sim pode ser a Lamborghini, mas hoje há outra alternativa também", admite Hermann, sem dar pistas.
Ainda diante das incertezas, o chefe da equipe brasileira faz uma boa avaliação das três temporadas europeias. “Com toda a certeza o resultado foi excelente”, fala.
“Crescemos muito como equipe e, hoje, sem a menor sombra de dúvida, estamos entre as três melhores do campeonato. Infelizmente, nosso equipamento (BMW) não era tão competitivo como desejávamos e, em algumas provas, fomos prejudicados por decisões erradas dos fiscais de pista e em outras padecemos por erros de pilotagem, mas terminamos o campeonato em terceiro lugar entre as equipes e vencemos o Torneio de Pit-stop. Hoje tenho a convicção que somos uma equipe que tem o respeito de nossos concorrentes e da organização.”
E revela que a Stock Car pode ser ainda um caminho para o futuro. “Estamos observando de perto. A Stock é, sem dúvida, a melhor categoria do Brasil, temos estrutura e mão de obra qualificada disponíveis, vamos ver como vão caminhar os nossos projetos para o ano que vem”, finalizou Hermann.
(Valdeno Brito (Foto: Tony Hermann))