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Chamou a atenção durante a semana a sequência de acontecimentos envolvendo Nelsinho Piquet e sua participação no GP de Pau da F3 Europeia. Primeiro, o anúncio de que ele guiaria o carro da Carlin; depois, o veto por parte da FIA, dizendo que sua presença na categoria ia contra o espírito do campeonato.

E a FIA está correta. A F3 não é para um piloto como Piquet.

A F3 Europeia não chega a ter um limite de idade propriamente dito, mas está mais do que claro qual é o seu objetivo: servir de escada para quem quer chegar ao topo do automobilismo, seja a F1 ou as demais categorias. Obviamente, o atual campeão da F-E não se enquadra neste perfil.

Com a Carlin perdendo Raoul Hyman para a etapa deste fim de semana. O sul-africano não conseguiu levantar patrocínios suficientes para disputar a etapa, e, com a vaga aberta, a equipe inglesa passou a mão no telefone e ligou para o brasileiro.

Eles têm história juntos. No ano passado, Piquet foi aos Estados Unidos para andar na Indy Lights com a mesma Carlin, que tem aspirações de chegar à Indy — um projeto que certamente interessaria ao versátil piloto. Uma vaga se abriu e o convite foi feito, como agora. E Piquet, que não é bobo nem nada, e que gosta bastante de sentar em um carro de corrida e acelerar, naturalmente aceitou.

O campeão da F-E queria correr na F3 (O campeão da F-E queria correr na F3 (Foto: Getty Images))

“Não podemos negar que ficamos satisfeitos que um piloto com o talento e as conquistas de Nelson Piquet Jr. manifestou o desejo de competir em uma rodada do Europeu de F3 da FIA em um circuito de prestígio, como o de Pau. Entretanto, devemos ter em mente o espírito do campeonato, como um dos principais passos na escada para a F1. Assim, decidimos que não poderíamos aceitar o pedido apresentado pela Carlin. Nesta temporada, a FIA introduziu novos critérios de elegibilidade com a intenção específica para definir as características do campeonato de F3 Europeia com mais precisão. A decisão de hoje é uma consequência lógica dessas medidas”

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Ao lamentar o veto à sua participação, ele disse que seria “muito bom também para a categoria, porque poderia comparar o desempenho de um veterano, assim como as corridas da Truck Series e da Xfinity fazem”.

“É uma questão de aprendizagem. Quando corri na Indy Lights no ano passado, também foi uma grande experiência. Fiquei encantando com a experiência, e isso me levou a testar na Indy. Tudo o que eu queria era fazer a corrida e é uma pena que terei apenas de assistir. Só desejo boa sorte a todos na Carlin e na F3", acrescentou.

Entendo o raciocínio, mas discordo. E nisso dá até para citar o exemplo que ele deu fazendo referência à Lights, que lhe deu a oportunidade de testar na Indy. Onde ele poderia ganhar um teste pela participação na F3? Na F1, não. No WEC, ele já está. DTM? O seu currículo é bom o bastante para lhe abrir uma porta por lá. Não é que Nelsinho é novo no ambiente do automobilismo europeu, como seria no caso dos monopostos nos Estados Unidos.

Dentro deste espírito do campeonato que a FIA destacou, seria preferível não ter um piloto veterano no meio do grid para servir de parâmetro, mas, sim, que a equipe aproveitasse a oportunidade para dar uma chance a outro piloto. Se este aproveitar a chance e se sair bem, pode até arranjar um patrocínio e voltar para as etapas seguintes.

A F3 tem de continuar sendo para a molecada.

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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