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E, então, Felipe Massa resolveu que vai parar.
Massa o faz na hora mais certa possível com uma consciência que poucos pilotos têm – só os grandes. Deixem de lado o eventual ranço que se tem de Felipe e, mais ainda, se não acharem que se trata de alguém grande.
É claro que Massa não foi o brasileiro que todos queriam para seus ouvidos chorassem temas musicais aos domingos. Felipe queria as vitórias, não a canção. Mas Felipe foi não só cobrado, como execrado, por ser mais um que, na visão do torcedor de sofá, falhou em conseguir um campeonato. A cada fim de semana de corrida, treino, classificação, os comentários vinham aos montes reclamando de suas limitações e, indo aos extremos, ofendendo seu moral. É aquela postura tipicamente nada cordial do povo destas bandas: acha que Massa lhe devia algo.
Felipe não recebeu um centavo de cofre público para representar o país nas pistas. Não teve apoio de confederação alguma. E quando quis pôr a mão na massa, com perdão do trocadilho, quiseram tanto se aproveitar dele que o negócio desandou. Felipe, pois, corre por ele.

E se trata de alguém grande porque muitos tantos esperariam até o fim da temporada desesperados para bater na porta de qualquer equipe com o pires na mão. Os grandes sabem parar. Os grandes entendem quando se deve virar a página.
Massa já tem 35 anos nas costas. Além disso, imagina se não pesa na cabeça de um atleta se preparar fisicamente, treinar, acertar, estudar telemetria, pimba, décimo lugar. Sim, tem o fato de que poderia ter sido, sei lá, sexto ou sétimo. Mas não iria além disso. Semana seguinte ou daqui 15 dias, carro não anda, anda ali entre nono e 11º. E aí você analisa o cenário.
Hoje, apenas dois pilotos podem ganhar corridas na F1. Com muito boa vontade, alinhamento das estrelas e, principalmente, cagada das Mercedes, outros quatro – destes, na temporada até agora, só um levou. Essa Williams que está aí, não precisa ir na cartomante ou na taróloga para prever, não vai fazer o carro dos sonhos no novo regulamento da F1. E a outra única opção, que seria a Renault, que se arrasta de amarelo com dois pilotos que vai descartar. Mas OK, é uma aposta. Massa precisa de aposta a esta altura da carreira?
(Felipe Massa em Sóchi, Rússia (Foto: Getty Images))

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Felipe não tem a mais porra-louquice de um Max Verstappen que sai zigue-zagueando na frente de quem quer que seja e sai peitando o mundo e já superou a fase de entrar em surto, como Daniil Kvyat, de questionar se o que está fazendo é, de fato, o melhor o que tem a dar. E olha para si, por que não, e vê que ele não é o Massa de 2008, tem um filho que cresce – e que dá trabalho; deve ser piloto – e tem outras metas na vida.
Massa deixa a F1 sem o título que merecia – e que, sim, há de lamentar até quando não for mais Massa –, mas sai por uma porta que se poucas vezes se movimenta, sobretudo para quem é brasileiro. E ele ainda vai registrar um recorde: nunca na história da F1 um piloto vai ter duas festas de despedida seguidas: novembro, em Interlagos, tudo vai estar ao seu redor, e que espetacular seria se a Williams fizesse um grande esforço de lhe entregar um carro em condições de lutar pelo pódio; em Abu Dhabi, será o adeus.
Depois, Felipe dá os braços à classe e à dignidade e recebe os aplausos não apenas por ter sido um piloto íntegro e combativo, mas por ser o Felipe que soube tratar cada um do mesmo jeito de quando entrou.
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