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Sete títulos mundiais de pilotos. Nove títulos de construtores. Um total de 114 vitórias e 128 poles em 687 GPs disputados. Esta é história de sucesso da equipe Williams na Fórmula 1. Mas estes são números frios, distantes. Não contam tudo. Justamente para revelar a história pouco conhecida, foi lançado o documentário ‘Williams’, uma produção da BBC Films dirigida por Morgan Matthews que chegou aos cinemas da Inglaterra em agosto e que, nos últimos dias, entrou no catálogo da Netflix no Brasil.

Mais do que a história de um time, ‘Williams’ é a história de uma família. Por meio de entrevistas com amigos, ex-pilotos, ex-funcionários, o próprio Frank Williams e integrantes da família, o longa-metragem remonta a origem difícil do fundador, começando pela época que ele comprava e revendia carros e peças usadas para custear, ainda no final dos anos 1960, a entrada na F1. Ao mesmo tempo, a história é intercalada com momentos da temporada 2015, já com a liderança de Claire Williams.

(Felipe Massa (Foto: Glenn Dunbar/Williams))

Frank Williams durante as entrevistas para o documentário

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Parte da história é contada por Virginia Williams, esposa do fundador, que morreu em 2013, vítima de um câncer. Conhecemos os detalhes por meio de fitas gravadas no final da década de 1980, durante o período no qual Ginny, como era conhecida, estava empenhada em escrever um livro de memórias sobre o marido, que depois seria chamado de ‘A Different Kind of Life’ (Um Tipo Diferente de Vida, em tradução literal).

Ao ler os parágrafos anteriores, este pode parecer mais um habitual documentário do gênero, elevando as glórias e esquecendo as derrotas. Nada disso. Este é um filme sobre a superação humana, sobre quem nunca desistiu mesmo ouvindo, lá na década de 1970, que seu time representava o fim de carreira para os pilotos que entrassem em seus carros. Ou que pedia dinheiro emprestado para a esposa com a desculpa de que iria comprar comida – e gastava tudo com velas para seus carros.

Tudo contado com muito coração e detalhes íntimos, daqueles que revelamos apenas aos mais próximos. 

Claire, a herdeira do legado iniciado pelos pais

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Nada é jogado para baixo do tapete. ‘Williams’ não ignora as piadas que Frank ouviu quando andava no fim do pelotão. Nem as dívidas que teve. Muito menos que ele se viu impedido de entrar em sua própria fábrica, após o empresário Walter Wolf se apossar da primeira equipe que teve. Pouco tempo depois, já como um novo time, a Williams estava vencendo corridas.

Frank e Ginny falam também sobre as mortes de Piers Courage e Ayrton Senna – “é minha responsabilidade, ele estava em um carro feito por nós”, diz o inglês em certo momento do documentário.

Outros pontos, tão doloridos quanto, são retratados. Entre eles, o grave acidente de carro que Frank sofreu no começo de 1986, enquanto faziam testes na França. Foi a batida que deixou o então chefe de equipe tetraplégico e lutando pela própria vida na UTI durante meses. Está tudo lá, nos mínimos detalhes, incluindo o esforço de Ginny pelo marido ao descontrole de Patrick Head, cofundador da Williams Grand Prix e responsável por chefiar o time na ausência do sócio. 

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Head não soube controlar os egos dos pilotos Nigel Mansell e Nelson Piquet durante toda aquela temporada. Enquanto Frank relata que o sócio não estava apto à tarefa, Piquet afirma com todas as letras que a Williams não honrou o acordo que ele tinha com o chefe e que a equipe favoreceu Mansell – o que é refutado pelos outros entrevistados, justamente porque ninguém gostava do piloto inglês… 

E se o próprio filme não se nega a falar dos problemas, então é necessário fazer o mesmo com a localização disponível na Netflix. Infelizmente, a legenda em português tem vários problemas, traduções erradas e demonstram uma falta total de conhecimento da tradutora – incluindo traduzir o nome da equipe Wolf para “O Lobo”, por exemplo.

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No geral, ‘Williams’ não é sobre as histórias de glória. O que vale, ali, é a história daquelas pessoas, sobre como elas ultrapassaram todas as dificuldades. Sobre Frank, Patrick, Ginny. Sobre irmãos que, hoje, não se dão mais tão bem. Sobre Claire, a primeira chefe mulher em um esporte dominado por homens – e como ela se irrita por perceber que, ainda, as pessoas se surpreendem ao ver uma mulher na posição na qual chegou. A vitória é reflexo da paixão e do esforço, e não o único caminho.

Não é por menos que a fase de ouro do time, com os títulos entre 1987 e 1997, se resume a cenas junto aos créditos. Foram sempre o final, nunca o meio. É algo que diz muito sobre o que é a Williams.

Ainda no começo do documentário – e nos trailers – Frank cita uma fala do filme ‘Top Gun: Ases Indomáveis’ para justificar uma vida nas pistas: “’Eu sinto a necessidade. A necessidade por velocidade’. Nunca me esqueci”. É por isso que ele e a Williams e os Williams são os últimos dos chamados garagistas na F1. 

Um legado que deve ser sempre aplaudido.

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