
Quatro títulos seguidos no Mundial de Pilotos e no de Construtores. Quando começou a temporada 2018, a Mercedes era, claro, a favorita para alcançar o quinto campeonato nessas duas disputas. Porém, depois de um salto de desempenho em 2017, parecia que finalmente as Flechas de Prata teriam um verdadeiro adversário na Fórmula 1 atual: a Ferrari.
O prognóstico não era sem motivo. Os italianos finalmente tiraram a vantagem dos alemães nas unidades de potência, conseguindo os mesmos (e até mais) cavalos que os adversários. O SF71H, evolução do modelo do ano passado, foi bem-nascido. Ainda que a Mercedes não tivesse se perdido no desenvolvimento do seu carro, a Ferrari soube fazer a lição de casa.
No cockpit, o carro vermelho trazia o único outro piloto que poderia fazer frente ao arrojo, técnica e experiência de Lewis Hamilton: Sebastian Vettel, tetracampeão. Com a vantagem de ter, no segundo carro, Kimi Räikkönen, seguramente melhor que Valtteri Bottas.
Estava tudo lá para a Scuderia finalmente encerrar um jejum que vem desde 2007 – ou, ao menos, chegar próximo do título, certo? Bom, após 19 etapas do início do mundial 2018, estamos aqui, com mais um campeonato para Hamilton e para as Flechas de Prata.
O que será que deu errado?
(Divulgação/Ferrari)


Nada que fosse irrecuperável. Vettel manteve a consistência e, após a vitória no Canadá, a sétima etapa da temporada, ele reconquistou a dianteira por um ponto – 121 a 120.
No entanto, o segundo erro capital do ano veio em seguida, no GP da França. Não era uma pista para os vermelhos, mas, ao pressionar Bottas na largada, Vettel se envolveu mais uma vez em confusão, perdendo pedaços da asa e tempo. Acabou apenas com um quinto lugar ao final da corrida – e vendo Lewis reassumir a liderança do mundial.
A sorte ainda voltou a sorrir para a Ferrari: Hamilton teve um raro a abandono na Áustria, GP vencido por Max Verstappen, e Vettel retomou a ponta do campeonato. Com a vitória na Inglaterra, Sebastian tinha tudo para ampliar a liderança nas corridas seguintes, que favoreciam o time italiano.
(F1 2018; GP DA BÉLGICA; SPA-FRANCORCHAMPS; SEBASTIAN VETTEL; FERRARI)


O #5 voltaria a ser o primeiro na Bélgica, algo que tinha tudo para se repetir na Itália. Em Monza a pole foi de Räikkönen, mas as atenções estavam no segundo e terceiro lugares do grid, respectivamente Vettel e Hamilton. Logo após a largada, na primeira volta, os dois se tocaram e sobrou para o alemão, que não deu espaço para o adversário, ficou ao contrário na pista e perdeu várias posições.
O tetracampeão fez uma corrida de recuperação, mas o máximo que conseguiu foi um quarto lugar. Para piorar, Lewis correu como nunca naquele dia, tendo uma épica disputa com Kimi e vencendo a prova.
Naquela altura o inglês tinha 30 pontos de vantagem na ponta. Foi aí que começou a melhor fase dele no ano: foram mais três vitórias seguidas, em Singapura, Rússia e Japão. Enquanto isso, os italianos batiam cabeça.
Em Singapura, o próprio Vettel admitiu que poderia ser segundo em um GP que chegou a liderar, mas perdeu espaço quando a Ferrari optou por pneus ultramacios no primeiro pit stop contra os macios dos outros ponteiros. Acabou em terceiro.


Resultado: Räikkönen fez apenas o quarto tempo, enquanto Vettel errou, saiu da pista e amargou um nono lugar no grid.
Já na corrida, quando fazia uma desesperada recuperação, o alemão forçou uma ultrapassagem em Max Verstappen. Os dois se tocaram, com o alemão ficando mais uma vez com a pior. Resultado final do GP: apenas um sexto lugar, muito pouco para quem lutava pelo título.
Quando a Fórmula 1 chegou aos EUA a fatura estava quase liquidada. Ainda assim, Mercedes e Ferrari tinham o ritmo parecido e Sebastian conseguiu o segundo lugar no Q3, atrás apenas de Lewis. Porém, o alemão foi penalizado por excesso de velocidade sob bandeira vermelha no primeiro treino livre e perdeu três posições. Na corrida, uma péssima largada e um toque com Daniel Ricciardo logo na primeira volta decretaram o desastre para o #5, que terminou o GP apenas em quarto. Hamilton foi terceiro é verdade, mas a vitória de Kimi mostrou que o alemão poderia sonhar com algo mais naquele domingo.
E aí chegamos no GP do México. Com o grande desempenho da Red Bull no Autódromo Hermanos Rodriguez, Vettel fez o máximo que poderia conseguir: foi segundo. Não era o suficiente para manter a briga do campeonato e, com um quarto lugar, Lewis Hamilton foi campeão.


A decisão poderia vir, de forma emocionante, aqui para Interlagos, no GP do Brasil, ou até mesmo em Abu Dhabi.
Bom, se tem uma coisa que não existe na vida é o “e se…”. Fatos passados são inalteráveis e temos, todos nós, que aprender com as escolhas erradas que fizemos para que elas não se repitam. Se 2018 já praticamente se encerrou, ficam as lições para que a Ferrari tenha melhor sorte na próxima temporada. Resta saber qual será o impacto da saída de Kimi Räikkönen e a entrada de Charles Leclerc nessa equação. Será que o monegasco se contentará, ao menos no começo, com a função de escudeiro, ou tentará superar o companheiro de equipe?
Tal atitude poderia ser desastrosa, pois, do outro lado, a Mercedes inteira corre por apenas um piloto… E o hexa poderia ficar mais próximo do que qualquer um imagina.
(F1 2018; GP DA FRANÇA, PAUL RICARD; LEWIS HAMILTON; SEBASTIAN VETTEL; AFP)
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