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Já se foi o tempo em que as 24 Horas de Le Mans eram uma corrida de durabilidade dos equipamentos, de resistência, de endurance. O que se viu entre as 10h (de Brasília) de sábado e domingo foi praticamente um sprint de 24 horas entre Toyota, Porsche e, até a 19ª hora, Audi em busca da vitória. E quem se saiu melhor nesta batalha foi a marca japonesa, que enfim deixou para atrás uma série de dolorosas derrotas para comemorar a primeira vitória em Sarthe.

O trio de pilotos que conduziu a Toyota à glória já passou pela F1, mas hoje registra seu nome na história do esporte nas provas de longa duração: o japonês Kazuki Nakajima, filho de Satoru, o inglês Anthony Davidson e o suíço Sébastien Buemi. Os dois últimos se consagram de vez na modalidade, colocando este troféu ao lado do título conquistado no Mundial de Endurance em 2014.

A Toyota é somente a segunda montadora nipônica a ganhar na classiicação geral. A outra foi a Mazda, há 25 anos. E coube a Nakajima, protegido de longa data da empresa, a honra de tocar o TS050 até a bandeirada.

De certo modo, essa 84ª edição foi atípica. Não aconteceram graves acidentes. Reviravoltas dramáticas na briga pelo primeiro lugar devido a problemas mecânicos, daquelas que costumam ser memoráveis em Le Mans, também não: elas deixavam bem claro que era o fim das esperanças. Assim caíram fora o Audi #7 e o Porsche #1, ainda na primeira metade. Na 19ª hora, o Audi #8, do brasileiro Lucas Di Grassi. Pouco mais tarde, o #6 da Toyota, que liderou boa parte da disputa. Sobraram os conjuntos de Nakajima/Buemi/Davidson e Marc Lieb/Romain Dumas/Neel Jani.

O que impressionava era sempre o equilíbrio: os três primeiros estiveram quase que o tempo todo separado por menos de um minuto. Quando a marca de sete horas para o final foi alcançada, os três apareciam na mesma imagem com uma diferença de menos de dois segundos.

Por isso que pareceu uma prova ‘sprint’: Toyota e Porsche sabiam que não podiam aliviar pensando em poupar o equipamento. E assim essa prova provavelmente vai entrar para a história como um dos ‘clássicos’ de Le Mans. Claro, a disputa tão parelha quanto na GTE Pro colabora para tal status, com Ferrari e Ford voltando no túnel do tempo e revivendo a rivalidade da década de 1960. 50 anos depois da estreia com vitória, a Ford fez a festa de novo.

Para a Toyota, que tem um orçamento muito menor que as suas adversárias diretas, pretendia introduzir o TS050 só em 2017. Os planos foram modificados depois que o carro de 2015 ficou muito abaixo do esperado e foi mero coadjuvante em Le Mans e no Mundial de Endurance. A mudança no bólido e nos conceitos, como trocar o supercapacitor por baterias de lítio no ERS, rendeu o resultado que a marca há tempos sonhava. Claro, ganhar o WEC em 2014 foi um grande feito, mas, depois disso, o objetivo era ganhar Le Mans. Na quinta tentativa desde o retorno à modalidade, essa vitória veio.

 

O que realmente aconteceu

Nakajima e a Toyota estão juntos há mais de uma década. Hoje seria o grande dia deles (Kazuki Nakajima (Foto: Getty Images))