Ainda antes das vitórias de Charles Leclerc no GP da Itália e de Sebastian Vettel no GP de Singapura, os tifosi já se encontravam em festa. E não era só por que a Ferrari começava a fazer as pazes com o lugar mais alto do pódio na Fórmula 1. No início deste mês de setembro, Monza anunciou a sua renovação de contrato, e outras duas pistas confirmaram o interesse em aproveitar a expansão de corridas no calendário da Liberty Media: Ímola e Mugello.

Com direito a assinatura de contrato ao vivo, diante de uma multidão vermelha na Piazza del Duomo, em Milão, a menos de 30 km do autódromo, as partes confirmaram a corrida até pelos menos 2024 — o lendário circuito completa um século de existência em 2022. O evento também fez parte das comemorações dos 90 anos da Ferrari e, claro, renovou a paixão do italiano pelo automobilismo.

“É como vencer uma corrida de Fórmula 1”, afirmou o presidente do Automóvel Clube da Itália, Angelo Sticchi Damiani. “Foi um ótimo desfecho para a ACI, para Monza, para a região da Lombardia e o esporte italiano em geral. O feito abre uma perspectiva para construir um futuro que se iguala ao passado lendário que tornou Monza a capital do esporte a motor”, completou o dirigente, ao lado do chefão da F1, Chase Carey.

Vettel e Leclerc levaram os tifosi à loucura na Piazza del Duomo, em Milão, antes do GP da Itália (Divulgação/Ferrari)

Mas a ideia dos italianos não para por aí. O calendário preliminar de 2020 foi anunciado com 22 provas, uma a mais que esse ano, com a saída do GP da Alemanha e as entradas do GPs da Holanda e do Vietnã. O primeiro deles é mais fácil de explicar já que a categoria esteve em diferentes épocas na estreita pista de Zandvoort (30 edições oficiais), além do país ter sensação Max Verstappen e sua legião laranja de fãs. Já a ida para as ruas de Hanói pode ser entendida como uma corrida para explorar o turismo na região — como já foi feito com Singapura e, mais recentemente, com Azerbaijão — com uma corrida de F1 quase como pano de fundo.

Não é propriamente sob esse aspecto turístico que Ímola e Mugello falam em abrigar uma corrida nos próximos anos mesmo levando em conta os milhões de euros injetados na economia local. Apesar de ser lembrado como o circuito em que morreu Ayrton Senna (e Roland Ratzenberger) em 1994, o local recebeu 26 edições do GP de San Marino, de 1981 a 2006, e, mesmo depois das reformas, permaneceu muito rápido e técnico. Outras tantas obras, claro, ainda precisam ser feitas na pista que hoje tem o Mundial de SuperBike como a principal atividade.

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“Sempre se precisa fazer alguma coisa por aqui. Hoje Ímola é um autódromo seguro e confortável e não deve nada a outros tantos autódromos. Queremos retomar o caminho dos grandes eventos. Abrigar a F1 é difícil, mas com os recursos econômicos necessários é possível fazer”, disse ao GRANDE PREMIUM Roberto Marazzi, diretor-geral do autódromo.

Circuito de Ímola recebeu o GP de San Marino de Fórmula 1 de 1981 a 2006 (Reprodução/Instagram/@autodromoimola)

Atualmente, o circuito conta com a homologação dada por Charlie Whiting, que morreu no início deste ano, para receber não apenas testes, como também corridas da categoria. Pelo o que se conta no paddock em constantes obras feitas pela conhecida empresa Dromo, em 2017, a opção como GP da Europa foi barrada muito mais por dificuldades com relação à logística de transporte e a ausência de uma eficiente rede hoteleira. Bolonha, a aproximadamente uma hora e meia de carro, seria o local mais indicado para receber o público esperado. Nem em tão menor escala logística assim, a MotoGP corre na vizinha Misano, em Riviera di Rimini, também sob a bandeira de GP de San Marino.

A experiência da MotoGP é levada em conta também em Mugello. Palco de uma das etapas das mais clássicas das motos, com provas initerruptamente desde 1994, o autódromo foi colocado no radar para receber uma corrida da F1 em menos tempo do que poderia se esperar. O local sofreria dos mesmos problemas de infraestrutura que San Marino e teria de contar, por exemplo, com as facilidades de Florença, a menos de uma hora de carro, para receber não apenas os fãs como toda a bagagem de um grande evento.

Em termos de pista, o local é uma das casas da Ferrari para testes e tem lá a sua infraestrutura, também com curvas interessantes e retas convincentes. A própria escuderia italiana bancou reformas no autódromo, sobretudo no que diz respeito à segurança da pista e pessoal que trabalha nas corridas. O diretor do circuito, Paolo Poli, no entanto, foi menos otimista com a ida da principal categoria do automobilismo para lá.

Clássico circuito de Mugello recebe provas da MotoGP initerruptamente desde 1994 (Divulgação/Mugello Circuit)

“O primeiro objetivo será renovar o acordo coma MotoGP. Depois, em cinco anos, também pensaremos em apresentar uma solicitação para levar a Fórmula 1 à Toscana. Serão necessárias associações de nível nacional, como foi feito em Monza, para firmar o acordo”, disse Poli à agência italiana Ansa.

Ainda nessa entrevista, Poli revelou um estudo que aponta que as atividades de pista renderam 130 milhões de euros (aproximadamente R$ 600 milhões) à economia local em 2017. Daí mais um interesse em fazer o possível para receber também a F1.

Para quem acha muito dois ou até três GPs na Itália, o diretor-geral de Ímola tem a resposta:

“A MotoGP tem quatro corridas na Espanha. Por que não podemos ter mais de uma na Itália?”, diverte-se Marazzi.

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