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A F1 não está apenas com novos donos. Estamos vendo a passagem do bastão para uma nova geração. Os caras que vamos acompanhar pelos próximos dez anos já estão no grid — ou estarão a partir de 2017.
O ponto é: há bons personagens que, se forem bem aproveitados, poderão reverter a queda na popularidade da categoria, algo parecido com o que ocorreu na MotoGP nos últimos anos.
E o mais importante: após um período em que pilotos pagantes tiraram a oportunidade de jovens mais promissores, vamos voltando a ter um grid extremamente talentoso de cabo a rabo.
Hoje, a F1 possui três “grupos” de pilotos. Há os veteranos que estão na categoria desde o início dos anos 2000; uma “geração do meio”, com os que chegaram no final da década passada e já foram campeões e os que estão na categoria há alguns anos, mostram talento, mas ainda não foram capazes de brigar por título; e a talentosa molecada.
Este primeiro grupo é o que está indo embora. Massa, 35 anos, vai parar no fim deste ano. Button, 36, tirará um ano sabático em 2017. Sobram Fernando Alonso, 35, e Kimi Räikkönen, que completa 37 no mês que vem. Seus contratos se encerram ao final da próxima temporada.
Campeão mundial, Button anunciou apenas um ano sabático, mas é bem possível que ele se despeça da F1 no fim deste ano (Jenson Button (Foto: McLaren))
A geração do meio tem Lewis Hamilton, 31, e Sebastian Vettel, 29, como os principais nomes, os nomes já consagrados. Ambos estão em suas décimas temporadas no Mundial, e ainda têm muita lenha para queimar — chutando baixo, cinco anos. Nico Rosberg, piloto da Mercedes até pelo menos 2018, tem 31.
Completam este grupo Daniel Ricciardo, 27, Nico Hülkenberg, 29, Sergio Pérez, 26, Valtteri Bottas, 26, e Romain Grosjean, 30. Ricciardo já venceu três vezes. Pérez, Bottas e Grosjean foram a pódios. Hülkenberg não faturou troféus na F1, mas ganhou as 24 Horas de Le Mans. Todos eles representam países importantes para a F1, seja pela tradição, seja pelo público que pode ser convertido em mercado-consumidor. São caras que podem continuar aí por um bom tempo. Alguns destes estrearam muito jovens e possivelmente quebrarão recordes de longevidade — Rubens Barrichello não será o recordista para sempre.
E então chegamos a um grupo que promete ter pelo menos dez anos de F1. Claro, é muito difícil que todos estes consigam ficar na categoria a longo prazo. Há mais coisas envolvidas que apenas o talento — e às vezes este talento desaparece, como vem acontecendo com Daniil Kvyat. Todavia, que são grandes promessas, não há como discordar.

Max Verstappen, 18 anos, já é realidade. Tornou-se neste ano o mais jovem vencedor de todos os tempos. Pascal Wehrlein, 21, foi em 2015 o mais jovem campeão da história do DTM, e já vem fazendo grandes apresentações com a Manor. Carlos Sainz, 22, às vezes parece ofuscado por Verstappen, mas conseguia brigar de igual para igual com o holandês na Toro Rosso e continua fazendo um bom trabalho. Faz por merecer uma chance em um time grande. Esteban Ocon, 19, acabou de chegar tendo no currículo os títulos da F3 Europeia e da GP3. Stoffel Vandoorne, 24, terá sua oportunidade definitiva em 2017, mas já fez sua estreia no Bahrein neste ano e marcou um ponto.
Podemos completar a lista com dois pilotos que não vivem um 2016 brilhante, mas que ao menos para mim passam a impressão de que podem vingar no longo prazo: Felipe Nasr, 24, e Kevin Magnussen, 23.
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Não, não vai ser fácil para Nasr ficar na F1. Contudo, sem Massa, ele passará a ser por algum tempo a única opção viável para se manter no grid a bandeira de um país que tem 200 milhões de habitantes — o país mais populoso em que a F1 é popular. E, convenhamos, Nasr é capaz. É piloto de F1 — se vai se tornar vencedor ou campeão, é outra história.
Estamos falando de 15 ótimos pilotos que vamos observar por um bom tempo. As duas últimas temporadas começaram com as menores médias de idade da história, na casa dos 26 anos e nove meses. Esse número deve baixar ainda mais em 2016. Serão pilotos com estilos de trabalho e com personalidades bem diferentes. Piloto para todos os gostos.
Do popstar Hamilton ao perfeccionista Vettel. Do simpático Ricciardo ao marrento e por vezes arrogante Verstappen. O rápido Grosjean. Os cerebrais Hülkenberg e Nasr. O próximo “Homem de Gelo” em Bottas. O constante Sainz. Os promissores e consagrados Ocon, Wehrlein e Vandoorne.
Chegando das categorias de base, Pierre Gasly e Alex Lynn são dois que chamam a atenção. Lance Stroll está sendo ligado à Williams, mas até agora não parece ser grande coisa.

Se por um lado tem circulado mais dinheiro do que nunca pelo paddock, por outro, a F1 tem pecado ao se promover. As TVs responsáveis pela transmissão, em diversos países, também não tem colaborado, salvo algumas exceções. Hoje, já há figuras boas e que seriam capazes de chamar audiência para a categoria. De qualquer forma, essa será uma nova oportunidade, coincidindo com a chegada dos novos donos — a Liberty Media, de John C. Malone.
Igualmente importante nesta missão será a competitividade entre as equipes, permitindo caras diferentes no pódio a cada 15 dias. Só que o material humano está aí. Basta saber mostrar esse produto de forma atraente para os fãs.
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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.