Nico Rosberg e Lewis Hamilton se tornaram os dois grandes protagonistas da F1 nas últimas três temporadas e estão novamente disputando ponto a ponto o campeonato deste ano. Até agora, o inglês sempre levou a melhor, conquistando dois títulos em cima do colega alemão. Mas Nico ainda insiste em querer uma taça para chamar de sua, e a trajetória da maior das categorias tem exemplos épicos e que podem inspirar o filho de Keke nesta fase decisiva da temporada 2016. Especialmente agora que Rosberg retomou a liderança na classificação, depois de uma corrida brilhante em Cingapura.
Ao longo de seus mais de 60 anos, a F1 acumulou histórias de reviradas no campeonato que foram acompanhadas de título. E o próprio companheiro de Mercedes já provou que é possível – duas vezes. Por isso, GRANDE PREMIUM lista aqui as dez reviradas mais recentes do Mundial.
_O.jpg)
Alan Jones virou o jogo contra Nelson Piquet em 1980 (Alan Jones em 1980 (Foto: Williams))
10. 1980 | ALAN JONES X NELSON PIQUET
Alan Jones iniciou a temporada de 1980 da F1 vencendo logo na primeira etapa, o GP da Argentina. E comandou a tabela por mais um GP, no Brasil, mas aí viu o francês René Arnoux lhe tirar a liderança na terceira prova daquele ano, na África do Sul, depois de duas vitórias em sequência. Parecia ali que o campeonato seria disputado entre os dois anos. Mas Nelson Piquet logo entrou na briga. Na sexta corrida, em Mônaco, o brasileiro assumiu a ponta que estava nas mãos de Arnoux. Só que Jones reapareceu com dois triunfos, na França e na Inglaterra, na sequência e retomou o primeiro lugar. Piquet, então, se colocou como principal rival e foi disputando ponto a ponto o campeonato com o australiano. Nelson chegou a assumir a ponta na antepenúltima etapa, mas Jones a retomou na reta final do campeonato, garantindo assim seu primeiro e único título na F1. E o primeiro da equipe Williams.

9. 1981 | NELSON PIQUET x CARLOS REUTEMANN
Depois de ter perdido o campeonato para Alan Jones na temporada anterior, Nelson Piquet retornou ainda mais competitivo no ano seguinte. Ainda defendendo as cores da Brabham, o brasileiro protagonizou uma intensa batalha com Carlos Reutemann. O argentino, na verdade, iniciou o ano melhor, assumindo a liderança na tabela de pontos logo na segunda etapa, depois da vitória justamente no GP do Brasil. Piquet levou duas provas para se colocar como forte candidato ao título e logo começou a fazer pressão no rival. Mas a ponta do campeonato só veio mesmo na 12ª corrida daquela temporada, na Holanda. Mas durou apenas uma prova. Na seguinte, em Monza, Reutemann voltou a liderar. A revirada de Piquet se deu na corrida decisiva e final, em Las Vegas. Nelson precisava apenas chegar na frente do adversário, que largava da pole. Mas Carlos não conseguiu impor um bom ritmo na corrida e acabou fora da zona de pontos, em oitavo. Piquet chegou em quinto na vitória de Jones. Foi o suficiente para o carioca celebrar seu primeiro título mundial. A diferença na ponta da tabela ficou em apenas 1 ponto.

O segundo título de Nelson Piquet também veio depois de uma reviravolta no campeonato. Mas, desta vez, a batalha do brasileiro foi contra Alain Prost. Naquele ano, Piquet iniciou a temporada vencendo logo de cara, em Jacarepaguá. E foi comandando a tabela até a quinta etapa, em Mônaco. A partir da Bélgica, Prost tomou a frente com uma vitória e por lá permaneceu até antes da última corrida do ano, sempre com Nelson no encalço. Mas aí, na prova derradeira, Piquet e a Brabham adotaram uma estratégia inteligente e se mantiveram à frente, enquanto a Renault deixou o francês na mão por conta de uma falha de motor. O brasileiro foi ao pódio e lá comemorou o bicampeonato. A diferença para Prost no fim ficou em somente dois pontos.
(Nelson Piquet 1983 (Foto: Dempsey Warren/Forix))
_O.jpg)
7. 1986 | ALAIN PROST X NIGEL MANSELL X NELSON PIQUET
Sabe aquela famosa foto tirada em uma mureta da pista de Estoril e que tinha Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet? Pois é, aquele retrato foi clicado exatamente na temporada de 1986, uma das mais disputadas e celebradas da história da F1. Isso porque até perto do fim os quatro estavam na luta pelo título. A abertura do campeonato aconteceu em Jacarepaguá e viu uma dobradinha brasileira com Piquet à frente de Senna. Por isso, o carioca, agora defendendo a inglesa Williams após sete anos de Brabham, iniciou a temporada na liderança. Mas Ayrton tomou a ponta logo na seguinte, ao vencer na Espanha. A liderança do então piloto da Lotus durou até o GP de Mônaco, quando Alain Prost levou a corrida nas ruas do Principado e assumiu a ponta.
Nas etapas seguintes, Senna e Prost foram se revezando na primeira colocação da tabela, até Mansell decidiu entrar na brincadeira. O inglês, colega de equipe de Nelson, se tornou líder na nona corrida do ano, depois de triunfar em casa, no GP da Inglaterra. A partir daí o 'Leão' comandou a classificação, assumindo também a condição de favorito ao título. Prost, Piquet e Senna o acompanhavam de perto e também eram candidatos à taça.
Na verdade, Ayrton deixou a briga após uma pane seca que o relegou ao quarto posto em Portugal, antepenúltima prova do calendário. Aí apenas o trio tinha chances. Na corrida derradeira, na australiana Adelaide, Mansell precisava somente de uma quinta colocação. Mas o destino foi cruel com o britânico e muito generoso com Prost em uma decisão inacreditável. Todos os três se viram em condição de título em algum momento da prova, mas furos de pneus e um pit-stop extra interferiram no caminho dos três. No fim, o campeonato acabou mesmo nas mãos de Prost, que ganhou a corrida e festejou seu segundo Mundial. Piquet foi segundo, enquanto Mansell nem completou.

A temporada de 1988 da F1 é até hoje conhecida como ano em que a F1 testemunhou o nascimento da maior rivalidade entre dois pilotos de sua história. E dois companheiros de equipe. Naquele ano, Ayrton Senna trocou a Lotus pela poderosa McLaren, que tinha no outro lado garagem o então bicampeão Alain Prost. Além disso, o time também havia trazido os fortes motores Honda, o que tornou a esquadra quase imbatível. Tanto é assim que das 16 corridas daquela temporada, a McLaren venceu 15. E o embate entre Senna e Prost foi duro e com direito a virada do brasileiro.
(Ayrton Senna 1988 (Foto: Forix/LAT))
O campeonato começou com a liderança de Prost. O francês abriu o ano com uma vitória categórica em Jacarepaguá, enquanto Ayrton foi desclassificado. Seguindo como líder, Alain também teve de lidar com a aproximação de Senna, que vinha ferozmente recuperando terreno até emendar três vitórias seguidas no início da segunda fase da temporada. Foi na Hungria que o brasileiro assumiu a liderança pela primeira vez. Mas aí o abandono em Monza e o triunfo de Prost em Portugal provocaram a perda do primeiro lugar para o colega de equipe e rival. O gaulês chegou ao Japão na ponta e precisava vencer para impedir o título de Senna. Não deu. O brasileiro deu show depois de largar muito mal da pole, virou o jogo e conquistou finalmente seu primeiro título na F1.
_O.jpg)
5. 1997 | JAQUES VILLENEUVE X MICHAEL SCHUMACHER
1997 acompanhou uma dura batalha entre Jacques Villeneuve, da Williams, e Michael Schumacher, que tentava encerrar um jejum de títulos que já durava 18 anos. O jovem canadense vinha apenas em sua segunda temporada na F1, mas, contando com o melhor carro do grid, logo foi alçado à condição de favorito. Mas Schumacher se mostrou um rival forte e astuto. O fato é que Jacques se tornou líder do Mundial a partir da terceira etapa, depois emendar duas vitórias seguidas, no Brasil e Argentina. E isso foi até a quinta prova, em Mônaco, onde o então ferrarista venceu e assumiu a ponta. Villeneuve recuperou a liderança na etapa seguinte, na Espanha, mas foi de novo superado por Schumacher, que venceu no Canadá.
A partir de então, o alemão foi comandando o campeonato, chegando a abrir mais dez pontos do filho de Gilles em dado momento. Sem jogar a toalha, o piloto da Williams foi capaz de reagir na fase final ao vencer duas vezes, em Zeltweg e em Nürburbring, mas Michael lhe tomou a primeira colocação na penúltima prova, ao ganhar em Suzuka. E aí os dois chegaram para a corrida derradeira, em Jerez de la Frontera, com apenas um ponto de diferença. Na classificação, ainda fizeram o mesmíssimo tempo, o emblemático 1min21s072, mas Villeneuve levou vantagem por ter assinalado antes e conquistou assim a chance de largar da pole. A prova foi outra história.
Schumacher se saiu melhor nas duas primeiras partes da corrida e manteve Jacques atrás, mas, depois do segundo pit-stop de ambos, o canadense voltou mais forte e foi capaz de encostar na Ferrari. Aí veio a manobra que condenou Michael. O jovem jogo o carro por dentro da Dry Sack e, quando Schumacher tentou fechar a porta, já era tarde, mas colisão foi inevitável. Ruim para o ferrarista, que foi parar na brita. Melhor para Jacques, que ficou na pista e conquistou seu primeiro e único título na F1.

Michael Schumacher seguia com sua cruzada para tentar tirar a Ferrari do jejum de títulos, mas um acidente em Silverstone o impediu de disputar o título daquele ano. Assim, coube o colega Eddie Irvine a missão de tentar a taça. E o irlandês iniciou a temporada de maneira forte, vencendo na Austrália. Eddie se manteve na ponta até a terceira etapa, quando Schumacher retomou a forma depois de um começo difícil, venceu e assumiu a posição de líder. Só Michael sustentou o primeiro por três etapas. Isso porque Häkkinen obteve duas vitórias em sequência, em Barcelona e no Canadá, e virou o ponteiro da tabela na sexta etapa. A liderança durou mais quatro provas.
(Mika Hakkinen Malásia 1999 (Foto: McLaren))
Enquanto Schumacher já era a ausência depois de fraturar a perna na Inglaterra, Irvine foi ganhando espaço e saltou para a ponta na décima corrida daquele ano, depois de triunfar na Áustria e na Alemanha. Mas o finlandês da McLaren reagiu rápido e retomou a frente. Isso durou até a penúltima corrida, quando Irvine venceu na Malásia. Aí, separados por quatro pontos, os dois foram decidir a taça em Suzuka. Só Häkkinen não deu chance, venceu a corrida, enquanto Irvine foi só o terceiro colocado. A prova japonesa consagrou Mika bicampeão de F1.

3. 2006 | FERNANDO ALONSO X MICHAEL SCHUMACHER
A temporada de 2006 testemunhou um embate acirrado entre Fernando Alonso e Michael Schumacher, além da primeira aposentadoria do alemão da F1. A verdade é o espanhol da Renault iniciou aquele campeonato muito forte, depois da conquista do título no ano anterior. Com uma regularidade impressionante, o asturiano venceu seis das primeiras nove etapas da temporada e foi segundo em outras três provas, garantindo uma liderança sólida na primeira fase do calendário. Só que Schumacher o acompanhou de perto, chegando um incrível empate em número de pontos no GP da China, depois de uma vitória. Só a primeira colocação ficou apenas uma etapa nas mãos do alemão.
No Japão, o heptacampeão estava na liderança da prova quando foi traído pelo motor da Ferrari. O abandono e o triunfo do rival o rebaixaram. Na corrida derradeira, Schumacher protagonizou uma linda prova de recuperação, mas não conseguiu impedir o segundo título do jovem espanhol.

2. 2007 | KIMI RÄIKKÖNEN X LEWIS HAMILTON X FERNANDO ALONSO
A verdade é Kimi Räikkönen venceu seu primeiro e único título na F1 na perseverança e pregando a regularidade. O finlandês da Ferrari sequer figurava entre os grandes favoritos, porque as estrelas daquele campeonato se chamavam Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Era a temporada de estreia do inglês na F1. O pupilo da McLaren chegou chegando e assombrou o mundo ao enfrentar de igual para igual o bicampeão Fernando Alonso. A rivalidade entre os dois foi taõ severa que provocou a saída de Alonso da equipe no fim do ano.
Só que Räikkönen vinha totalmente alheio aos conflitos da ex-equipe e foi levando o campeonato de uma maneira que só ele poderia fazer. A verdade é que o finlandês iniciou o na liderança, porque venceu a primeira corrida, na Austrália. Mas depois a primeira colocação foi passando pelas mãos de Alonso e de Hamilton – o inglês, na realidade, liderou grande parte daquela temporada e chegou na frente também no dia da decisão, em Interlagos.
O ferrarista, por outro lado, vinha marcando pontos importantes e havia vencido as duas provas anteriores, mantendo suas chances ainda vivas. Ele era o terceiro quando desembarcou no Brasil. Mas uma corrida atrapalha de Hamilton e uma falta de ritmo de Alonso, além de uma pequena intervenção da Ferrari, ajudaram Räikkönen a vencer e celebrar o campeonato. Este ainda é o último título de Pilotos da Ferrari na F1.

2014 | LEWIS HAMILTON X NICO ROSBERG
Diante de uma mudança radical no regulamento técnico, a F1 criou enorme expectativa para a temporada 2014. Mas quando ela realmente começou a Mercedes assombrou o mundo com um carro rápido e quase imbatível. O título dificilmente sairia das mãos de seus dois pilotos, e Lewis Hamilton largou como grande favorito. Só Nico Rosberg não era carta fora do baralho e a política de igualdade de condições da equipe prata apenas apimentou o campeonato de um time só. O alemão o Mundial vencendo em Melbourne e foi se mantendo na frente, apesar das vitórias seguidas de Hamilton. Tamanha a regularidade de Nico que o inglês só conseguiu tomar a ponta em Barcelona, depois de mais um triunfo.
Mas Rosberg foi esperto na prova seguinte, em Mônaco, e freio a sequência de vitórias do rival, recuperando, assim, o primeiro posto. Hamilton não desistiu, claro. E foi a luta, só que, ainda assim, Nico permanecia na ponta, e isso durou até o GP de Cingapura, em setembro.
A partir da vitória na corrida noturna Lewis não parou mais e voltou a liderar. Rosberg seguiu o britânico, venceu a penúltima prova da temporada, em Interlagos, e levou a disputa do título para Abu Dhabi. Mas nem mesmo a pontuação dobrada ajudou o alemão, que viu a consagração do britânico, que se tornava assim bicampeão.