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O que é a Colômbia senão apenas mais um dos 12 países que compõem a América do Sul? Um país que, assim como seus vizinhos, tem uma quantidade anormal de problemas históricos, não resolvidos, e que você provavelmente associa ao tráfico de drogas, Pablo Escobar, Shakira e James Rodríguez. Existe, porém, um lado da nação libertada por Simon Bolívar que acaba sendo ignorado no meio disso tudo: o país está virando uma potência na Indy.
Juan Pablo Montoya, Carlos Muñoz, Gabby Chaves, Sebastián Saavedra e Carlos Huertas. Todos colombianos com passagem na Indy em 2015, temporária ou permanente. Você certamente já ouviu falar em Montoya, maior piloto da história do país, mas talvez nunca tenha dado a devida atenção aos demais nomes. Muñoz já desponta como um dos nomes do futuro da categoria, enquanto Chaves ganhava o Rookie of the Year. Saaverdra e Huertas são bons? Não. Mas três de cinco parece um bom aproveitamento.
A nova fase colombiana é única entre países sul-americanos. O Brasil, único outro país do continente com pilotos regulares na Indy, está longe de contar com jovens na categoria. Hélio Castroneves e Tony Kanaan são, há anos, os únicos responsáveis por erguer a bandeira verde e amarela em solo americano.
Aí vem a pergunta: qual o motivo para isso acontecer? Nada acontece por acaso, diria o outro. Questões financeiras, proximidade cultural, o boom causado por Montoya na época da F1. O bom momento do país na Indy pode ser qualquer coisa, menos uma obra do destino.

Depois de anos sozinho, Montoya passou a ter compatriotas na Indy (Generated by IJG JPEG Library)
Uma análise sobre o assunto não poderia começar de outro jeito: falando sobre dinheiro. Como se sabe, os gastos exacerbantes com uma carreira na F1 estão afetando cada vez mais aqueles que não têm um patrocínio forte, ou apoio de uma equipe. Em teoria, esta limitação deveria afetar todos os países uniformemente, mas não é bem assim: é muito mais fácil arranjar um patrocinador disposto a investir em automobilismo na Inglaterra do que na Colômbia, por exemplo. Quantas empresas colombianas são realmente grandes a ponto de injetar dinheiro em jovens talentos, afinal?
Sem o suporte necessário, os pilotos colombianos resolvem desbravar o mundo apenas com a cara e a coragem. Os que dão certo, como Muñoz e Chaves, só aparecem com patrocínios americanos, ou adesivos com o nome de suas próprias equipes. Mesmo Montoya, com fama e reconhecimento, não traz dinheiro colombiano para a Penske.
E isso é um problema sério. Chaves, por exemplo, perdeu a vaga na Bryan Herta e, salvo alguma contratação no meio da temporada, estará fora da Indy em 2016. Quem tomou seu espaço foi Alexander Rossi, que conseguiu a proeza de atrair patrocinadores americanos para a F1 e certamente fará o mesmo em seu novo certame.
Se até na Indy as coisas estão ruins, o que esperar de um latino tentando desbravar a complicada rota para chegar à F1? Se o Brasil, país sul-americano com mais tradição em automobilismo, não consegue emplacar alguém em uma GP2 ou GP3 da vida, o que esperar de uma nação que só foi ter um representante digno no cenário internacional há 15 anos?

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Na Colômbia, você não vai encontrar pessoas na rua casualmente falando sobre F1 ou automobilismo em geral – assim como no Brasil, verdade seja dita. O sucesso do país no exterior está longe de significar popularidade entre os nativos. Conversas com três pessoas de Bogotá servem para exemplificar isso. Feita a pergunta ‘o automobilismo é popular na Colômbia?’, duas responderam ‘não’. Uma terceira respondeu ‘já foi’: a transição de Montoya da F1 para a Nascar foi citada como motivo para o fenômeno.
A prova disso veio na sequência da conversa: o sujeito em questão acreditava que Juan Pablo ainda estava correndo na Nascar.
No futebol, a similaridade entre colombianos e brasileiros é evidente. Nossos vizinhos são tão fanáticos quanto nós, tendo clubes como Atlético Nacional, Millonarios e Deportivo Cali dentre os mais populares do país. Isso, assim como no Brasil, leva ao esquecimento dos demais esportes: vôlei, basquete e tênis estão longe de ser assunto frequente, assim como o automobilismo.
(Generated by IJG JPEG Library)

E, bem, a partir do momento que Tio Sam chega até você, é difícil simplesmente dar tchau: desde então, os dois países se tornaram muito próximos – tanto em políticas quanto em ideologias.
Todos os presidentes da história recente da Colômbia fortaleceram ou mantiveram as relações do país com os Estados Unidos. Juan Manuel Santos, eleito em 2010, é mais um a manter as tradições.
Isso se reflete no cotidiano da Colômbia. Em vários momentos, ao caminhar pelas metrópoles, dá para se um gostinho de Miami ou São Francisco: lojas, restaurantes e fast-foods que não se espera encontrar nesta parte do mundo. Mesmo nos noticiários, as redes locais de TV optam por um padrão televisivo jornalístico típicamente americano.
Pode parecer bobagem, um devaneio meu, mas todos esses detalhes acabaram cumprindo o papel na vida de um jovem de 20 e poucos anos que resolve seguir com sua carreira esportiva nos Estados Unidos. Gente como Muñoz e Chaves ainda chega a tentar algo na Europa, mas parece muito mais próxima de uma mudança de rumos, atravessando o Atlântico e se estabelecendo no país de Barack Obama.
De uma hora para outra, opções como a Indy Lights começam até a parecer mais interessantes do que ficar batendo cabeça em uma GP3 da vida, sem qualquer garantia de eventual avanço.

Não é difícil traçar um paralelo entre Montoya e Ayrton Senna, pois. Senna, aliado ao seu sucesso com o povo brasileiro, foi a faísca que deu início à explosão de pilotos do Brasil nas décadas de 1990 e de 2000. E isso não aconteceria com tal magnitude se um herói de infância não tivesse criado o interesse em tantas crianças.
O mesmo parece acontecer com Montoya: todas aquelas crianças viram, maravilhadas, um colombiano vencer a Indy 500, lutar pelo título da F1, além de espremer Michael Schumacher no S do Senna.
Se isso não é capaz de fazer uma pessoa acreditar em seus sonhos, eu não sei o que é capaz. Nenhum colombiano esteve na F1 desde a conturbada saída de Montoya, em 2006, apontando para um fracasso relativo da geração de colombianos. Mas essa gente, depois de aprender a pilotar, não poderia simplesmente desistir de tudo. E é aí que entra a Indy, suprindo uma demanda criada ao longo dos últimos anos.
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Se a trilha para a Indy parece acessível para os colombianos, a da F1 voltou a ser tão complexa quanto antes de Montoya. Poucos são aqueles que se aventuram pelo automobilismo europeu. E os motivos logo se tornam aparentes.
Dissertemos sobre Óscar Tunjo, de quem você provavelmente nunca ouviu falar. Nascido em Cali, o jovem de 20 anos conseguiu alguns resultados decentes em categorias como a Formula BMW, onde foi vice em 2010. Depois de alguns resultados duvidosos na World Series em 2014, a mudança para a GP3 em 2015 foi a rota escolhida.
Na GP3, Tunjo estava longe de ser um protagonista. Mas quis o destino que, com ajuda do grid invertido, um colombiano vencesse a Corrida 2 no Red Bull Ring. Promissor? Bem, uma rodada dupla depois Óscar havia perdido sua vaga na Trident por falta de patrocínio, nunca mais voltando. Já em 2016, só Deus sabe o que será de seu futuro.
A próxima temporada da GP3, todavia, contará com representante da Colômbia. Uma representante: Tatiana Calderón. A pilota vem de três temporadas na F3 Europeia, mas não é exatamente um Esteban Ocon da vida: dois dos três anos foram acabaram sem pontos. Dá para esperar algo de Calderón na GP3? Apenas que ela não seja tão ruim quanto Carmen Jordá.
O aparente fim da jornada do pífio Julián Leal na GP2 dá ainda mais sinais de que não teremos um colombiano na F1 tão cedo. Não que Leal realmente parecesse capaz de chegar ao ápice do automobilismo – quatro pódios em cinco anos está longe de ser um histórico bom –, mas servia para manter a esperança viva.