Alex Lowes teve um ano e tanto em 2016. Além de ser titular da Yamaha no Mundial de Superbike, o britânico subiu ao topo do pódio da tradicional 8 Horas de Suzuka, um dos eventos mais importantes do ano para as montadoras japonesas, e também teve a chance de estrear na MotoGP.
Nascido em Lincoln, na Inglaterra, o irmão gêmeo de Sam — dois minutos mais novo que o piloto da Gresini na Moto2, aliás — conheceu o mundo do motociclismo aos seis anos, mas antes de optar de vez pelo asfalto, se aventurou no motocross entre 1998 e 2001.
A chegada ao Mundial de Superbike aconteceu ainda em 2011, quando o #22 foi escalado pela Honda para substituir o hoje bicampeão Jonathan Rea nas etapas da República Tcheca e da Grã-Bretanha. O titular do time tinha fraturado o braço direito em um acidente em Misano.
A entrada definitiva na série das motos de produção, entretanto, veio só em 2014, quando Alex já tinha na bagagem o título de Campeão Britânico de Superbike do ano anterior, conquistado a bordo de uma Honda CBR1000RR.
Com a fábrica de Hamamatsu, Lowes disputou duas temporadas e obteve como melhor resultado os dois terceiros lugares obtidos na Grã-Bretanha em 2014 e na Tailândia em 2015.
2015, aliás, também foi o ano de estreia em Suzuka. Correndo ao lado de Takuya Tsuda e Josh Waters, o britânico conquistou a quinta colocação naquela que é a prova de maior destaque do Mundial de Endurance da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), um resultado que ajudou a garantir uma vaga no time de fábrica da Yamaha na série das motos de produção.
De volta ao WSBK, a casa de Iwata se aliou com a Crescent, mesma estrutura que até então operava a equipe da Suzuki. Assim, Alex ficou basicamente ‘em casa’.
Correndo ao lado de Sylvain Guintoli, campeão de 2014 do Mundial de Superbike, Lowes não teve uma temporada das mais fáceis, já que foi atrapalhado por algumas lesões neste debute com a YZF-R1.
No entanto, o retorno à Suzuka trouxe uma novidade para a carreira do piloto de 23 anos. Campeão na prova de endurance ao lado de Pol Espargaró e Katsuyuki Nakasuga, Alex foi presenteado pela Yamaha com um teste com a YZR-M1, o protótipo da MotoGP.
Aquelas poucas voltas em Brno, porém, não foram as únicas com a máquina 1000cc. Depois que Bradley Smith se machucou em um teste para as 8 Horas de Oschersleben — última parada do Mundial de Endurance —, Lowes foi escalado como substituto nas etapas da Grã-Bretanha, de Misano e da Riviera de Rimini e de Aragão.
Correndo em casa, o #22 conseguiu pontuar logo em sua estreia na MotoGP, completando a prova de Silverstone em 13º. Em Misano, Alex mostrou evolução ao longo dos treinos, mas uma queda o impediu de completar. No MotorLand, a sorte foi um pouco pior, já que um tombo ainda nos treinos o impediu de correr.
Mesmo assim, Alex ganhou muitos elogios da imprensa e também de Hervé Poncharal, chefe da Tech3, que lamentou não ter mais vagas na MotoGP para 2017.
De volta ao Mundial de Superbike, Lowes fechou a temporada com o 12º posto na classificação geral, 367 pontos atrás do campeão Rea.
No fim de semana da etapa do Catar da série das motos de produção, Alex conversou com o GRANDE PREMIUM e fez um balanço da temporada 2016. O piloto apontou o que precisa ser melhorado na R1, traçou um paralelo entre os Mundiais de MotoGP e Superbike e deu sua avaliação sobre sua participação na elite do motociclismo.
Lowes pontuou em sua estreia na MotoGP (Alex Lowes (Foto: TEch3))
GRANDE PREMIUM – Como você resumiria sua temporada 2016?
ALEX LOWES – Este ano foi bastante duro para mim. Sofri uma lesão feia em novembro de 2015 e isso fez com que eu não estivesse pronto para o início da temporada. Aí, depois de algumas corridas, eu comecei a me sentir bem outra vez, mas, infelizmente, me machuquei outra vez na Malásia e foi uma lesão difícil de recuperar com a clavícula.
GP* – Antes da Yamaha, você corria pela Suzuki no Mundial de Superbike. Quão diferente é a R1 da moto que você usou no ano passado?
AL – A YZF-R1 é bem diferente e levou algum tempo para entender a moto. A característica do motor exige um estilo diferente de pilotagem, que eu aprendi a me adaptar, mas eu amo a R1. Você certamente tem de ser mais suave com esta moto.
GP* – Apesar de toda a experiência nas corridas, este ano foi um novo começo para a Yamaha no Mundial de Superbike. Correu tudo de acordo com o planejado?
AL – Acho que a expectativa de todo mundo era muito alta quando este projeto foi anunciado, então, nesse sentido, foi desapontador, mas nós mostramos que o potencial está lá e na próxima temporada nós daremos os passos para realizar isso.
GP* – A moto está se desenvolvendo no ritmo que você esperava?
AL – Você tem de ser realista com o primeiro ano de um projeto em desenvolvimento. Outros pilotos e times estão avançando o tempo todo, então as metas traçadas mudam constantemente. Entretanto, no próximo ano nós devemos continuar avançando.
GP* – Sylvain passou boa parte do ano afastado por conta de uma lesão e você também teve de lidar com uma clavícula fraturada. Quanto essas lesões afetaram a evolução da moto?
AL – Não tenho certeza. Na verdade, passei mais tempo com machucado do que Sylvain com o meu ombro e aí a clavícula, então isso, definitivamente, não ajudou o time a avançar.
GP* – Passada essa primeira temporada do Mundial de Superbike, o que precisa ser melhorado na R1 para 2017?
AL – Nós precisamos poder usar nossa potência um pouco mais nas curvas e algumas outras áreas em que estamos trabalhando. Acho que sabemos onde podemos melhorar, então o período de inverno será importante.
GP* – No ano que vem, você terá Michael van der Mark como companheiro de equipe. O que você espera dessa parceria?
AL – Estou feliz com isso. Ele é rápido, um piloto jovem e vai ser bom para o time, mas, claro, quero batê-lo.

GP* – 2016 foi um ano bem movimentado para você. Além do Mundial de Superbike, teve também a vitória nas 8 Horas de Suzuka. Como foi essa experiência?
AL – Eu amei Suzuka! Foi bom para eu provar o quão bem estava pilotando depois das lesões. Eu curti bastante, então agradeço à Yamaha por esta experiência.
GP* – Tem alguma diferença entre a moto do Mundial de Superbike e das 8 Horas de Suzuka?
AL – Sim, tem bastante diferença, mas o DNA base da moto é o mesmo. Acho que como uma moto padrão, a YZF-R1 é muito, muito boa.
GP* – Você disse no início do ano que esperava ter uma oportunidade na MotoGP no futuro. Aconteceu neste ano. A MotoGP é tudo que você esperava que fosse?
AL – Sim, a MotoGP foi ótima. Gostaria de ter tido mais tempo para testar e entender, já que sinto que é difícil mostrar o que você pode fazer em um espaço de tempo tão curto, mas ainda assim você é julgado por estes resultados. Fiquei bem feliz por pontuar no meu GP de estreia, mas não fiquei feliz com a performance geral, já que sei que posso fazer melhor.
GP* – Hervé Poncharal fez uma avaliação muito boa do seu trabalho com a Tech3 e a sua performance também foi bastante elogiada entre os jornalistas. Mas como você avalia sua experiência na MotoGP?
AL – Eu amei a experiência, mas não fiquei feliz com a minha performance. Eu queria ter me saído melhor, como acredito que posso.
GP* – Depois de Suzuka, você voltou a se reunir com Pol Espargaró na Tech3. Foi diferente trabalhar com ele no quintal dele? Ele te ajudou nessa adaptação à nova moto?
AL – Ele não me ajudou muito, já que estava sempre ocupado com suas próprias coisas, mas eu realmente gosto do Pol. Ele se tornou um amigo.

GP* – Seu irmão vai estar na MotoGP no ano que vem, mas ele já fez alguns testes com a moto a Aprilia nesta temporada. Ele conseguiu te ajudar de alguma forma antes da sua estreia na MotoGP?
AL – Sim, Sam me ajudou um pouco para tentar entender os pneus, o que, na verdade, foi a parte mais difícil da MotoGP.
GP* – Todos acreditam que existe uma diferença grande entre a MotoGP e o Mundial de Superbike. Conhecendo os dois, você diria que existe tanta diferença? Qual a diferença entre elas?
AL: As motos são totalmente diferentes e na MotoGP você tem os melhores caras do mundo com os melhores times, o melhor apoio e as melhores motos, mas acredito que a ponta do Mundial de Superbike também tem um nível muito alto. Claro, a MotoGP é a número um, mas acho que o Mundial de Superbike deve ser mais respeitado.
GP* – A sua experiência com a M1 mudou a sua visão da R1? Ou te ajudou a identificar novas possibilidades para melhorar a R1?
AL – Sim, a YZF-R1 foi desenvolvida em torno da M1 e você percebe isso. Eu aprendi muito na moto da MotoGP — ter mais potência faz com que elas sejam mais difíceis de pilotar e isso me ajudou a identificar coisas que posso melhorar como piloto em geral.
GP* – Muitos pilotos têm a MotoGP como meta. Ainda é um sonho seu?
AL – Eu adoraria ter uma chance de verdade.
GP* – Você acha que aquelas três etapas com a Tech3 te colocaram mais perto da categoria?
AL – Eu não estou bem certo. Acho que o tempo vai dizer.
GP* – Você e Sam começaram juntos, mas as carreiras de vocês tomaram rumos diferentes. Depois de oito anos separados, você gostaria de correr contra ele outra vez?
AL – Claro! Seria ótimo e espero fazer isso no futuro.
GP* – Está ficando cada vez mais popular a mudança da MotoGP para o Mundial de Superbike, mas o inverso não é mais tão comum. Você acredita que o WSBK é uma boa plataforma para fazer essa mudança?
AL – Acho que a Moto2 seria uma transição mais fácil, mas eu pontuei na MotoGP sem teste, então isso mostra que é possível.
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