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Durante o GP da Austrália que abriu a temporada 2018 do Mundial de F1, no fim de semana passado, em Melbourne, o crescimento da McLaren foi perceptível. Analisados os dados da equipe de Woking em comparação ao 2017 que passou e estendendo para as equipes rivais, o número é impressionante. A melhora da McLaren é muito superior a qualquer outra: desde a rabeira do pelotão para ameaçar o posto de melhor do resto. Os tempos são outros para a McLaren.

O crescimento da McLaren, tanto em termos de quilometragem quanto em velocidade, é inquestionável. Sem precisar lidar com toda a incapacidade da Honda de aliar confiabilidade e potência por uma temporada completa, agora os propulsores da Renault mudam a expectativa. "Agora nós podemos brigar", falou Fernando Alonso no rádio da equipe após segurar a Red Bull de Max Verstappen para ficar com o quinto posto do GP da Austrália.

“Foi uma boa corrida. Temos potencial e aproveitamos oportunidades. Verstappen foi um adversário muito difícil, mas finalmente conseguimos manter tudo sob controle”, comentou Alonso, explicando a briga pelo quinto lugar à rede de TV ‘Movistar+ F1’. “Agora podemos nos defender e atacar, vira um tipo de corrida diferente. Espero que dê para ir além nas próximas”, seguiu.

“Foi uma corrida ativa, com muitas disputas. Passamos os carros da Haas, que tiveram problemas mecânicos, e o Carlos [Sainz] por um problema que ele teve na curva 9. Tivemos sorte e aproveitamos isso. É um ano muito diferente dos últimos”, apontou.

A enorme diferença entre as duas realidades apareceu logo no sábado. No primeiro treino livre para o GP da Austrália de 2017, Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne deram, respectivamente, 18 e 14 voltas e com tempos altos. O espanhol anotou 1min27s116 e ficou com 14º posto, enquanto o belga foi o último e marcou apenas 1min28s695.  

É bem verdade que a participação no TL1 de 2018 teve até uma volta a menos na soma dos pilotos – 16 para Fernando e 15 para Stoffel -, mas os tempos são prova viva de que os dias seriam melhores. 1min25s896 foi a marca do bicampeão, que terminou com a oitava colocação. Vandoorne foi o décimo, com 1min26s482.

Quando o TL2 chegou, no entanto, a McLaren foi estocando o palpite de que o carro tem péssima confiabilidade. Se em 2017 a dupla deu, somada, 52 voltas, nesta jornada foram 62 – 28 para Alonso, 34 para o jovem.

Os tempos foram ainda mais fortes. Em 2017, Alonso anotou 1min26s000 e Vandoorne marcou 1min26s608 – bom para 12º e 17º lugar. 1min25s200 e 1min25s285 foram os giros deles em 2018, encerrando a sexta-feira de treinos com as posições oito e dez.
(Alonso e Vandoorne (Foto: McLaren))

No TL3 de 2018, chovia. Os tempos, portanto, são bem maiores que os de 2017 e não servem necessariamente para comparação. Mas mesmo assim o número de voltas é superior ao do ano que passou. Com motores Honda, os dois somaram 16 voltas no último treino livre em Melbourne; com os propulsores franceses, no entanto, puderam desfilar por 28 giros na pista molhada.

Na hora da definição do grid de largada para o GP da Austrália de 2017, Vandoorne nem sequer passou do Q1 – fez 1min26s858 e ficou com a 18ª colocação. Um pouco melhor, Alonso chegou a 1min25s425 e a 13ª colocação. Neste ano, os dois passaram com sobras para o Q2. Com 1min23s597 e 1min23s853, Fernando e Stoffel confirmaram o domínio completo da sexta fila.

Na questão mais importante, a da corrida, Alonso abandonou após 50 voltas em 2017 por conta de um problema no assoalho. Em 2018, no entanto, fez uma excepcional corrida e completou na quinta colocação. Fernando, é bem verdade, se valeu dos erros da Haas que acabaram custando a corrida dos dois pilotos. Uma vez com a quinta colocação, precisou conter a ameaça de Verstappen – algo que fez de maneira quase que hercúlea contra uma Red Bull ainda mais rápida. Vandoorne, 13º e último entre os que concluíram o GP em 2017, terminou com a nona colocação. Foi a primeira vez desde 2012 em que os dois carros da McLaren marcaram pontos na Austrália.
(Fernando Alonso (Foto: McLaren))

As duas McLaren em fila (Alonso e Vandoorne (Foto: McLaren))
A melhor volta da McLaren no GP australiano foi 1min26s958, exatos 2s482 mais rápida que a do ano passado. É, de longe, a equipe que mais melhorou de 2017 para 2018 neste quesito. Segundo colocada no ranking, a Haas teve uma melhor volta 1s237 superior a 2017 – pouco menos da metade do feito da McLaren.

Ao todo, durante o fim de semana, Stoffel Vandoorne deu 136 voltas e percorreu 721 km. Um pouco atrás do companheiro na rodagem, Fernando Alonso girou 129 vezes com 684 km. Em 2017, os dois haviam rodado respectivamente 117 e 109 vezes no circuito de rua do Albert Park.

O começo foi interessante, é verdade, com uma briga real para ser a quarta força do grid – atrás, claro, de Mercedes, Ferrari e Red Bull. As grandes rivais da McLaren são, se a Austrália ensinou alguma coisa, Haas e Renault. Williams, Toro Rosso e Sauber estão atrás. A Force India ainda é um enigma.

A F1 volta no próximo fim de semana, direto do Bahrein.

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