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Uma grande obra da engenharia e da arquitetura, com um complexo que reúne uma pista de Fórmula 1, um parque da Ferrari, hotéis e uma marina – tudo construído no meio do deserto. Se normalmente o GP de Abu Dhabi já é um catálogo turístico do emirado árabe, a edição de 2017, por conta do amplo domínio da Mercedes e do título já resolvido, foi um marasmo só.

Ok que o contexto é outro – e, na sua forma original, talvez nem caiba mais no mundo de hoje –, mas o famoso título da peça de Nelson Rodrigues funciona como uma luva para Yas Marina. O circuito é “bonitinho”, já que, por mais que represente uma maravilha da construção civil, fica devendo o charme de Monte Carlo, apenas para comparar com o exemplo mais comum. Trata-se de um complexo extremamente artificial, com muito glamour, mas é só. “Ordinário” porque a pista em si é medíocre, sem graça. Não há muitos pontos de ultrapassagem, o que transforma as corridas em um martírio para pilotos e espectadores – que o diga Fernando Alonso na decisão do título de 2010.

Nisso tudo, o GP de Abu Dhabi de 2017 foi o reflexo da pista: bonitinho, mas ordinário. A Mercedes dominou o fim de semana. Valtteri Bottas até surpreendeu no sábado, fazendo a pole, mas liderou boa parte da corrida com tranquilidade. A sorte do finlandês é que ele tinha uma remota chance de ser vice-campeão, o que valeu uma certa complacência de Lewis Hamilton, que não disputou a vitória com tanto afinco. No final, deu Bottas – ainda assim o vice ficou com Sebastian Vettel, da Ferrari.

Bottas liderou a corrida com certa tranquilidade, sendo pouco ameaçado por Hamilton

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Em seguida vieram os carros da Ferrari. Sebastian Vettel correu sozinho, ficando em terceiro, assim como Kimi Räikkönen, que veio em quarto. Max Verstappen, o quinto, praticamente não apareceu na tela da TV.

Na F1 da vida real houve uma ou outra disputa, principalmente entre Romain Grosjean e Lance Stroll pela gloriosa 13ª posição. Fernando Alonso e Felipe Massa também dividiram algumas curvas e trocaram posições, mas podemos dizer que foi mais uma continuação do GP do Brasil do que um mérito da corrida árabe.

Nem acidentes tivemos. Pierre Gasly chegou a dar algumas piruetas com a Toro Rosso e a Renault errou na hora de colocar uma das rodas de Carlos Sainz, e ficou por aí. O espanhol e Daniel Ricciardo, que teve um problema hidráulico em sua Red Bull, foram os únicos abandonos.

Para deixar o marasmo mais claro: dos dez primeiros do grid, apenas Ricciardo não estava nos dez primeiros ao final do GP. A única diferença foi Fernando Alonso, que largou em 11º e terminou em nono.

Vale dizer, também, que Lance Stroll mais uma vez decepcionou, mesmo para quem tem baixas expectativas em relação ao canadense. Ele fechou a corrida em 18º, o último entre aqueles que completaram. Ok, ele até que teve uma bela disputa com Grosjean no começo do GP e, mesmo não sendo muito correto, não bateu. Mas o resultado final foi um desastre, ficando atrás até dos carros da Sauber. 

É, a Williams terá uma vida dura em 2018.

A grande disputa em Yas Marina: Grosjean x Stroll

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A corrida poderia ser diferente se o título ainda estivesse em jogo? Talvez. Haveria uma tensão no ar, como existia no GP de Abu Dhabi do ano passado, por exemplo. Ainda assim, não seria uma final com grandes disputas. Yas Marina é, na prática, um anticlímax. Mesmo em 2010, na tão citada primeira conquista de Sebastian Vettel, foi assim.

Todo o luxo do mundo e toda beleza podem fazer bem aos olhos. No entanto, quem gosta disso pode assistir a um programa de viagens, como os tantos que existem na TV paga (apesar da transmissão brasileira ter, em muitos momentos, embarcado neste espírito). Por um mundial de F1 com mais Interlagos – que, por mais que tenha a grama meio queimada, um paddock sem graça, um céu cinza no lugar do crepúsculo e um conjunto habitacional popular ao fundo, tem corridas de verdade – e menos Yas Marinas.

Pena que, pelo jeito, a pista brasileira é um artigo bem próximo da extinção.

Fechando o ano de vez, a Liberty Media, dona da categoria desde o ano passado, revelou o já esperado novo logo da F1. Em uma primeira observação, podemos dizer que nem o "bonitinho" cabe para a nova marca.

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