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A surpreendente aposentadoria de Nico Rosberg da F1 deu início a um complexo jogo de quebra-cabeça para 2017. O anúncio tão repentino obrigou a Mercedes a olhar para o que sobrou do mercado de pilotos e só a quase dois meses da abertura da temporada anunciar oficialmente sua decisão. A atual tricampeã mundial optou por Valtteri Bottas como companheiro de Lewis Hamilton em detrimento de jovens talentos. O finlandês, de 27 anos, enfim ganha a chance de provar que é rápido, mas pode não ter sido a melhor opção para a Flecha de Prata.
Se tudo permanecer como caminhou até aqui nos últimos anos, não há dúvida que Bottas conseguirá beliscar pontos, pódios e quem sabe até vitórias. O problema então estaria na Mercedes em preterir seu próprio programa de formação de pilotos, deixando para trás nomes promissores que carecem de mais tempo de pista em carros com melhores condições. Exemplo mais significativo da fila não cumprida de sucessão é o alemão Pascal Wehrlein, de 22 anos, que lutou bravamente contra os desmandos do carro da Manor e até conseguiu um ponto no ano passado, no GP da Áustria, de onde largou na 12ª posição. Haveria ainda seu companheiro de equipe, o francês Esteban Ocon, de 20 anos, que acabou fechando com a Force India.
O recado nas entrelinhas – assim como foi todo o processo de substituição de Rosberg, que implicou na saída de Bottas da Williams, que resultou na volta de Massa à Williams, e por aí vai – é o quanto a equipe considera incerto ter um piloto jovem em um carro que tem sobrado no grid desde 2014. O temor é que os afilhados de Toto Wolff não entreguem o que o carro possa render. Mas aí entra outro fator: em quatro anos de Williams, Bottas também não fez nada de tão excepcional que por assim justificasse uma vaga na melhor equipe das últimas três temporadas.
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Apesar de fazer parte do programa de pilotos, Pascal Wehrlein foi preterido pela Mercedes (Divulgação/Mercedes)

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Bottas, por essa linha de pensamento, seria o “melhor dos menos ruins”. O primeiro a perceber isso foi o austríaco Gerhard Berger. O para sempre escudeiro de Ayrton Senna disse que Bottas “não destruiu Massa o suficiente” para merecer uma vaga, em entrevista à revista Auto Motor und Sport. Em 60 GPs como companheiros, o finlandês acumulou 407 pontos, contra 308 do brasileiro. O novo contratado da Mercedes também foi ao pódio em nove oportunidades, enquanto Massa ficou no top-3 em cinco ocasiões.
Concorrência com Verstappen
Chefe do mais badalado programa de pilotos da atualidade, Helmut Marko usou da prerrogativa de ter revelado ao mundo o fenômeno Max Verstappen, vencedor do GP da Espanha logo em sua corrida de estreia pela Red Bull, para alfinetar os rivais Niki Lauda e Toto Wolff, da Mercedes. Em entrevista a uma TV austríaca, Marko disse que se Wehrlein não for anunciado “é porque não há confiança no programa de pilotos da Mercedes”.
Os alemães podem ter pensado que Wehrlein, logo em seu primeiro ano em um grande carro, teria de ser ainda mais excepcional que Vertappen para justificar suposta superioridade entre programas de pilotos. Por esse lado, protegeu o garoto de um desgaste natural, mas também não deu a ele a chance de mostrar o seu valor.
(Getty Images/Red Bull/Content Pool)

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Sendo assim, pelo o que apresentou até agora, é difícil de ver Bottas liderando uma equipe de ponta e não é possível desenvolver talentos em seus carros principais, a Mercedes pode ter adiado um problema. E dos grandes. Hamilton nunca fez juras de amor à Mercedes e, mais do que isso, chegou a insinuar sabotagem para que Rosberg fosse campeão além de não ter acatado uma ordem da equipe no derradeiro GP de Abu Dhabi.
Mesmo com contrato até 2018, não é impossível pensar que, da noite para o dia, assim como fez Rosberg, Hamilton deixe a Mercedes. Seu comportamento não dá grandes mostras de racionalidade fora das pistas. Aí, dentro em breve então, a Mercedes teria mais um problema. Já que não contou com Bottas e não desenvolveu talentos, teria que ir novamente ao que sobrar do mercado de pilotos em pouco tempo.
Foi uma boa contratar Bottas?
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