A relação entre Jorge Lorenzo e Valentino Rossi raras vezes, para não dizer “nunca”, foi das melhores. A cordialidade de ex e atuais companheiros de Yamaha esteve próxima da protocolar e o que prevaleceu, esse sim “sempre”, foi o respeito mútuo. Depois de algumas das batalhas mais épicas dentro das pistas, os dois pilotos voltaram a se enfrentar também em entrevistas coletivas. O clima quente dentro da garagem só fez reconstruir o muro da discórdia e aumentar a guerra psicológica na MotoGP, que neste domingo (25) invade o circuito de Aragão, na Espanha.
Seguidas vezes, Lorenzo deixou claro que não gosta de ser contrariado. Tampouco foi a primeira vez que reclamou do que chamou de “excesso de agressividade” de Rossi. Quando as duas indignações se encontraram o problema ficou ainda maior. Foi justamente o que aconteceu no último GP de San Marino e vem se arrastando até este fim de semana. O italiano dava tranquilamente explicações a um repórter sobre sua opção por ultrapassar de tal forma a 27 voltas do fim da corrida. A réplica do espanhol questionou o ataque e a tréplica veio em uma irônica risada. Pronto. Foi o bastante para os ânimos se acirrarem novamente.
A polêmica é sem dúvida um atrativo a mais para um campeonato já bastante emocionante, que teve oito vencedores – Jorge Lorenzo (3), Marc Márquez (3), Valentino Rossi (2), Jack Miller, Andrea Iannone, Cal Crutchlow, Maverick Viñales, Dani Pedrosa (todos esses com uma vitória) – em 13 etapas disputadas até aqui. Mas enquanto discutem, a irregularidade dos dois pilotos da Yamaha se torna aparente, bem como o distanciamento da liderança.

Jorge Lorenzo vive com sombra de Valentino Rossi ao fundo dentro da própria Yamaha (Divulgação/YamahaMotoGP)
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Sem nada a ver com a discussão e, pelo menos neste ano, longe de qualquer briga com adversário, Márquez curte o topo da tabela de classificação com 223 pontos. Rossi é o segundo com 180, apenas 18 a mais que Lorenzo. Apesar de bastante equilibrado, o campeonato já não permite mais pífio desempenho com uma só gota d´água na pista ou tombos bobos a cinco corridas do final.
Depois de três anos dividindo o box da Yamaha com Lorenzo, Rossi decidiu se aventurar pela Ducati em 2011. Depois de duas temporadas, foi novamente anunciado como piloto da fábrica japonesa e logo questionado se mandaria novamente construir um muro separando as garagens, como foi acusado de fazer da disputa pelo título em 2009. Levou na brincadeira e prometeu que, se o rival e naquele momento futuro companheiro de equipe topasse, não haveria o que esconder devolvendo a guerra psicológica.

Italiano
37 anos
17 temporadas
88 vitórias
182 pódios
53 poles positions
75 voltas mais rápidas
7 títulos mundiais (MotoGP/500cc)
(Divulgação/YamahaMotoGP)

Espanhol
29 anos
9 temporadas
43 vitórias
104 pódios
38 pole positions
27 voltas mais rápidas
3 títulos mundiais (MotoGP)
(Divulgação/YamahaMotoGP)
A partir daí, a relação encaminhou para um tom mais amistoso até a volta da troca de farpas em Misano. Agora, Rossi dá mais mostras de ser o primeiro piloto da equipe. Para completar, é Lorenzo quem está deixando o time e indo exatamente para a Ducati no próximo ano.
Por tantas batalhas na pista e com o jogo emocional dentro dos boxes, para sempre existirá um muro separando Jorge Lorenzo e Valentino Rossi. Melhor para a MotoGP ter cada um de um lado.