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É hora de Fernando Alonso se aposentar da F1?

E de Kimi Räikkönen?

Jenson Button?

O espanhol, bicampeão em 2005 e em 2006, ficou irritado no início do ano quando o ex-piloto e hoje comentarista Johnny Herbert opinou que ele deveria pendurar o capacete. Garantiu que segue motivado e determinado a ter sucesso na F1.

Nesta semana, porém, recuou. Alonso admitiu que não pretende estender muito carreira no Mundial, como Räikkönen, Jenson Button ou Felipe Massa, que parecem capazes de “continuar para sempre”.

“No momento, sinto que estou chegando ao fim do meu sonho. Quando era pequeno, meu pai construiu um kart que teve sua decoração inspirada na McLaren-Honda. Agora, estou guiando um McLaren-Honda. Tenho a sensação de completar um ciclo de forma romântica. Tenho certeza que vou perder a pilotagem competitiva, bem como a adrenalina. É isso o que tem sido a minha vida. É provável que eu siga correndo em outra categoria, uma que não consuma tanto o seu tempo. Le Mans seria perfeito, já que você não tem de ficar longe de casa durante todo o ano”

Quando isso vai acontecer, difícil dizer. Mas tem uma coisa: Alonso, apesar da comparação que fez com os outros veteranos do grid, não é exatamente um garoto.

Ele é dois anos mais novo que Kimi e Button, mas da mesma idade de Massa, e tem mais corridas que o finlandês e o brasileiro na F1. Estreou em 2001, junto do ‘Homem de Gelo’, um ano após Button e um antes de Felipe. Resumindo, não é nenhum menino.

E claro, quando falamos de Alonso, sempre é válido comparar com outros campeões: ninguém ficou tanto tempo na categoria depois do último título quanto ele já está.

Fernando Alonso não é campeão há dez anos (Fernando Alonso (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio))

Pois é. Esta é a décima temporada realizada desde a última conquista do asturiano, no já longínquo ano de 2006. É verdade, ele chegou à última corrida com chances de título em três anos desde então, bem como teve três vice-campeonatos e 16 vitórias — metade das suas 32.

Sem perder rendimento, Alonso não foi capaz de converter o desempenho em títulos. Curiosamente, apesar de todo o jejum, ainda é considerado um dos melhores pilotos do grid.

  
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Antes dele, o campeão que mais fez “hora extra” havia sido Jacques Villeneuve: nove anos entre 1997 e 2006, mas sem jamais voltar a liderar uma volta. Exatamente: o canadense nunca mais fez pole, venceu, anotou volta mais rápida ou sequer apareceu na dianteira de um GP. Foram apenas quatro pódios em mais de 100 corridas.

O próximo dessa lista é John Surtees, oito temporadas, e então aparecem Graham Hill, Denny Hulme, Kimi Räikkönen e Jenson Button com sete. Emerson Fittipaldi e Alan Jones ficaram por mais seis anos.

Vale estender a discussão aos outros dois que estão em atividade, que vêm empatados porque o finlandês passou dois anos longe da F1.

Seria este trio um caso de quem não soube parar quando estava por cima? Não ao meu ver.

Quando falamos de Alonso, há a questão da idade. Em 2005, ele quebrou o recorde de precocidade para um campeão. Chegou ao topo muito cedo e com a maior parte da carreira pela frente.

Kimi Räikkönen está na sétima temporada desde o seu título (Kimi Räikkönen (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio))

Kimi e Button que destoam um pouco. Nesta F1 cada vez mais jovem, eles foram campeões já mais perto dos 30 do que dos 20. E o britânico venceu mais GPs depois de ser campeão do que havia ganho antes. Hoje, é verdade, vivem longos jejuns, porém estão presos a contratos milionários com grandes equipes. Ok, sei que a McLaren não vive grande coisa, mas nenhum deles está em equipes médias apenas correndo por correr.

A pergunta a ser feita por Räikkönen, Button e — principalmente — Alonso é: a história construída na F1 está sendo manchada?

Não há resposta certa. Convido o leitor a fazer este exercício. Aqui vão as minhas impressões:

Räikkönen: SIM. Desde que estreou, Kimi foi tido como talentosíssimo e vencedor. Foi escolhido pela McLaren para substituir o bicampeão Mika Häkkinen e pela Ferrari para suceder o heptacampeão Michael Schumacher. O título demorou a vir, mas veio, e fez justiça ao que ele sempre havia mostrado na F1. Os últimos três anos é que estão longe de fazer justiça ao que Kimi sempre mostrou e dão munição para quem quer diminuir os seus feitos.

Button: NÃO. Considero que é um pilotaço. Impressionante como ele sempre ganha as corridas mais divertidas. Agora, convenhamos: ele foi campeão ao cair no lugar certo, na hora certa. Andar nessa McLaren-Honda não muda muito a visão que temos dele. E, até por seu estilo de pilotagem, ao menos eu sigo com a impressão de que, com um carro melhor em mãos, ainda pode mostrar mais serviço.

Alonso: SIM. “Ah, mas por que é OK para o Button e não para o Alonso se arrastar nessa McLaren?”. Porque o nível de exigência do espanhol é maior. Ele se considera o melhor piloto do grid, melhor que Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, mas tem menos títulos, vitórias e poles que ambos. Emendar uma sequência de boas corridas com um carro ruim salvaria a imagem? Claro que não. A única forma de Alonso provar que é o melhor da geração é vencendo corridas e campeonatos.

Hora do Alonso pegar a mochila e ir para casa? (Fernando Alonso(Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio))

           
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Uma última ressalva: não é por causa disso que eu acredito que Alonso não tem mais lenha para queimar, pelo contrário. Se não o melhor, ainda é um dos melhores em atividade, muito capaz de entregar resultados na F1. O que há é o risco de “cair de patamar” na escala de grandeza dentro da categoria, ficando de vez abaixo de Vettel e Hamilton.

Os próximos meses tendem a ser reveladores com relação ao destino destes pilotos. Alonso só para se quiser, enquanto Button e Räikkönen podem depender das decisões de suas equipes. Meu palpite: pelo menos um destes dois não estará na F1 em 2017.

Bom para a F1? Em nome da renovação, de certa forma, sim. Gente nova chegaria a equipes grandes. Mas a categoria ficaria com “apenas” quatro campeões no grid — caso Nico Rosberg não consiga o título neste ano — pela primeira vez desde 2009 (apenas Alonso, Kimi e Hamilton).

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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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