Simon Pagenaud é a grande sensação da temporada 2016 da Indy. Considerado por muitos como carta fora do baralho por seu péssimo desempenho em 2015, o francês não apenas vem provando que tem potencial para vestir as cores da Penske, como dá sinais de que pode fechar o ano com seu primeiro título da categoria.
Pagenaud é um piloto com uma trajetória bastante curiosa. Após alguns anos de F-Renault pelo mundo, o francês foi se encontrar guiando protótipos e só foi receber a primeira oportunidade na Indy em 2011, já prestes a completar 27 anos.
Os primeiros anos da carreira do gaulês não foram exatamente arrebatadores. É bem verdade que Pagenaud teve bons resultados na ALMS (American Le Mans Series), com direito a título em 2010 ao lado de David Brabham, assim como foi campeão da Champ Car Atlantic em 2006, mas nada indicava que o francês fosse subir tanto de patamar.

Simon Pagenaud vem fazendo um trabalho primoroso em 2016 (Pagenaud comemorando a vitória no GP de Long Beach (Foto: IndyCar))
2011 foi o grande ano de virada na vida de Pagenaud. Logo no início da temporada, o francês recebeu a chance de guiar pela Dreyer & Reinbold no Alabama, chegando em um excelente oitavo lugar. Simon ainda faria mais duas provas naquele campeonato, em Mid-Ohio e Sonoma, sem o mesmo destaque.
No meio das provas que disputou em seu ano de estreia na Indy, Pagenaud fez muito bonito nas 24 Horas de Le Mans. Após abandonar outras três edições, o francês formou trio com o compatriota Sébastien Bourdais e com o português Pedro Lamy para levar a Peugeot ao segundo lugar.
Após ter tido momentos esporádicos de sucesso nos primeiros anos de carreira, Pagenaud encerrou em 2011 sua primeira grande temporada. Como reconhecimento pelos feitos, o francês assinou com a Schmidt Peterson para disputar todas as etapas da Indy em 2012.
Se 2011 foi bom para Pagenaud, 2012 foi excelente. Em uma equipe não mais que média da Indy, o francês já chegou mostrando seus predicados. Com nove top-10 em 15 etapas e quatro pódios, Simon fechou seu primeiro ano completo na categoria com uma ótima quinta posição final.

Simon Pagenaud é um dos ótimos nomes do grid há algum tempo (Simon Pagenaud (Foto: IndyCar))
Quanto mais o tempo passava, mais claro ficava que Pagenaud seria um piloto de elite na Indy. Muito talentoso e eficiente nas provas em circuitos mistos e de rua e bem regular nos ovais, o francês teve em 2013 um desempenho fantástico, vencendo em Detroit e Baltimore suas duas primeiras corridas na categoria e fechando o ano no terceiro lugar.
Apesar de uma série de especulações, Pagenaud renovou com a SPM e partiu para a temporada 2014 da Indy, sua terceira completa. Com novas vitórias no misto de Indianápolis e em Houston, o francês chegou à prova decisiva em Fontana com chances remotas de título, algo imenso para a Schmidt Peterson. Apesar do 20º lugar na corrida final em Fontana e o quinto lugar na classificação geral, estava mais do que claro que Pagenaud já não tinha mais o que fazer em uma equipe média.
A ida de Pagenaud para a Penske em 2015 atraiu muitos holofotes. O time de Roger Penske investia no quarto carro e formava um verdadeiro time dos sonhos, com o veterano e especialista em Indy 500 Helio Castroneves, o campeão e experiente Juan Pablo Montoya e o campeão de 2014 Will Power, além, é claro, do ascendente Pagenaud.

Simon Pagenaud fez a Penske trabalhar em quatro carros (Para Helio Castroneves, Simon Pagenaud vai crescer muito em 2016)
Chegando ao topo da Indy já com 30 anos nas costas e provando ter tanto talento, esperava-se um Pagenaud competitivo e brigando pelo título logo no primeiro ano. Não foi assim. O francês sofreu muito para repetir o sucesso na SPM, foi ao pódio apenas duas vezes e tomou uma surra de seus companheiros. No fim, um extremamente amargo 11º lugar na classificação final.
Como num toque de mágica, aqueles que exaltavam Pagenaud e o colocavam como potencial campeão da Indy em 2015, passaram a desconfiar do talento do francês e, por uma temporada ruim, ignoraram o conjunto da obra. Assim, Simon entrou em 2016 cheio de pressão para provar que poderia estar na Penske e cheio de desconfiança de analistas e torcedores.
Quatro corridas, quatro pódios. O 2016 de Pagenaud começou dessa forma, com duas vitórias – as primeiras pela Penske – já na conta. De carta fora do baralho, o francês passou, de forma totalmente cerebral e constante, a grande candidato ao título, já praticamente assegurando a liderança do campeonato até o início das atividades no oval de Indianápolis.
É verdade que o francês pouco precisou brigar por posições em 2016, mas merece todos os créditos por isso. As provas, digamos, tranquilas, são frutos de classificações excelentes, algo que não conseguiu em 2015. Quando precisou batalhar, no Alabama, Pagenaud teve sangue frio e oportunismo para superar um endiabrado Graham Rahal.
Talentoso, com um grande equipamento e cada vez mais adaptado à condição de piloto de ponta em uma equipe de ponta, Pagenaud hoje já se coloca como piloto a ser batido na Indy, deixando bem claro que 2015 foi um ponto fora da curva em sua trajetória na categoria.

A vitória no Alabama foi mais uma prova do grande momento de Pagenaud