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Preterido por Max Verstappen na Red Bull, Daniel Ricciardo foi praticamente forçado a buscar uma outra equipe para correr em 2019. O time em que estava há cinco temporadas — isso sem contar todos os outros sob o guarda-chuva da empresa de energéticos — deixou clara sua preferência esportiva e até financeira pelo jovem talento holandês. Ao australiano então, já com as suas 29 primaveras, não lhe restou outra opção a não ser uma 'chegada' à francesa. Assim como havia feito Fernando Alonso lá em 2008, a solução encontrada foi a Renault.
A comparação entre Alonso e Ricciardo, ainda que espaçada no tempo em mais de uma década, faz sentido se levado em conta que nenhum dos dois pilotos talvez pensasse na montadora como o destino certo se as coisas estivessem correndo bem na garagem em que já estavam. No caso de Ricciardo, inclusive, a série documental ‘Drive to Survive’ explicita essa situação ao exibir uma conversa do piloto com o seu guru e agente Glenn Beavis. Na ocasião, o #3 afirma categoricamente: “preciso estar em um lugar em que eu possa vencer”.
Exceto pelas vitórias na China e em Mônaco no ano passado, Ricciardo não triunfou e, mesmo quando o carro não quebrou, esteve longe de tanto. Por outro lado, seu companheiro de equipe continuava roubando a atenção para os lados negativos e positivos de sua agressiva pilotagem. “Eles estão focados no Max, que deve ser o mais jovem campeão do mundo”, chegou a dizer Beavis. Diante desse cenário, o australiano já não tinha mais alternativa a não ser deixar a companhia que cruzou o seu caminho quando ainda tinha 18 anos.

Daniel Ricciardo abandonou nas duas primeiras provas e conquistou apenas o 7º lugar no último GP (Divulgação/Renault)
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A história é pelo menos semelhante com a situação enfrentada por Alonso ao longo de 2007, ou até pior, já que o espanhol era bicampeão do mundo e Ricciardo ainda quer mais que suas sete vitórias e 29 pódios. Quando chegou na McLaren, Alonso viu um jovem prodígio Lewis Hamilton, que foi ao longo de anos lapidado pela equipe, roubar a atenção nos boxes e também nas pistas. De início, o chefão Ron Dennis até quisesse ver o tricampeonato, mas também seria muito bom “produzir manchetes” com um jovem, algo tão apontado hoje pela Red Bull.
Como se não bastasse, a dificuldade de Alonso ainda estava em servir um time britânico, com administração britânica, com um companheiro britânico… E ainda por cima a imprensa britânica. Logo a situação ficou insustentável mesmo para quem tinha 19 vitórias e 50 pódios. O entendimento geral era de que a continuidade do piloto ali já não era mais possível. Foi daí que veio a decisão, talvez até impaciente, da volta para a Renault.
Alonso ficou apenas mais duas temporadas na Renault antes de ter parte da carreira manchada no episódio com Nelsinho Piquet e Flavio Briattore em Singapura e desembarcar na Ferrari ainda sob a promessa do tri. Na segunda passagem na equipe francesa, foram ao todo apenas duas vitórias (justamente Singapura e Japão) e só o quinto e o nono lugares nos Mundiais.

Equipes: Minardi (2001), Renault (2003-2006), McLaren (2007), Renault (2008-2009), Ferrari (2010-2014) e McLaren (2015-2018)
Corridas: 314
Vitórias: 32
Pódios: 97
Poles: 22
Títulos: 2 (2005 e 2006)
(AFP)

Equipes: HRT (2011), Toro Rosso (2012-2013), Red Bull (2014-2018) e Renault
Corridas: 153
Vitórias: 7
Pódios: 29
Poles: 3
Títulos: Nenhum
(Divulgação/Renault)
O ano de reestreia de Alonso, objeto de análise para a comparação de Ricciardo, não foi o exatamente o esperado, mas hoje estaria de ótimo tamanho para as pretensões de Cyril Abiteboul. O chefe da equipe não se cansa de exaltar a capacidade de investimento da Renault — que não é exatamente a mesma da época de Alonso se levada em consideração o período em que ficou fora do Mundial — e a obsessão por ser a quarta força do campeonato, atrás só de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Naquelas quatro primeiras corridas do espanhol, ele foi 4º, 8º, 10º e não terminou a quarta corrida, bem na Espanha, diante do seu público.
As coisas para Ricciardo só foram iguais no quesito decepção da torcida com o resultado. No GP de abertura da temporada, aos olhos do seu público, o australiano arruinou toda e qualquer expectativa metros depois da largada, também não completou no Bahrein e foi o 7º na China.
Para o GP do Azerbaijão, que acontece neste domingo (28) pelas ruas de Baku, Ricciardo e a própria Renault precisam suportar a pressão e já mostrar um resultado melhor. Do contrário, a opção pelo carro amarelo e preto será apenas mais uma chegada à francesa.
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