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Com a linha de chegada de sua carreira na F1 já à vista, Felipe Massa se permite uma avaliação mais franca, sem medo de julgamentos, retaliações das equipes ou mesmo da própria organização. Em entrevista ao site oficial da categoria, o brasileiro confirmou o que muito torcedor já suspeitava: fez tudo que a Ferrari pediu para Fernando Alonso ser campeão, entre 2010 e 2013.

A postura pode até irritar os mais apaixonados pelo esporte, mas as 11 vitórias do piloto continuam inalteradas na história da principal categoria do automobilismo. Em 14 anos como titular até aqui, o título mundial ainda esteve a uma curva em 2008. Levantada pelo próprio, intencionalmente ou não, a dúvida é se, ou quanto, o comportamento via rádio em diferentes equipes atrapalhou o sonho de repetir Ayrton Senna e levantar o Mundial.

 


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Curioso notar, no entanto, como o comportamento do piloto se alternou ao longo do tempo. Se não é fácil aceitar deixar o companheiro passar, talvez seja ainda mais difícil resistir à pressão de engenheiros e chefes de equipe.

 

A ordem mais polêmica dos boxes – pelo menos entre as que se tem conhecimento – para Massa aconteceu em julho de 2010. Em seu quinto ano de Ferrari, o primeiro ao lado de Alonso, Felipe recebeu uma ‘indireta’ bastante certeira no GP da Alemanha. Após superar Sebastian Vettel e o próprio Alonso na largada em Hockenheim, Massa ouviu a voz pausada de seu engenheiro Rob Smedley.

Massa liderava o GP da Alemanha. Até que ouviu a polêmica frase

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“Felipe, Fernando está mais rápido que você. Pode confirmar que entendeu a mensagem?”, disse Smedley, que ainda hoje trabalha com Massa, mas na Williams.

Como prova de que fez tudo que a escuderia de Maranello pediu, Massa imediatamente diminuiu o ritmo e praticamente encostou para Alonso ultrapassar e assumir a primeira posição. Já no Parque Fechado, os companheiros de equipe trocaram apenas tapinhas nas costas e sorrisos amarelos até o pódio. Massa ainda endureceu o tom e disse a jornalistas que não devia explicações sobre o caso:

“Não tenho que comentar nada sobre isso”, disse Massa à época, visivelmente desconfortável com a situação.
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Em entrevista ao Paddock GP em 16 de julho, Lucas Di Grassi lembrou o episódio Barrichello x Schumacher, no GP da Áustria de 2002. O piloto que esteve de 2005 a 2011 de alguma forma envolvido na principal categoria do automobilismo deu uma importante contribuição e lembrou até mesmo sua trajetória nesta temporada na F-E. Di Grassi teve a chance de chegar à última etapa com folga na liderança, mas acabou não aceitando trocar de posição com o companheiro Daniel Abt. Sébastien Buemi foi o campeão.

“O Rubinho fez o certo de levantar o pé para o Schumacher porque ele precisa receber ordem da equipe e cumprir. Acho que o Schumacher iria ganhar o campeonato de qualquer jeito, então ele não precisava ter passado o Rubinho."

Em 2002, Massa (à direita) não aceitou ceder posição a Heidfeld. E acabou fora da equipe

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Começo de carreira

Se depois do episódio de Hockenheim, Massa ainda permaneceu por mais três temporadas na escuderia de Maranello, a coisa não foi bem assim ainda em seu começo de carreira na F1. Foi também na Alemanha, mas em Nürburgring, que o piloto se atreveu a desobedecer uma ordem da Sauber. Acabou fora da equipe, devolvido para a Ferrari para ser piloto de testes no ano seguinte.

O brasileiro ocupava a sexta colocação, uma posição à frente do piloto da casa Nick Heidfeld. Massa não aceitou ceder o seu posto e causou um verdadeiro mal-estar na Sauber – apenas seis pilotos marcavam pontos naquela época. Nem tanto pelo fato do alemão correr diante de sua torcida, mas por Heidfeld ser o queridinho da equipe. A briga foi tamanha que, em outra oportunidade, ainda em 2002, situação semelhante aconteceu, e aí, sim, Massa não teve alternativa.

Nem assim o brasileiro convenceu o chefão Peter Sauber, que aceitou de volta o piloto, que classificou como “mais maduro” para as temporadas de 2004 e 2005, antes de se transferir como grande promessa para a Ferrari.


 

No início de sua trajetória na Williams, Massa ouviu nova ordem para deixar passar. E a ignorou

Casa nova, problema antigo
 


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Após a ameaça de inclusive ficar a pé para 2014, Massa assinou com a Williams e até chegou com o inédito status de primeiro piloto. Mas esse rótulo não durou duas corridas. Sina, provocação ou só mesmo fato de corrida, Massa ouviu de novo a mesma frase, no GP da Malásia. Desta vez era o finlandês Valtteri Bottas que estava mais rápido e precisaria da sua sétima colocação.

“Valtteri está mais rápido que você. Não o segure. Ele tem pneus melhores que os seus. Precisamos deixá-lo seguir”, veio a voz do rádio.

Na entrevista após a prova, o já experiente piloto colocou a faca nos dentes como havia feito nas pistas e endureceu a conversa, mas não apostou em um clima ruim para a sequência do campeonato.

“Estava lutando com o Jenson [Button, sexto colocado] até o fim. Definitivamente, era o meu objetivo marcar o máximo de pontos para o time e para mim também. Estamos lutando pelo campeonato e estamos na segunda corrida. Tentei o melhor que pude e Valtteri [Bottas, oitavo colocado] não conseguiria me ultrapassar e também acho que seria difícil ultrapassar Jenson”, disse Massa.

“Acredito que as coisas ficarão em paz, não acredito que as coisas ficaram estranhas na garagem. Acredito no time, estou trabalhando, fazendo meu melhor para ajudar o time, assim como ele também.”

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Apesar do discurso entusiasmado, naquele ano Massa não cumpriu o dito status de primeiro piloto e terminou na sétima classificação do Mundial, com Bottas na quarta posição.

No último domingo (29), Massa teve boas chances no GP da Bélgica, mas sofreu com o desgaste dos pneus nas voltas finais e terminou na décima colocação. O piloto perdeu posições para o companheiro Bottas (oitavo) e Kimi Raikkonen (nono).

A F1 volta no próximo domingo, no GP da Itália, a 14ª etapa do calendário. O local foi palco da última vez que Massa esteve no pódio pódio, pela Williams, em 2015.

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