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Peço desculpas por usar uma expressão francesa para falar sobre a vitória de um piloto inglês de uma equipe alemã em solo italiano, mas foi isso mesmo: 'déjà vu' – ou, traduzindo da língua de Asterix, “já visto”. Pela quarta vez seguida, desde a introdução das unidades de potência híbridas na Fórmula 1 em 2014, a Mercedes foi a equipe vencedora do GP da Itália em Monza. Dessas quatro, três conquistas foram com Lewis Hamilton.

Não que o resultado tenha sido surpreendente, mas os mais otimistas – principalmente os tifosi – tinham uma esperança antes do começo do fim de semana, apoiada no desempenho da Ferrari em 2017. Os carros vermelhos estão quase com o mesmo desempenho dos prateados, inclusive colocando Sebastian Vettel na liderança do campeonato antes da prova italiana.

Só que a caótica classificação na pista molhada serviu não só para reafirmar a grande forma de Lewis Hamilton, como jogou os pilotos da Ferrari mais para o meio do grid. Com a corrida rolando, neste domingo (3), Hamilton fez uma prova tranquila lá na frente, beneficiado pela vantagem que construiu. Enquanto isso, o companheiro, Valtteri Bottas, fez um trabalho quase perfeito na primeira metade do GP italiano, subindo na classificação e se estabelecendo rapidamente na segunda posição – o lugar perfeito para beneficiar o parceiro inglês.

Largada do GP da Itália, com Hamilton mantendo a ponta

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Vettel até tentou fazer o mesmo que Bottas, mas estabilizou na terceira posição, enquanto Kimi Räikkönen sofreu com o seu SF70H. Na parte final da prova, o finlandês não conseguiu resistir ao avanço de Daniel Ricciardo, da Red Bull, que tinha largado em 16º por conta das punições, e acabou em quinto.

Este pode não ser o resultado ideal para uma corrida em casa e para o momento no qual a Ferrari escolheu para comemorar os seus 70 anos de existências, mas, em um final de semana no qual tudo deu errado, deixar a Itália com Velttel apenas três pontos atrás de Hamilton – e pensando que a próxima pista favorece a equipe vermelha – não é tão ruim. Mas é pessímo quando lembramos que, antes da Bélgica, o alemão tinha uma vantagem de 14 pontos na liderança.

O curioso, que mostra até o equilíbrio do campeonato e dá uma esperança a mais para os italianos, é que, com os primeiros lugares na Bélgica e na Itália, Hamilton é o primeiro piloto a ter duas vitórias seguidas em 2017 – isso após 13 etapas, o que mostra o equilíbrio da temporada. 

Vale dizer que até mesmo o resto da corrida foi uma repetição de episódios passados: Fernando Alonso reclamando no rádio e abandonando com problemas na McLaren, Max Verstappen cometendo erros por conta da afobação, Jolyon Palmer errando por incompetência e por aí vai. É algo que vem marcando 2017: um campeonato disputadíssimo cheio de corridas monótonas. 

Lance Stroll: bom desempenho em Monza (Lance Stroll em ação na pista de Monza)

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O que não foi déjà vu mesmo foi o desempenho de Lance Stroll. O canadense teve uma classificação incrível em pista molhada e, beneficiado pelas punições da dupla da Red Bull, largou em segundo – o mais jovem a partir da primeira fila em uma corrida da F1, com 18 anos. Neste domingo, o canadense fez uma corrida consistente e, sim, perdeu algumas posições, mas sabemos que a Williams atual pouco pode frente a carros como Mercedes, Ferrari, Red Bull e até mesmo a Force India de Esteban Occon – por mais que Lance tenha andado perto do francês. No final, Stroll terminou a prova com um bom sétimo lugar, inclusive fechando a porta para o companheiro Felipe Massa na última volta.

Lance vem evoluindo de forma nítida, por mais que ainda exista um longo caminho pela frente para o piloto. Se no começo do ano ele brigava com o carro e batia quase sempre, agora (principalmente após o pódio no Azerbaijão) já consegue os resultados esperados de alguém que está pilotando o FW40, com seus problemas e soluções.

A F1 retorna em 17 de setembro, com o noturno GP de Singapura. Será que Vettel conseguirá se beneficiar de uma pista melhor para a Ferrari para retomar a liderança? Ou Hamilton irá disparar para conquistar o tetra? Vamos ver. 

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