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Quando se lista os maiores circuitos da história do esporte a motor no mundo, naturalmente a F1 caminha lado a lado dos grandes autódromos do planeta. Mas há traçados, igualmente clássicos, que jamais tiveram a chance de receber um GP do Mundial. Então, aproveitando a volta da maior das categorias à França neste fim de semana, o GRANDE PREMIUM destaque as dez pistas que deveriam ter feito parte do calendário em algum momento dos quase 70 anos da Fórmula 1.

Arctic Circle Raceway
O principal circuito da Noruega é, também, o mais setentrional circuito com capacidade de receber a nata do automobilismo mundial. Distante 960 km de Oslo e 30 km do Círculo Polar Ártico, o local possui asfalto especialmente preparado para resistir às duras condições climáticas e também é palco de esportes de inverno. Além disso, tem variações atrativas para testes realizados no local.
Dentre as principais competições realizadas no traçado de 3,753 km, destaca-se o campeonato sueco de turismo. Devido à localização geográfica, a pista, no verão, conta com seguidas semanas de sol ininterrupto. Desse modo, corridas de enduro podem ser realizadas sem preocupação com iluminação artificial. Construído em 1995, o Arctic Circle, porém, nunca alcançou, devido ao isolamento, o sucesso pretendido.
(Arctic Circle Raceway)

Mount Panorama
No território australiano de Nova Gales do Sul, mais precisamente na cidade de Bathusrt, encontra-se o circuito de Mount Panorama. Com 6,213 km de extensão, o autódromo possui, na verdade, trechos de rua especialmente fechados durante dias de competição — dentre quais se destacam as 12h de Bathurst e Bathurst 1000.
Assim como Laguna Seca, as variações de terreno dão o tom em Mount Panorama e, na descida da montanha que batiza o local, inicia-se a Conrod Straight, que possui mais de 100m de descida. Na reta, é comum ver carros de turismo ultrapassarem 300 km/h e, antes de reformas, imperfeições típicas de trechos rodoviários eram capazes de causar decolagens fatais.
Mesmo sem ter recebido a F1 em suas dependências, Mount Panorama foi o local onde faleceu o campeão mundial Denny Hulme. O neozelandês pilotava uma BMW M3, durante a edição de 1992 da Bathursrt 1000, quando morreu. O piloto relatou visão turva aos membros de sua equipe e começou a perder o controle do veículo durante a descida principal. Após atingir o muro, oficiais de prova encontram-no imóvel no veículo.
Chegando ao hospital, descobriu-se que o piloto, já sem vida, havia sofrido uma parada cardíaca.
(Mount Panorama)

Snaefell
Sede de uma das mais tradicionais — e mortais — provas do motociclismo, o Mountain Course de Snaeffel, na Ilha de Man, recebe anualmente pilotos em busca da vitória nos Isle of Man TT.
Com mais de 60 km e 219 curvas, o traçado circula pela ilha britânica e conta com longas retas, variações altimétricas e giros estreitos que vitimaram mais de 250 pessoas ao longo das décadas, incluindo pilotos, espectadores e fiscais.
O local é famoso pela presença exclusiva das competições de motos, de modo que é um dos poucos circuitos do mundo que são notórios apenas pela presença das duas rodas. Apesar disso, carros ocasionalmente fazem testes em Snaefell e, em 1993, a Jordan levou seu F1 para uma volta no local. A experiência foi feita durante um dia de chuva e com pneus lisos. Não houve acidentes na sessão.
(TT ILHA DE MAN 2018; Snaefell; REPRODUÇÃO)

Sebring
Situado a 230 km de Daytona, Sebring foi na contramão de seu vizinho e recusou a forte vocação à Nascar ou alguma outra categoria específica. Dessa forma, o autódromo, que é dos mais antigos em funcionamento contínuo nos EUA, se destacou como um dos principais destinos das categorias de GT na América do Norte e tornou-se sede das tradicionais 12h de Sebring, inspiradas nas 24h de Le Mans.
Construído sobre um antigo aeródromo da Segunda Guerra Mundial, o autódromo conserva parte do pavimento original da base. Assim, as longas fendas entre as placas de concreto geram faíscas e vibrações nos carros que dificultam a pilotagem.
Apesar de nunca ter recebido a Fórmula 1 após as cinco remodelações que sofreu ao longo das décadas, a antiga Sebring recebeu, em 1959, o primeiro GP dos EUA da categoria. A prova pioneira foi vencida por Bruce McLaren e seu baixo público pagante fez com que a disputa nunca mais voltasse ao local.
(12 HORAS DE SEBRING; SEBRING; FLÓRIDA; REPRODUÇÃO)

Circuito da Guia
Localizado na península chinesa de Macau, o circuito possui nome oficial em português — herança da colonização ibérica no local — e 6,2 km de extensão divididos em 19 curvas.
O local é sede da tradicional prova da Fórmula 3, além de receber o WTC e o GT Cup. O recorde de um F3 na pista pertence a Sérgio Sette Câmara, que obteve a marca em 2015.
Apesar de nunca ter recebido a F1 e ter visto Baku entrar como o novo circuito de rua da categoria, Macau recebeu inúmeros pilotos da categoria. Ayrton Senna, inclusive, venceu no local em 1983, a bordo de seu F3 britânico.
(Circuito da Guia)

Daytona International Speedway
Ao contrário do Indianapolis Motor Speedway, o tradicional circuito de Daytona, na Flórida, nunca recebeu a Fórmula 1 ao longo de 59 anos de história. Sede da famosa Daytona 500, da Nascar, o local, porém, possui também um traçado misto, utilizado nas 24h de Daytona. A prova é intencionalmente realizada durante o inverno e com a iluminação da pista limitada a 20% da capacidade, de modo que os carros fiquem dependentes de seus faróis.
Dentro do raio de suas arquibancadas, com capacidade para mais de 100 mil pessoas, encontra-se também o famoso oval e um traçado de terra, utilizado para competições de motocross. A Indy chegou a realizar testes no circuito, mas não obteve resultados satisfatórios e não levou os monopostos para o local.
(Pipo vibrando com o triunfo em Daytona (Foto: José Mario Dias))

Twin Ring Motegi
De breve história, o circuito japonês situado na cidade de Motegi foi construído em 1997 pela Honda, no esforço de levar a Indy para o Japão. A empreitada deu certo e, em suas 14 edições, em quatro vezes a Indy Japan 300 teve vitórias de brasileiros. Apesar de contar com traçado oval e de estrada, os dois se interceptam em dois pontos, mas sem compartilharem trechos. Essa característica torna muito ruim a visibilidade dos espectadores durante as provas no trecho não-oval.
Mesmo com a saída da Indy, a MotoGP segue firme no local, e, desde 2004, sedia lá sua etapa japonesa. Em 2011, porém, a edição foi especialmente polêmica, pois, devido ao acidente nuclear de Fukushima, Casey Stoner e Jorge Lorenzo propuseram a retirada do evento do calendário, por temores quanto à radiação. Após análises de técnicos da OMS e agência australiana de proteção nuclear, entretanto, concluiu-se que 120 km de distância entre Motegi e Fukushima eram mais que suficientes para permitir o corrimento seguro da corrida.
(Twin Ring Motegi; MOTEGI; REPRODUÇÃO)

Elkhart Lake
Outro circuito que jamais esteve nos planos da F1 é de Elkhart Lake. A pista, também conhecida como Road America, está localizada no estado do Wisconsin e possui 6,515 km. O circuito foi projetado por Clif Tufte e inaugurado em 1955. É um traçado dos mais desafiadores com grandes retas, freadas fortes, trechos em subidas e descidas de alta velocidade. Há quem enxergue o lugar como uma espécie de irmã da belga Spa-Francorchamps.
A pista recebe a etapa da Indy e é palco da corrida da Xfinity, a série de acesso à Nascar. Foi lá que o Nelsinho Piquet conquistou seu primeiro triunfo na categoria. O circuito também recebeu diversos campeonatos americanos de turismo e motos.
Por sua natureza velocíssima, esse circuito foi palco de incidentes sérios, como da inglesa Katherine Legge. Foi lá também que Cristiano da Matta sofreu o pior acidente de sua carreira. Durante um teste em 2006, o brasileiro atropelou um cervo que invadiu a pista e ficou severamente ferido. A recuperou foi demorada, mas o mineiro voltou às competições.
(ROAD AMERICA; Elkhart Lake; REPRODUÇÃO)

Circuito de la Sarthe
Sede das tradicionais 24h de Le Mans, o circuito, situado na cidade francesa homônima, foi aberto em 1923 e situa, desde então, a famosa disputa. Dentre os pontos notáveis do traçado, existe a reta de Mulsanne, que possui 6 km de extensão marcados por duas chicanes — inseridas após graves acidentes a altíssimas velocidades no local. As fatalidades, inclusive, motivaram a FIA a estabelecer limites para o comprimento de retas nos circuitos. A Mulsanne, quando não está sediando provas de automobilismo, pertence à rede rodoviária francesa.
Mesmo recebendo anualmente a MotoGP em suas dependências — na variante chamada de circuito de Bugatti —, La Sarthe recebeu, assim como Sebring, a F1 há muitas décadas atrás. Desse modo, a única vez que a categoria competiu no autódromo foi em 1967, com vitória de Jack Brabham. A corrida ocorreu na mesma variante utilizada pela MotoGP.
(24 HORAS DE LE MANS 2018; LE MAIS; REPRODUÇÃO)

Laguna Seca
Situado no condado de Monterey, no oeste da Califórnia, o circuito de Laguna Seca recebeu esse nome após ser construído sobre um rancho homônimo, fincado sobre o leito de uma antiga lagoa existente no local. Com 11 curvas no traçado, a mais famosa delas é conhecida como ‘Saca-rolha’, que se destaca por ser uma das mais difíceis variações no esporte a motor. Sua dificuldade deve-se à aproximação morro acima e com inúmeros pontos cegos, seguido de uma descida em ‘S’ com 18 metros de diminuição altimétrica.
Embora nunca ter sediado um GP, a volta mais rápida da pista pertence à um F1, sendo realizada pela Ferrari de Marc Gené em 2012. O circuito californiano chegou a ser preparado para receber, em 1988, a etapa americana da categoria, mas, de última hora, sua localização remota fez com que os organizadores preferissem a cidade de Detroit.
Apesar da recusa da Fórmula 1, o local já recebeu provas da MotoGP e da Indy, sendo o Saca-rolha cenário para ultrapassagens antológicas como a de Alessandro Zanardi para cima de Jimmy Vasser, Valentino Rossi em Casey Stoner e Marc Márquez no mesmo Rossi. Atualmente, destacam-se por lá o Mundial de Superbike, diversas provas do campeonato americano de superbike e as competições de turismo, além de constantes testes de equipes.
(Laguna Seca)