Antes da Rússia, apenas uma hecatombe poderia tirar o hexacampeonato de Lewis Hamilton. Após a prova em Sóchi, a situação é ainda mais confortável para o inglês. Independente da matemática, é apenas questão de tempo para que o piloto da Mercedes se sagrar o campeão da Fórmula 1 em 2019. 

Hamilton não irá admitir, mas estamos em uma contagem regressiva para o sexto título dele. Justamente no momento no qual a Ferrari tem o melhor carro do grid.

Dessa vez, a Mercedes comemorou a dobradinha na Rússia – mas a comemoração pelo título deve acontecer em breve

Depois de uma primeira metade de temporada quase arrasador de Lewis, a segunda parte do ano mostra a equipe italiana muito mais forte. Charles Leclerc chegou a ter 100% de aproveitamento no pós-férias, tanto em poles quanto em vitórias. São, aliás, quatro poles seguidas do monegasco, igualando o número de Michael Schumacher em 2000. Não é pouco.

Só que a situação de Hamilton seguia confortável. O inglês não precisava mais superar a Ferrari para ter o hexa – terminar em terceiro ou quarto em todos os GPs restantes já resolveria isso. Porém, a sorte virou em Sóchi e a improvável vitória veio – como pudemos acompanhar durante a corrida.

Faltam cinco provas para acabar a temporada, com Hamilton com 73 pontos de distância para Valtteri Bottas, segundo colocado e um segundo piloto que não deve ser um risco para o título do inglês. Mesmo que o finlandês vença todas as provas restantes e faça as voltas mais rápidas, Hamilton só precisa chegar em quarto lugar até o final do ano.

Considerando apenas aqueles que realmente são uma ameaça, Lewis tem 107 de vantagem para Charles Leclerc, 110 para Max Verstappen e 128 para Sebastian Vettel. O caso do inglês é o mais contundente: são apenas 130 pontos em jogo até o final do ano, considerando a bonificação extra da volta mais rápida. É provável que o tetracampeão seja “eliminado” dessa disputa na próxima prova, o GP do Japão.

O abandono deve custar caro para o Vettel em termos de campeonato

Ainda que um pouco mais difícil, pode acontecer o mesmo com Leclerc e Verstappen. É provável, porém, que ambos fiquem matematicamente fora da briga no GP do México, a corrida seguinte. E aí seria uma briga de compadres dentro da Mercedes. No pior dos mundos, o hexa viria aqui no Brasil. Na melhor, já no México – onde o #44 foi campeão em 2018 e em 2017. 

Isso não quer dizer que não há mais nada em jogo. Além do vice de pilotos – 34 pilotos separam Bottas de Leclerc, e 37 entre o finlandês e Verstappen – há a briga dentro da Ferrari. Os dois últimos GPs deixaram claro que Vettel está mordido com o bom desempenho do companheiro de equipe e reagiu, enquanto Charles precisa se firmar como uma liderança que ainda não é. Já Verstappen tem o desafio de vencer o GP do Japão, algo que é um grande objetivo para a Honda, que fornece motores para a Red Bull.

Na disputa por equipes, por outro lado, a Ferrari deveria focar em 2020. O vice-campeonato de construtores está quase garantido, enquanto o título só se houver um milagre – a Mercedes pode conquistar o campeonato já no Japão, caso haja uma nova dobradinha das Flechas de Prata. Afinal, a equipe alemã já está fazendo isso – o que pode garantir mais vantagens na temporada 2020.

Temporada 2020 que é, se nada mudar, a última do atual regulamento da Fórmula 1.

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