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Não adianta. Esse novo formato de treino classificatório tem que ser jogado fora para ontem.
Muita gente acreditou que poderia ser interessante, e não vou negar, leitor, eu também pensei que seria. Gostei, inclusive, bastante do Q1 no GP da Austrália — menos do Q2 e nada do Q3. Neste sábado, no Bahrein, nenhuma das três partes foi boa.
E aí vamos entrar justamente no mérito do texto que escrevi aqui no GRANDE PREMIUM na tentativa de compreender a mudança: o imediatismo da F1.
Dois objetivos: encontrar uma forma de misturar o grid e assim tornar as corridas melhores, e entreter mais os fãs nos autódromos. Os promotores pediram a mudança. Para quem vê na arquibancada, certamente está muito pior do que era. Os carros andam menos e é mais difícil de se entender o que está acontecendo.
Ao outro ponto: o grid parece um pouco mais embaralhado do que o normal, mas não há como saber se, utilizando o formato antigo, também seria assim. De qualquer maneira, o que daria mais emoção seria se a Mercedes se complicasse, e, em duas oportunidades, duas poles de Lewis Hamilton com Nico Rosberg em segundo. Ou seja, o objetivo não foi cumprido. É hora de admitir isso.
A corrida na Austrália foi ótima, é verdade, mas por outro motivo. A Mercedes se atrapalhou de outra forma, na largada. Hamilton era o sexto na curva 3, Rosberg estava atrás de Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen.

(F1 (Foto: Beto Issa))
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Este formato vai de encontro a um imediatismo maior que existe no público hoje. É videogame, é o ritmo do Twitter, o minuto a minuto. Assim como a decisão de introduzi-lo foi um pouco imediatista. As equipes alertaram que poderia haver problemas, a FIA já bateu o martelo de uma vez e homologou o regulamento. Tudo a menos de um mês do início do campeonato.
E foi deste mesmo imediatismo que Jean Todt tentou escapar ao manter o formato para o Bahrein. Fugir do calor do momento na Austrália e observar tudo mais racionalmente. O mundo de hoje reage muito exageradamente a tudo, disse o francês. É verdade.
Pois bem, Todt. Vimos tudo de novo, com a cabeça mais calma, e foi pior ainda. O Q1 e o Q2 não chegaram nem perto da emoção que houve na Austrália.
Como vai ser feito para se voltar atrás? Uma rara unanimidade na F1 se fará necessária. Acredito que vai acontecer. É bem improvável que alguém defenda este formato — a própria Force India, que disse publicamente que gostaria de ver uma repetição, não pretende barrar o retorno ao formato do ano passado se não tiver apoio.
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A F1 foi vítima de sua estrutura engessada nessa história toda. Muito se fala em mudar, pouco consegue se mudar. Quando apareceu a ideia, aprovaram de uma vez. Não houve o estudo apropriado. Quem faz as regras errou — e não adianta jogar na conta da FIA ou de Ecclestone. As equipes aprovaram o formato, bem como a Comissão da F1. Foi um erro generalizado.
A lição precisa ficar para as próximas alterações que vão ser feitas: que se estude, que se teste, que se tenha a plena certeza de que vai funcionar. Que a confecção do regulamento não seja uma mesa de negócios, em que tudo é decidido “democraticamente” com uns precisando ceder em um item para aprovar outro — se não tivéssemos esta classificação bisonha, era provável que estivéssemos lidando com lastros ou grids invertidos. Imaginem só se reformulam toda a programação do fim de semana, como está se estudando desde o ano passado, e sai mais uma cagada dessas. Ou então as ideias que virão para os GPs em si… Sinceramente, e tenho dito isso há algum tempo: as corridas são ruins, o problema é a Mercedes estar muito acima da concorrência.
Agora é assumir o erro deste início de ano e corrigi-lo. Quem sabe então, será possível falar do que realmente importa. “Ah, os carros são ruins”. Bem, Lewis Hamilton acabou de marcar a pole-position mais rápida da história do GP do Bahrein, pode ter passado despercebido por muita gente porque todos estavam reclamando do formato da classificação. Da McLaren, que claramente deu um passo à frente. Da Haas, que levou os dois carros ao Q2. Da competição.
Uma reunião vai acontecer amannhã de manhã para se avaliar tudo outra vez. Todt também disse que, para um lado ou para o outro, estava confiante de que haveria uma unanimidade. Sabemos para qual lado essa unanimidade precisa pender.