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A F1 entrou de férias nesta semana e volta só depois das Olimpíadas. Tempo para analisarmos o que aconteceu nos primeiros cinco meses da temporada. Foram disputadas 12 das 21 corridas, e Lewis Hamilton parece com o tri bem encaminhado após uma bela recuperação.

A Red Bull também vem bem, com um ano bem acima do esperado. Ao mesmo tempo, são dois exemplos de quem ficou abaixo das expectativas.

Quis aproveitar este momento para falar das estrelas, das surpresas e das decepções da F1 2016 até aqui.

O pódio do GP da Alemanha recebeu três dos melhores de 2016 (O pódio do GP da Alemanha (Foto: Getty Images))

AS ESTRELAS

  
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Lewis Hamilton

Para quem estava 43 pontos atrás, ir para as férias com essa vantagem de 19 é excelente. Hamilton em nenhum momento duvidou de sua capacidade: ele sabia que eram os problemas técnicos que o limitavam no início da temporada. Uma vez resolvidos, ele reagiu com duas grandes corridas em Mônaco e no Canadá, e depois arrancou para vencer quatro vezes no mês de julho. Lewis vai rumo ao tri — precisando apenas acumular aquela gordurinha para gastar quando precisar cumprir as punições por troca de motor.

Red Bull (e os seus pilotos)

Ficou claro que 2015 foi um ano à tarde: a Red Bull é a melhor equipe da F1. A recuperação do time em 2016, depois de toda a briga com a Renault no ano passado, foi impressionante, e o time já está à frente da Ferrari no Mundial de Construtores. E é claro que, assim, Daniel Ricciardo e Max Verstappen vão se destacando e muito. O holandês até chama mais a atenção por causa de sua juventude, mas não ignorem o que vem fazendo Ricciardo. É preciso fazer uma menção honrosa a Carlos Sainz, que vai fazendo um ótimo ano. Não foi o escolhido para subir para a Red Bull, mas está criando uma boa reputação. Se não tiver vaga na equipe principal, terá em outro canto.

Pérez já foi a dois pódios com a Force India neste ano (Sergio Pérez no seu segundo pódio do ano (Foto: Force India))

AS SURPRESAS

Kimi Räikkönen

Não deixa de ser uma surpresa ver o desempenho do finlandês neste ano — provavelmente por causa da expectativa que havia e das críticas que ele tanto recebe. Não só tem se classificado melhor que Sebastian Vettel nas últimas corridas como está à frente dele no Mundial de Pilotos: 122 a 120.

Force India

Apesar dos problemas com Vijay Mallya e do começo bem fraco, a Force India está caminhando para o melhor ano de sua história na F1. A equipe está só a 15 pontos da Williams na disputa pela quarta posição e está em um ritmo que vai superar os 155 pontos de 2014. O melhor de tudo: foi bem em pistas como Mônaco e Baku, que historicamente lhe seriam desfavoráveis. Um excelente trabalho para um time que vive todas aquelas dificuldades de ser uma equipe independente.

Haas e Grosjean

Excelente a estreia da Haas na F1. Era óbvio que o fôlego seria curto, mas o desempenho de Romain Grosjean na Austrália e no Bahrein foi de tirar o chapéu. Depois, o time já passou a focar no projeto de 2017, mas ainda pode sonhar com bons resultados neste ano, de acordo com as circunstâncias — é ficar de olho neles em pistas como Spa, Monza e Abu Dhabi.

Esperava-se mais da Ferrari neste ano (Sebastian Vettel (Foto: Carsten Horst))

AS DECEPÇÕES

Ferrari

Eu não estou tão decepcionado com a Ferrari como outros estão, mas é fato que a equipe não conseguiu evoluir. O começo de ano ainda foi bom, pressionando brigando pela vitória com a Mercedes na Austrália e no Bahrein. Também foi bem no Canadá. Acontece que quem venceu corrida foi a Red Bull, na Espanha, e os resultados para Vettel e Räikkönen acabaram ficando aquém. O calor que não deu as caras no verão europeu pode ser um fator, já que sabemos que o carro se dá bem nas altas temperaturas, e há de se levar em conta a saída de James Allison, que deixa o departamento técnico sem comando — Mattia Binotto é um cara de motores. Vettel, tentando andar mais do que o carro, vai pagando o preço e sendo bastante criticado também por parte da imprensa italiana.

  
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Williams (e os seus pilotos)

A Williams não conseguiu evoluir. Em parte, porque estabeleceu uma meta baixa no desenvolvimento do carro acreditando que seria o bastante. O resultado é que não só em pistas de baixa o time foi mal, como também em circuitos como o Red Bull Ring e Silverstone. São só seis pontos nas últimas quatro corridas. E essa falta de performance está refletindo nos pilotos: Massa começou a temporada bem antes de entrar em mais uma espiral negativa, mas até mesmo Bottas tem sido menos observado e elogiado. Foi ao pódio no Canadá, porém faz uma temporada discreta. 

Renault

A Renault está uma draga, mas era de se esperar. A aquisição da Lotus foi tardia e exigiu uma mudança drástica de rumo no projeto do carro pelo segundo ano seguido. Em 2015, a Lotus mudou para o motor Mercedes e desenhou um carro para aproveitar toda essa potência. Voltar para o motor Renault significa que é preciso jogar fora o que foi feito no ano passado. Isso ajuda a explicar a enorme diferença de rendimento em relação à Red Bull.

Daniil Kvyat

É um ano péssimo para Daniil Kvyat. Não só foi rebaixado para a Toro Rosso como só fez dois pontos desde então — mesmo número de vezes que foi eliminado no Q1. Carlos Sainz, neste mesmo período, fez 24 pontos a mais. Difícil ser pior.

           
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Os estreantes

Rio Haryanto e Jolyon Palmer estão em equipes fracas, mas ambos estão bem fracos e abaixo dos seus companheiros de equipe. Dessa leva, só se salva Pascal Wehrlein.

Sauber

Acabou o dinheiro, acabou o desempenho. A Sauber não poderia estar atrás da Manor no Mundial de Construtores. A equipe suíça é a 11ª colocada, pior posição de sua história, e vai ser muito difícil sair deste buraco. Dentro disso, Felipe Nasr começou o ano mal demais, mas está dando sinais de reação nas últimas corridas. É o que lhe resta.

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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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