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Que atire a primeira pedra quem nunca criticou um piloto da Fórmula 1. “Nunca cometeria o mesmo erro que o Nico Rosberg”, você, provavelmente, já disse em algum momento. “Não entendo porque o Felipe Massa não forçou mais nesse treino livre” é algo que certamente já saiu da sua boca. Ou, talvez, tenha dito aquela frase mágica: “Até eu teria sido campeão com esse carro da Mercedes”.

Bom, amigo, você não precisa mais ficar no “se”: está sendo lançado hoje (26), no Brasil, o F1 2016, o mais recente game da série F1 da Codemasters – que chega com versões para Xbox One, Playstation 4 e PC. Já testamos o jogo e podemos garantir: ele irá separar os meninos dos homens (ou, porque não, as meninas das mulheres). É a hora da verdade para saber se você tem alguma habilidade para pilotar um carro da Fórmula 1!

O título chega com todas as 11 equipes do mundial deste ano, incluindo a novata Haas. Também estão presentes todos os circuitos, inclusive o estreante GP da Europa no Azerbaijão e o retorno do GP da Alemanha em Hockenheim. Os pilotos são aqueles que estavam perfilados na corrida alemã, com Max Verstappen já na Red Bull, trocando de lugar com o Daniil Kvyat – mas sem Esteban Ocon guiando pela Manor.

No primeiro uso do jogo, não há qualquer teste ou guia para ensinar um novato a usá-lo, algo que existia na série há alguns anos e que realmente faz falta. Como estamos falando de um jogo baseado na Fórmula 1, é de se esperar que ele instigue gamers que nunca jogaram qualquer outro título de corrida antes a experimentarem o F1 2016 – e tem a chance deles ficarem perdidos.

O F1 2016 chegou ao Brasil

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De qualquer forma, para quem está acostumado com games de corrida, é a mesma coisa de sempre: nos modos mais fáceis, há linhas de traçado na pista, que mudam de cor de acordo com a necessidade de reduzir a velocidade ou acelerar livremente. Você pode, ainda, contar com ajuda do controle de tração e frenagem, além de câmbio automático, que facilitam bastante. Porém, a novidade no F1 2016 é que agora é possível fazer largadas manuais, com o jogador acionando a primeira marcha, acelerando, “pisando” na embreagem e tudo mais. O mesmo processo pode ser escolhido na hora dos pits, e aí fica por sua conta a responsabilidade de reduzir a velocidade na hora de entrar nos boxes.

Se tudo der errado, não tema: existe a função “flashback”, literalmente “voltando no tempo” caso você cometa algum erro mais grave.

Claro, você pode abrir mão de todas essas ajudas. E é aí que o bicho pega: o F1 fica muito difícil de ser controlado, com qualquer toque mais bruto no acelerador se transformando em um enorme problema. Se você for desses que quer sentir a dificuldade ao extremo, uma dica: deixe de lado o joystick. A única forma de conseguir isso é investindo em um bom jogo de volante e pedaleira.

Agora, se você está nessa apenas para se divertir, é possível ficar nas dificuldades mais fáceis e curtir os diversos modos do F1 2016. Entre eles, a possibilidade de correr contra o relógio nos 21 circuitos da atual temporada, além do “Corrida Rápida”, que permite escolher um GP, duração dos treinos e da corrida para se divertir rapidamente, sem muito compromisso. Há, ainda, um “Modo Online” para acelerar contra amigos ou pessoas aleatórias na internet.

O jogo começa a ficar sério no “Temporada de Campeonato”. Nele, você escolhe encarnar um dos 22 pilotos do grid para disputar a temporada completa de 2016. Treinos livres, classificações e GPs vão estar à sua disposição com o único objetivo: ficar na frente e somar o maior número de pontos. Aqui você pode escolher qual é a sua diversão: calçar as luvas de Lewis Hamilton e sentir se, como ele, você tem a capacidade de liderar o campeonato; encarnar o Felipe Massa e ver se você consegue figurar mais nos pódios do que o brasileiro; ou ainda pegar uma equipe do meio para trás do pelotão, passando o tempo enquanto luta por posições sem muito compromisso.

O jogo chama atenção pela imersão proporcionada ao gamer

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Porém, a grande novidade – e carro-chefe da nova versão – é o “Modo Carreira”. Depois da ausência no F1 2015, ele retorna agora com um total de dez temporadas para mostrar que a vida de piloto não é só sentar no carro e acelerar.

Tudo começa com o próprio jogador escolhendo por qual dos 11 times quer correr. Dá para optar pela Mercedes e sair por aí vencendo corridas logo de cara, mas a diversão não é, exatamente, essa. O ideal aqui é escolher uma equipe do meio do pelotão para trás, procurando crescer responsabilidades, desempenho e habilidades junto com todo o time.

Depois, é possível adicionar o próprio nome e escolher um dos números vagos para ser seu, além de um rosto e de um capacete. Dessa forma, você realmente se torna um piloto de F1, o que é incrível.

Quando o jogo começa, o equilíbrio de forças é bem próximo ao da vida real. Cabe ao jogador, a partir daí, cumprir metas nos treinos, testar pneus e recolher informações para o time evoluir com o carro. O jogo traduz essa “experiência” em pontos, que depois podem ser “aplicados” em melhorias para o bólido. É uma forma bem interessante de transformar em um jogo uma dinâmica que existe dentro dos times reais. Ah, sim: ter mais ou menos poder financeiro na equipe também influencia nesse processo de desenvolvimento.

O F1 2016 permite que os jogadores desenvolvam os carros ao longo da temporada

O “Modo Carreira” também transforma em “joguinho” toda a dinâmica de disputa entre rivais no grid. Pode ser seu companheiro de equipe, o cara que você venceu na corrida passada ou aquele que deu um “totó” no último treino: ele se tornará seu rival e, ao vencê-lo, o jogador ganhará mais status dentro do circo da F1. De forma similar, existe um índice de aprovação do piloto dentro do próprio time.

Corrida a corrida, meta a meta, é possível melhorar o carro e disputar posições mais a frente, ou até vitórias. Você pode escolher levar a sua própria equipe ao topo, ou ainda aceitar o convite de defender um time de maior renome.

Porém, nem tudo na carreira de piloto é tão belo assim. Se a dificuldade do jogo estiver dentro das suas capacidades, nem sempre você conseguirá bater as metas. O carro nem sempre é perfeito, também: comigo, cheguei a ficar as últimas voltas de uma prova sem a sexta marcha, o que foi bem preocupante e me fez perder rendimento. Em outro GP, exagerei na agressividade e furei o pneu dianteiro esquerdo na última volta. Resultado: caí do primeiro para o 11º lugar.

É isso que deixa o F1 2016 tão interessante. Quando você reparar, estará batalhando no TL1 para cumprir as metas do time e evoluir com o carro. Uma amostra do trabalho em equipe que pouco aparece na categoria, além de deixar claro que um bom desempenho é resultado de muito esforço.

Quem sabe, com tudo isso, não seja possível acabar com a hegemonia da Mercedes. Afinal, tanto no jogo quanto na vida real, são as Flechas de Prata que dominam praticamente todas as corridas.

Tudo isso é embalado com ótimos gráficos das pistas da F1, ao menos quando você está no volante. Os problemas aparecem mesmo é fora dos carros, principalmente nos rostos dos pilotos, que não parecem lá muito reais. Fica claro que a equipe da Codemasters se empenhou mais naquilo que realmente importa na hora de acelerar.

Até por isso, a física do jogo também é bem próxima da real. Sem ajudas, o F1 é quase incontrolável para alguém inexperiente – o que é exatamente um reflexo disso. As possibilidades de acerto dos carros também são interessantes, também evoluindo e dando mais opções à medida que o grau de dificuldade é aumentado. 

O que poderia realmente melhorar é a localização. A dublagem é apenas uma reutilização daquela do F1 2015 (inclusive chegando ao cúmulo de, em certas falas, ninguém ter trocado “Lotus” por “Renault”), repetindo os mesmos problemas. David Croft e Anthony Davidson, que fazem a apresentação na britânica Sky Sports, são apenas dublados na versão brasileira – o dublador do Croft até se esforça, mas o do Davidson fala sem qualquer emoção ou entonação.

Teria sido mais interessante chamar algum piloto brasileiro para fazer a função de Davidson, com comentários locais. Faria mais sentido.

Ainda assim, são probleminhas que não apagam todos os acertos do jogo. O F1 2016 é um ótimo game para quem quer simulação e uma ótima diversão para quem quer apenas curtir a categoria que tanto gosta. E, mais do que isso, uma grande chance de sentir um pouco das responsabilidades daqueles pilotos tão criticados e elogiados…