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Apesar de um ou outro comentário – como os de Lewis Hamilton – todo mundo imaginava que a Fórmula 1 em 2017 representaria uma evolução. Carros com visual mais agressivo, rodas mais largas e a possibilidade do domínio da Mercedes acabaram atraindo os fãs e o público em geral. Porém, ao fim do GP da Austrália, ficou um gosto amargo na boca. As promessas até que foram cumpridas, mas a 'nova F1' levou embora algo com o que tínhamos nos acostumado nos últimos anos: as ultrapassagens.

De certa forma, é possível dizer que a categoria voltou dez anos no tempo. Em 2007 os carros tinham diversos adereços aerodinâmicos e motores V8 aspirados. Apesar dos pneus sulcados, eram carros muito rápidos. No GP da Austrália daquele ano, Kimi Räikkönen, já na Ferrari, venceu a prova com um tempo total de 1h25m28s, com uma velocidade média de 215,8 km/h. Agora em 2017, Sebastian Vettel fechou a prova em 1h24m11s – com a diferença de que houve uma volta a menos, por conta da primeira largada abortada. Assim, o alemão teve uma velocidade média praticamente igual àquela do companheiro finlandês há dez anos, com 215,4 km/h. Nas duas provas não houve safety-car na pista.

Talvez a classificação nas duas oportunidades nos desse até estimativas mais aproximadas do quanto os tempos de volta estão parecidos, mas, em 2007, o tempo estava instável em Melbourne – com direito aos carros andando com pneus de chuva no começo do terceiro treino livre, pela manhã. Fica difícil fazer comparações.

Se fosse apenas isso, seria ótimo. Afinal, a F1 é conhecida por tentar limitar a velocidade de seus carros de tempos em tempos. Desta vez, foi um verdadeiro avanço – o GP da Austrália de 2014, o último sem safety-cars, foi completado por Nico Rosberg, da Mercedes, em 1h32m58s, com uma velocidade média de 195 km/h.

No entanto, o 'resgate' de tempos passados não foi apenas este.

O único momento de emoção do GP: a largada

O retorno do downforce extra, combinado com pneus extremamente resistentes da Pirelli, tornou as ultrapassagens quase que impossíveis na última corrida. Nos últimos anos, com o regulamento colocado em prática a partir de 2009, tivemos uma média de 41 ultrapassagens por corrida – bem mais do que vimos na Terra dos Cangurus. Ainda é cedo para tirar conclusões após uma única corrida, mas é praticamente certo que voltaremos aos níveis de 2007 e 2008, quando a média era de 14 ultrapassagens por GP.

E olha que, hoje, há o DRS, que facilita as trocas de posição. Ou, ao menos, facilitava. 

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A grande diferença, e que agrava a situação atual, é o fato da borracha da Pirelli deste ano ser mais resistente do que aquela da Bridgestone em 2007. Naquela oportunidade, os ponteiros finalizaram o GP da Austrália com duas paradas. Agora em 2017 foi apenas uma.

Mais do que estratégia, perder ou ganhar tempo, o número de paradas e o desgaste da borracha influencia diretamente na tocada no piloto. Com uma parada a mais, ele se vê obrigado a acelerar mais, compensando o tempo que perderá nos pits. Se os pneus são mais resistentes, o piloto faz uma parada a menos – e, por outro lado, tem economizar os compostos, pilotando de forma mais comedida. Se todo mundo segue essa segunda estratégia, bom, diminuem as chances de erro ou de perda de grip, reduzindo as chances de ultrapassagem.

Vitória da Ferrari – em 2017 e 2007

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Não é só isso: em 2007, o ano começou com vitória da Ferrari. Agora em 2017 foi a mesma coisa. Há dez anos, Kimi Räikkönen largou na pole e liderou o GP por 52 voltas. Saiu do primeiro lugar apenas duas vezes, durante os pit-stops. No último fim de semana foi quase a mesma coisa: vitória da Ferrari, desta vez com Sebastian Vettel. A grande diferença é que o alemão não largou na pole, tendo ultrapassado Lewis Hamilton, da Mercedes, na estratégia. Valtteri Bottas – com duas voltas –, também da Mercedes, e o próprio Räikkönen – com uma – foram os outros líderes do GP.

Não que a Austrália seja pródiga em disputas pelo primeiro lugar – em 2014, por exemplo, Nico Rosberg liderou todas as voltas da corrida. Só chama a atenção, claro, a coincidência do domínio vermelho passados exatos dez anos.

Há, ainda, muita coisa para acontecer. Por mais que o horizonte pareça cheio de nuvens para quem esperava uma F1 disputada em 2017, vale lembrar que 2007 foi um grande ano na categoria. Sim, havia, menos ultrapassagens, mas a disputa interna entre Lewis Hamilton e Fernando Alonso na McLaren trouxe um grande tempero ao ano, resultando em um inesperado título para Räikkönen.

Se o regulamento não ajuda, vamos torcer, então, para um grande campeonato – nem que seja recheado de corridas chatas. 

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