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Muito mudou de um ano para outro em Maranello. Entre o começo de 2018 e o de 2019, a Ferrari passou por uma montanha-russa de emoções – da esperança de título com Sebastian Vettel à decepção, seguindo pela nova esperança na pré-temporada de 2019, agora com um novo começo decepcionante. Mesmo assim, engana-se quem pensa que não há diferenças entre um ano e outro: na temporada que se inicia, a equipe italiana já aparece com resultados consideravelmente abaixo dos vistos 12 meses antes.
Pode parecer coisa do passado distante, mas Vettel venceu os dois primeiros GPs de 2018, alcançando 50 pontos em 50 possíveis. A Mercedes certamente estava forte, mas não soube capitalizar. 12 meses depois, os papeis se inverteram de forma extrema: os alemães tiraram todo o proveito possível, enquanto a Ferrari não consegue nem impedir dobradinhas até aqui.
Os números chamam atenção. A dinâmica da forte dupla Vettel e Charles Leclerc, que prometia maximizar pontos, ainda não teve chances de vingar. O carro, que tanto prometeu em Barcelona, também não. Em um ano de duas dezenas de corridas, dois GPs ruins podem parecer apenas detalhe. Talvez sejam, da mesma forma que sejam o começo de uma ruína antecipada em 2019.
No Lado a Lado dessa semana, o GRANDE PREMIUM compara os números da Ferrari nos dois primeiros GPs de 2018 e de 2019.

A Ferrari tem um começo de 2019 preocupante… (A asa quebrada de Sebastian Vettel (Foto: AFP))
Classificação da F1 em 2018 após duas corridas
Mundial de Pilotos
1º) Vettel – 50
2º) Hamilton – 33
3º) Bottas – 22
4º) Alonso – 16
5º) Räikkönen – 15
Mundial de Construtores
1º) Ferrari – 65
2º) Mercedes – 55
Classificação da F1 em 2019 após duas corridas
Mundial de Pilotos
1º) Bottas – 44
2º) Hamilton – 43
3º) Verstappen – 27
4º) Leclerc – 26
5º) Vettel – 22
Mundial de Construtores
1º) Mercedes – 87
2º) Ferrari – 48

A Ferrari no começo de 2018
Ao contrário de 2019, 2018 começou com a sensação de que a Mercedes teria alguma vantagem sobre a Ferrari. Lewis Hamilton confirmou isso com uma pole incontestável na Austrália, em episódio que reacendeu o debate sobre o ‘modo festa’ do motor Mercedes.
Um dia depois, os sorrisos tinham mudado de lado. A Mercedes dormiu no ponto na estratégia e permitiu que, através de um safety-car virtual, Lewis Hamilton fosse superado por Sebastian Vettel. A Ferrari não venceu somente pela força do carro, mas o que vale é a pontuação ao fim do dia. Kimi Räikkönen foi terceiro, consolidando um começo com pé direito dos italianos.
O GP do Bahrein foi ainda melhor. Em uma pista que favorecia mais a Ferrari, parecia que ia pintar até dobradinha. Lewis Hamilton, com punição por trocar componente de motor, era uma ameaça muito menor ao largar em nono. Vettel, pole, tinha uma vitória fácil em mãos. Só ficou difícil no fim: quando Kimi Räikkönen atropelou a perna do mecânico Francesco Cigarini, o box italiano ficou bloqueado para atendimento. Sebastian foi forçado a fazer uma parada a menos, situação que quase fez Valtteri Bottas sair vencedor.
Mesmo assim, não há o que argumentar: foram 50 pontos em jogo e 50 conquistados por Vettel. No Mundial de Construtores, a Ferrari tinha honrosos 65, suficiente para manter a Mercedes, com 55, sob controle.
A Ferrari no começo de 2019
Depois de perder o título de 2018 após um segundo semestre dos mais decepcionantes, o jogo mudou para a Ferrari em 2019. O SF90 nasceu bem e conseguiu os melhores tempos na pré-temporada. O GP da Austrália se aproximava com a impressão de que a pole-position seria de Vettel ou Leclerc.
Nenhum dos dois. Lewis Hamilton fez a pole e, mesmo sem uma largada boa, quem estava em segundo para aproveitar era Valtteri Bottas, que se tornaria vencedor. Mais atrás, a Ferrari não conseguia ser nem a segunda força: Vettel se arrastou na pista, sendo ultrapassado por Max Verstappen. Leclerc, apesar de não ter ritmo tão brilhante assim, também queria passar Sebastian. Um pedido via rádio fez o monegasco se contentar com o quinto lugar.
Duas semanas depois, uma derrota ainda mais doída. Em um fim de semana que parecia destinado a ter vitória da Ferrari, com dobradinha incontestável na classificação, tudo deu errado no domingo. Vettel rodou sozinho, sendo vítima de um novo erro de julgamento, e cruzou a linha de chegada em quinto. Leclerc, que não cometeu um erro sequer na pista, foi traído por perda de potência e relegado ao terceiro lugar.
Assim, o segundo GP se encerrou com Leclerc como melhor no Mundial de Pilotos, mas apenas em quarto. O déficit para Bottas, líder, já é de 18 pontos. No Mundial de Construtores, vê-se uma surra: a Mercedes soma 87 pontos e já tem uma sólida vantagem de 39 sobre a Ferrari.