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A F1 viveu uma pré-temporada bastante singular em Barcelona neste ano. Os primeiros quatro dias de testes foram amplamente afetados pela instabilidade climática na Europa, que derrubou as temperaturas por toda a parte, chegou a nevar na pista catalã, o que resultou em uma séria redução das atividades das equipes. Já na segunda semana, o tempo ajudou, o sol voltou a brilhar, e isso permitiu aos times iniciarem de fato a preparação para o Mundial. E o que se pode perceber é que as três principais esquadras do grid trabalharam seriamente em seus projetos e trouxeram soluções diferentes, o que pode até alterar a hierarquia entre elas ao longo do ano. Por isso, o GRANDE PREMIUM analisa a performance e traça um paralelo sobre os testes de Ferrari, Mercedes e Red Bull no Circuito da Catalunha.

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google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;Os velozes
A equipe italiana foi quem mais ousou para 2018. Os projetistas seguiram uma linha mais arrojada em termos de aerodinâmica. A SF71H nasceu com maior downforce, entradas de ar mais altas, aletas mais agressivas nas laterais e com uma distância entre os eixos um pouco maior, em uma tentativa de se colocar mais veloz em pistas de alta velocidade. Uma opção na busca por alcançar a rival prateada. O importante é que o carro ferrarista é velocíssimo, e isso ficou claro durante os trabalhos na pista catalã.
Uma vez mais, a Ferrari mostrou ter um motor forte e um carro confiável. A parte aerodinâmica funcionou, mas há preocupações nas garagens ferraristas quanto ao consumo de combustível e a necessidade de melhora de alguns aspectos do chassi. Ao falar sobre a performance, Vettel deu a entender que ainda há alguns enigmas a serem desvendados em Maranello. “Ainda há algumas questões que precisamos entender nesse carro”, disse o tetracampeão, depois de cravar o melhor tempo na quinta-feira.
De qualquer forma, os italianos lideraram a pré-temporada. E, em pouco mais de 900 voltas, não apresentaram qualquer problema de confiabilidade.
Diferentemente da Mercedes, a escuderia de Maranello trabalhou mais com o carro leve, andou por muitas voltas com os compostos mais macios da Pirelli e foi em cima dos novos pneus, os hipermacios, que Sebastian Vettel cravou a volta mais rápida das duas semanas de testes: 1min17s182, ainda na quinta-feira. O giro agora é o recorde extraoficial da atual configuração do circuito de Montmeló. Kimi Räikkönen, por sua vez, completou a dobradinha ferrarista.
(Vettel)
Os números da Ferrari
SEBASTIAN VETTEL
Melhor tempo: 1min17s182 (sétimo dia)
Pneus: Hipermacios
Voltas: 643
Km: 3.043
KIMI RÄIKKÖNEN
Melhor tempo: 1min17s221 (oitavo dia)
Pneus: Hipermacios
Voltas: 286
Km: 1.330

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Os desafiantes
“Acho que estamos prontos e bem melhor preparados”. A frase é de Daniel Ricciardo, que se mostrou contente com a evolução da Red Bull e o fato de a equipe ter sofrido bem menos em 2018. Para o australiano, os energéticos fizeram a lição de casa, e isso ficou claro na pista. De fato, a equipe austríaca adotou também soluções inteligentes do ponto de vista aerodinâmico, em termos de assoalho também, além de direcionar melhor o ar. Assim, o RB14 é um carro estável. E entende-se que seja tão rápido quanto o da Mercedes, especialmente em curvas e voltas lançadas. Em ritmo de corrida, porém, ainda não.
A diferença, é claro, está no motor. Durante a pré-temporada, a Renault optou por um desempenho mais conservador, com o objetivo de evitar problemas de confiabilidade em um momento em que o rubro-taurinos buscavam quilometragem. Quer dizer, parte do desempenho foi comprometida pela unidade de potência.
A Red Bull não passou os testes incólume. Enfrentou problemas de motor e também de erros de pilotos, como a escapada que Max Verstappen deu enquanto fazia uma simulação de corrida na quinta-feira. Ainda assim, o desempenho dos austríacos chamou a atenção da Mercedes. James Allison, diretor-técnico do time alemão, vê o time como uma ameaça real. “Certamente, vão estar na briga com a gente”.
No fim, Ricciardo chegou a liderar dois dias dos oito em que a F1 andou em Barcelona. E fechou as atividades com a quarta melhor marca, alcançada na quarta-feira, andando com os pneus hipermacios em condição de classificação. Verstappen, por outro lado, não teve a chance de testar velocidade e acabou tendo um dia prejudicado pelo erro.
(Red bull Xavi Bonilla)
Os números da Red Bull
DANIEL RICCIARDO
Melhor tempo: 1min18s047 (sexto dia)
Pneus: Hipermacios
Voltas: 364
Km: 1.694
MAX VERSTAPPEN
Melhor tempo: 1min19s842 (sétimo dia)
Pneus: Macios
Voltas: 419
Km: 1.949

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Os favoritos
Uma vez mais, a Mercedes esbanjou confiabilidade e quilometragem em Barcelona. Como tem feito desde a chegada da era dos motores V6 híbridos, a equipe alemã foca no ritmo de corrida e minimiza as tentativas de voltas lançadas. O objetivo é checar todos os sistemas e conhecer o novo carro. O W09 é claramente uma evolução do W08. E segundo Lewis Hamilton, não é uma ‘diva’. Ou seja, não tem um comportamento instável como o antecessor. Parece muito mais fácil de se lidar.
Nem Hamilton e nem Valtteri Bottas tiveram problemas graves ao rodar com o modelo, que parece ter nascido para ambos. É veloz e veio com uma distância entre os eixos menor, uma forma de ganhar desempenho em circuitos de média e baixa velocidade, o grande calcanhar de Aquiles da Mercedes no último ano. Os projetistas também afinaram a parte dianteira do carro e melhoraram o fluxo de ar por meio de aletas nas laterais.
A verdade é que os atuais campeões apresentaram um programa técnico bem diferente durante a pré-temporada. Enquanto Ferrari e Red Bull testavam com pneus mais macios e voltas com pouco combustível, a esquadra prateada seguia com o trabalho pesado de andar com os compostos mais duros e ritmo de corrida. Os dois pilotos até chegaram a usar os supermacios e ultramacios, mas nunca com o carro leve. E isso explica a décima posição de Bottas na tabela geral e a oitava de Hamilton.
Mas não se engane, os alemães continuam muito fortes. Tanto que, em cima dos pneus mais duros, foram quase 1s mais rápidos que a concorrência direta. E mais de 1s6 melhor do que o restante do grid. O segredo da Mercedes em parte atende pelo motor, que é poderoso e confiável. Só que o chassi também se mostrou impecável.
(Hamilton Mercedes)
Os números da Mercedes
LEWIS HAMILTON
Melhor tempo: 1min18s400 (sexto dia)
Pneus: Ultramacios
Voltas: 456
Km: 2.122
VALTTERI BOTTAS
Melhor tempo: 1min18s560 (sexto dia)
Pneus: Ultramacios
Voltas: 584
Km: 2.717