A temporada do esporte a motor acabou de vez no último final de semana, com a prova de abertura do campeonato de 2018/19 da Fórmula E na Arábia Saudita. Aproveitando o encerramento das atividades de pista, o GRANDE PREMIUM elaborou uma lista com dez grandes corridas do ano. 

 

A lista conta com quatro corridas da temporada cheia de altos e baixos da F1, duas da sempre empolgante MotoGP, duas do primeiro ano de novos kits universais da Indy, além de uma da Moto3 e uma da Stock Car.

 

O GP*, então, apresenta sua lista com dez grandes corridas que marcaram a temporada 2018 do esporte a motor, lembrando que o GP do Azerbaijão da F1 foi eleito, pelos leitores do GRANDE PRÊMIO, como a melhor prova do ano.

GP DA ITÁLIA DE F1

 

A primeira corrida na lista vem da F1 e, indiscutivelmente, foi uma daquelas que mudaram os rumos da temporada. Quando Sebastian Vettel ainda conseguia acompanhar Lewis Hamilton, quando ainda havia uma briga para ver quem seria o pentacampeão, aquele início em Monza mudou tudo.

 

Após ser superado pelo companheiro Kimi Räikkönen na classificação – que quebrou um jejum gigantesco sem poles -, Vettel se afobou totalmente na largada. Não conseguiu superar o finlandês e, para piorar, foi atacado por Hamilton. Tentou se defender, tocou no rival e quem rodou foi o próprio alemão.

 

Tão dominante era a Ferrari na Itália que Vettel ainda conseguiu chegar em quarto mesmo despencando naquele início. Acontece que Hamilton conseguiu pressionar e passar Kimi para vencer, com Räikkönen e Valtteri Bottas fechando o pódio. Prejuízo enorme para Vettel que, depois daí, quase não se achou mais em prova alguma.
(Reprodução/F1)

CORRIDA 1 – LONDRINA 2 – STOCK CAR

 

Não é muito fácil memorizar todas as corridas da Stock Car pelo sistema de rodadas duplas, mas algumas ficam bem marcadas. A corrida 1 da segunda etapa que foi disputada em Londrina – que seria em Tarumã – foi uma dessas excelentes.

 

Rubens Barrichello venceu após boa disputa com Julio Campos e Ricardo Zonta, além de um acerto na estratégia de paradas. Mas, mais do que isso, a corrida ficou marcada pela quantidade impressionante de boas disputas, de ultrapassagens e até de erros, com muito desgaste de pneus e imprevisibilidade total.

 

Campos mesmo foi um que passou Zonta na última volta por erro do piloto da Shell, enquanto o campeão Daniel Serra se deu melhor na briga com Marcos Gomes quando o piloto da Cimed escapou. Além disso, ainda foi etapa crucial para o campeonato, já que Felipe Fraga tinha tudo para vencer e, com um erro da Cimed nos boxes, acabou despencando para décimo. Corridão e ainda importante para o bicampeonato de Serra.
(STOCK CAR 2018; LONDRINA; RUBENS BARRICHELLO; FERNANDA FREIXOSA; VICAR)

GP DE IOWA DA INDY

 

Em um ano em que os ovais foram o Calcanhar de Aquiles da Indy e de seus novos kits aerodinâmicos universais, Iowa teve uma corridaça. Com direito a atuações completamente pífias de Ganassi e Andretti – as duas equipes que efetivamente brigaram pelo título em 2018 – e diversas equipes menores no bolo de líderes, o oval curto foi um dos destaques do calendário.

 

A vitória ainda foi bastante especial por ficar com James Hinchcliffe, não só um piloto da modesta Schmidt Peterson, mas um cara que havia ficado de fora da Indy 500 e precisava recuperar a confiança. Seu maior rival nas voltas finais foi um intenso Spencer Pigot – da também não muito grande Carpenter -, que finalmente foi coroado com um resultado do tamanho de seu talento.

 

O pódio foi completado por Takuma Sato, brilhando com a RLL. Em quarto, Josef Newgarden saiu certamente irritado com a Penske por um erro nos boxes que custou sua vitória. Aliás, poderia ser uma vitória para impulsionar o bicampeonato. Nem perto disso aconteceu.
(INDY 2018; JAMES HINCHCLIFFE, GP DO IOWA; INDYCAR)

GP DA AUSTRÁLIA DE MOTO3

 

Albert Arenas venceu uma corrida em que 14 pilotos chegaram no mesmo segundo. Acho que apenas essa descrição seria mais do que suficiente para colocar a prova da Moto3 em Phillip Island em qualquer lista, mas a corrida foi além.

 

Para começar, Arenas e outros quatro adversários cruzaram a linha final na mesma casa decimal, uma coisa completamente absurda até para os padrões da sempre imprevisível Moto3. Além disso, Jorge Martín – que viria a ser campeão – chegou em quinto, sobrevivendo às brigas, enquanto Marco Bezzecchi foi derrubado e se complicou de vez na briga pela taça.

 

A corrida na fantástica pista australiana ainda gerou algumas das mais belas imagens da temporada com aquela quantidade absurda de motos tracionando em toda parte das curvas simplesmente pois não cabia todo mundo no traçado normal.
(A Moto3 teve uma corrida fantástica em Phillip Island)

GP DO ALABAMA DA INDY

 

A pista de Alabama basicamente virou a casa de Newgarden e o americano lá venceu mais uma vez em 2018. Só que não dá para resumir aquela que foi, possivelmente, a melhor corrida da Indy desta forma.

 

Para começar que a corrida ficou para segunda-feira por conta de uma chuva pesada que caiu pelos lados de Barber. Aí, na segunda, ela resolveu voltar nas voltas finais e embaralhou tudo, forçando Newgarden a ir aos boxes e todo mundo que estava o cercando também.

 

Só que isso não serviu para Bourdais, que suportou até onde deu com os pneus de pista seca e quase beliscou a vitória. No fim, cheio de ultrapassagens, erros e brigas e com Bourdais tendo de parar e voltando em quinto, Newgarden venceu, com um renascido Ryan Hunter-Reay em segundo e Hinchcliffe em terceiro.
(Josef Newgarden no Alabama 2018)

GP DOS EUA DE F1

 

O GP dos EUA teve, pelo menos, duas semelhanças bem grandes em relação à prova em Monza. A primeira é que teve nova quebra de jejum de Räikkönen – agora com vitória. E a outra é que Vettel tentou segurar posição e tocou em rival rodando no fim – agora em Daniel Ricciardo.

 

A prova poderia ter sido a decisão do penta, mas Hamilton não aproveitou o match-point e, honestamente, não teve no melhor dos dias. Acabou superando por Kimi e por um Max Verstappen em um de seus grandes momentos, saindo de 18º do grid para segundo.

 

Vettel ainda conseguiu fazer nova corrida de recuperação impulsionado pelo ótimo carro da Ferrari e terminou em quarto, postergando a perda do título para a semana seguinte, no México.
(F1 2018; GP DOS ESTADOS UNIDOS; AUSTIN; FERRARI; KIMI RÄIKKÖNEN; VITÓRIA; LEWIS HAMILTON; MAX VERSTAPPEN; AFP)

GP DO BRASIL DE F1

 

A temporada da F1 chegou na reta final já com o título definido em favor de Hamilton, mas ainda dava tempo para uma senhora corrida em Interlagos. Lewis, aliás, venceu mais uma, mas passou bem longe de ser o principal destaque da prova.

 

Isso aconteceu porque Verstappen teve uma das maiores atuações dos últimos tempos na F1. Em uma pista que parecia ser péssima para a Red Bull, a equipe austríaca teve ótima performance no domingo e o holandês foi varrendo todo mundo que aparecia na sua frente.

 

Só que aí apareceu o retardatário Esteban Ocon. Na realidade, Esteban já vinha atrás de Verstappen, só que muito mais rápido que o líder. Tentou descontar a volta de atraso e os dois bateram, entregando a vitória no colo de Hamilton. No fim, uma antiga rivalidade da F3 Euro renasceu, com Verstappen xingando Ocon e ainda agredindo o francês na pesagem.
(Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

GP DA TAILÂNDIA DE MOTOGP

 

Quando alguém perguntar quem é Marc Márquez, poucas coisas vão conseguir resumir tão bem quanto a última volta do GP da Tailândia. Em uma pista em que diversas marcas estiveram fortes – incluindo a Yamaha -, o espanhol tirou a vitória da cartola.

 

Após insistir e conseguir passar seus rivais sempre no mesmo ponto – e tomar o troco em algumas oportunidades na reta -, Márquez resolveu inovar logo na última volta. Quando Andrea Dovizioso tentou defender o ataque de sempre, o espanhol não foi e conseguiu um drible mágico na curva seguinte, vencendo uma prova que parecia ter tudo para ir para a Ducati e para Dovizioso.

 

Ainda que tenha sido um ano de atuações brilhantes e de boa vantagem em relação aos rivais, a corrida na Tailândia foi uma que botou um ponto de exclamação no título de Marc.
(MOTOGP 2018; GP DA TAILÂNDIA; LARGADA; MARC MÁRQUEZ; HONDA; MICHELIN)

GP DA HOLANDA DE MOTOGP

 

A MotoGP teve um dia de Moto3 em Assen. Numa das pistas mais tradicionais do calendário, Márquez conseguiu outra vitória muito marcante em sua campanha do título. Foram seis pilotos passando pela liderança da corrida.

 

16s separaram Márquez de Pedrosa, o último piloto a pontuar, o que representou um recorde para a categoria. A chegada foi espetacular, cheia de toques e influenciada por um duelo pegado entre Dovizioso e Valentino Rossi, que abriram espaço para a formação do pódio.

 

Márquez conseguiu uma pequena folga de última hora e venceu, com Álex Rins e Maverick Viñales aproveitando o enrosco italiano e pegando top-3.
(MARC MÁRQUEZ GP DA HOLANDA MICHELIN MOTOGP 2018)

GP DO AZERBAIJÃO DE F1

 

A grande corrida do ano foi mesmo o GP do Azerbaijão, não tem jeito. Repetindo a corridaça que foi em 2017, Baku teve de tudo: muita ultrapassagem, grandes atuações, equilíbrio entre as equipes, acidentes e azares. Resumidamente, teve tudo que um fã de automobilismo gosta em uma mesma prova.

 

A vitória caiu do céu para Hamilton, em uma das atuações mais apagadinhas do inglês no ano. Bottas, que foi mal quase o ano inteiro, merecia o triunfo, mas abandonou com poucos metros para o final. Teve também uma batida de respeito que acirrou os ânimos na Red Bull.

 

Com apenas 13 pilotos chegando ao fim – sendo que Kevin Magnussen jogou Pierre Gasly no muro no fim e quase ambos também abandonam – e Räikkönen e a zebra Sergio Pérez no pódio, o GP do Azerbaijão foi entretenimento puro.