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Desde que emergiu à F1, a Haas teve amplo suporte técnico da Ferrari. Não apenas no que diz respeito ao fornecimento de motor, câmbio e tecnologias, mas teve um vital apoio para seu desenvolvimento enquanto equipe num sempre difícil debute na F1. A adoção do novo regulamento técnico, no ano passado, tornou o intercâmbio de informações um pouco mais complicado num determinado momento, uma vez que cada equipe precisava dedicar atenção redobrada ao seu projeto. A Ferrari, ainda mais, considerando a batalha contra a Mercedes. Assim, mesmo recebendo motor e câmbio fabricados em Maranello, a Haas teve de caminhar com as próprias pernas no ano passado. E não foi uma caminhada fácil.

Mas 2018 surge com uma dinâmica diferente e bem mais otimista para o time de Kannapolis. A estabilidade no regulamento técnico de 2017 para a temporada deste ano permitiu uma maior troca de informações da Haas com sua maior referência na F1. Para a equipe norte-americana, trata-se de algo vital para sobreviver e não ficar para trás em meio a uma batalha que tende a ser das mais acirradas no segundo pelotão do grid.

Com McLaren, Renault e Toro Rosso em viés de ascensão e a Force India a defender o top-4 no Mundial de Construtores, a Haas precisou se esforçar para tentar não repetir o oitavo lugar dos dois últimos anos, sob o risco de ser superada também por Williams e Sauber e ficar na lanterna.

Detalhe do bico dos dois carros. Nitidamente uma inspiração

O projeto do novo VF-18 foi apresentado de surpresa e foi o primeiro dentre os dez carros da temporada 2018 a ser lançado, em 14 de fevereiro. Dias depois, já estava na pista para as primeiras voltas de shakedown durante os chamados dias de filmagem em Barcelona. Logo foram notadas semelhanças visuais em relação ao carro utilizado pela Ferrari no ano passado, a SF70H. Tal inspiração é até natural, considerando toda a ligação e a parceria entre as duas marcas.

Dentre os detalhes do novo carro da Haas nitidamente inspirados na Ferrari estão o desenho do bico e da asa dianteira em si, com os mini-flaps e as aletas do VF-18 bem semelhantes à SF70H, que buscou soluções para trabalhar na otimização do desvio do fluxo de ar.

Semelhanças também são bem perceptíveis na entrada de ar na lateral do bólido norte-americano, bem como no modelo do assoalho. O flap lateral, pouco à frente dos retrovisores, também é uma inspiração da Ferrari de 2017, porém as peças são ligeiramente maiores. Destaque também para o sistema de suspensão e asa traseiras, muito parecida com a SF70H.

Um dos pontos de maior foco para os engenheiros da Haas foi a melhora no sistema de freios, uma das grandes dores de cabeça de Romain Grosjean, especificamente, na última temporada. Kevin Magnussen, o outro piloto do time, não sofreu tanto.

Fato é que o carro norte-americano de DNA italiano foi bem nos testes de pré-temporada, sobretudo na segunda semana. Então, o novo VF-18 passou a ser cotado como um dos melhores do chamado segundo pelotão, acima até das poderosas McLaren e Renault.
(Sebastian Vettel a bordo da SF70H (Foto: Ferrari))

As expectativas se confirmaram na abertura do fim de semana do GP da Austrália. Grosjean foi o sexto mais rápido e alcançou o posto de ‘melhor do resto’.

“Já sabíamos que a Haas seria uma surpresa porque é quase uma réplica da Ferrari, que venceu aqui, de modo que sabemos que eles vão ser rápidos na primeira parte do campeonato e esperamos estar perto deles”, avalia Fernando Alonso, oitavo na sexta-feira, observando toda a evolução — e também a inspiração italiana — do novo carro da Haas para 2018 na F1.
(Detalhe do novo VF-18 da Haas (Foto: Haas))

Lado a Lado, a Haas de 2018 e a Ferrari de 2017 (Lado a lado: a Haas de 2018 e a Ferrari SF70H)