
Valtteri Bottas conquistou, neste sábado (3), a pole position do Grande Prêmio dos Estados Unidos, que acontece no Circuito das Américas, em Austin, Texas. Em condições normais, o P1 do finlandês esquentaria a briga pelo campeonato da Fórmula 1 – Bottas é o vice-líder e Lewis Hamilton, o líder, fez uma classificação ruim.
Mas não é bem assim.

Hamilton está em uma situação extremamente confortável no campeonato. A diferença entre os pilotos da Mercedes é de 74 pontos, enquanto ainda há 78 em jogo. Até mais do que isso: Valtteri, tirando alguns momentos de brilho (como o de hoje), não foi páreo para o companheiro de equipe em nenhum momento da temporada. Para ser campeão, além de torcer para que Lewis não faça quatro pontos em três corridas, o #77 teria que vencer este mesmos GPs, algo que parece quase impossível considerando o histórico do piloto.
Na prática, Hamilton esteve na classificação competindo dentro da zona de conforto. O inglês não liderou nenhum dos trechos da sessão – a melhor posição foi no Q1, em segundo, atrás de um surpreendente Lando Norris, da McLaren — liderando alguma coisa na F1 pela primeira vez na carreira.
No Q3, Lewis correu dentro do necessário, fechando a classificação com o quinto posto – e penúltimo lugar da F1A. Ele até desistiu da última volta rápida, percebendo que não tinha como melhorar. O próprio piloto admitiu que poderia ter sido melhor, afirmando que foi culpa dele o resultado ruim.

Resta saber qual será a postura do (ainda) pentacampeão durante a prova. Ele poderá se esforçar para galgar posições ou correr para completar a prova. Na primeira possibilidade, o #44 correria contra o retrospecto da pista americana: todos os vencedores em Austin, desde que a pista estreou no calendário, partiram de primeiro ou segundo no grid.
Se for a segunda possibilidade, Lewis nem precisa brigar com ninguém: um sexto lugar, o último entre as principais equipes, já é mais do que o suficiente para levar a taça. Dificilmente os concorrentes das outras equipes vão conseguir disputar alguma coisa contra uma Mercedes, e o inglês não precisa se arriscar dividindo curva com quem está à frente.
O risco maior é a largada. Hamilton parte com pilotos de pneus macios logo atrás, algo que pode ajudar nas primeiras curvas desses adversário – principalmente a primeira, que é lenta, cega e com uma grande elevação. Um enrosco nesse momento pode até tirar o piloto do GP, o que, certamente, faria a felicidade de Bottas.

Os pneus, aliás, podem ser um fator decisivo na briga do próprio Valtteri. O finlandês irá largar com compostos médios, que, de acordo com a Pirelli, são cerca de 1s mais lentos por volta que os macios, com os quais Charles Leclerc e Sebastian Vettel vão largar. O composto pode ser uma ajuda para os pilotos da Ferrari (que partem em 2º e em 4º) na largada e nas primeiras voltas, mas também podem fazer com que ambos precisem parar mais cedo – o que mexe na estratégia geral da prova
O coringa do GP dos Estados Unidos é Max Verstappen. Mordido por tudo o que aconteceu no GP do México, o holandês pode surpreender, de alguma forma.
Bom, se acontecer qualquer coisa que não seja uma vitória de Bottas nos EUA, Hamilton comemorará o título mundial da temporada 2019 neste fim de semana. Se não for agora, é questão de tempo. Isso até as porcas e parafusos da Mercedes já sabem…
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