Em tempos de quarentena e sem novos eventos acontecendo, a Globo recorreu a uma estratégia dos canais pagos para atrair audiência nos horários tradicionais: as reprises de eventos clássicos. A emissora chamou bastante atenção ao reexibir alguns jogos importantes da história recente da Seleção Brasileira, e aproveitando o aniversário da morte de Ayrton Senna, resolveu aproveitar o momento para relembrar o GP do Japão de 1988, que rendeu o primeiro título mundial ao brasileiro.
Com o saudosismo estralando e a liderança na audiência, a emissora tratou de manter a sequência e já confirmou que o GP do Brasil de 1991 será exibido no próximo domingo. No 10+ desta semana, sugerimos algumas corridas clássicas que também merecem o seu devido destaque caso os VTs sigam ganhando espaço na grade da Globo.

GP do Brasil 1986
Bem, aproveitando que o medidor do saudosismo e ufanismo já está estourado, uma boa opção é o GP do Brasil de 1986. A abertura do Mundial daquele ano aconteceu em Jacarepaguá e contou com vitória de Nelson Piquet, seguido por Ayrton Senna. A corrida em si não é um grande clássico, mas a cena dos tricampeões segurando uma bandeira brasileira tem potencial para emocionar os fãs mais velhos.

Falando em 1986, precisamos lembrar que aquela temporada foi uma das mais disputadas e equilibradas da história, com Nigel Mansell, Nelson Piquet e Alain Prost chegando na corrida final, em Adelaide, na disputa do título.
Na ocasião, Mansell liderava o campeonato e ocupava a terceira posição na pista quando um pneu estourado na volta 63 encerrou suas chances de título. A conquista ficou nas mãos de Prost, que largou em quarto e superou Piquet para sair com o bicampeonato. Um clássico da F1.
(Nigel Mansell perde o título (Foto: Sutton Images))

Já que o assunto Senna sempre rende, apostar na polêmica corrida de Suzuka, em 1989, poderia chamar bastante atenção.
O brasileiro precisava de uma vitória para manter as chances de título vivas contra Alain Prost, mas levou uma controversa fechada do francês na volta 46. Ayrton retornou para a corrida, trocou o bico e superou Alessandro Nannini para vencer, mas foi desclassificado por cortar a chicane e viu o campeonato ficar com francês. Polèmica é sempre bom, apesar do risco de fortalecer algumas narrativas insuportáveis, como já é clássico.

Se a iniciativa de mostrar o dramático triunfo de 1991 foi tomada, a segunda vitória de Senna em Interlagos é uma opção bastante viável.
O brasileiro estava longe do favoritismo na ocasião, que ficou nas mãos das Williams de Alain Prost e Damon Hill, mas Senna contou com a habilidade na chuva e a genialidade de sempre para conquistar um de seus triunfos mais impressionantes na F1. Isso sem contar o pós-corrida, quando foi carregado nos braços do povo. Vendas de lenços aumentarão bastante.
(Senna vence em Interlagos pela segunda vez (Foto: LAT Photograph))

A F1 não é só Senna e também não morreu em 1994. A pilotagem de Rubens Barrichello em Hockenheim é uma das maiores da história. O brasileiro largou do 18º lugar após um problema no treino classificatório e foi escalando o pelotão até ocupar a terceira posição.
Barrichello foi ousado, decidiu ficar na pista mesmo após o início da chuva e garantiu sua primeira vitória na Fórmula 1 de forma épica. Um momento épico e que merece ser relembrado.
(Rubens Barrichello, GP da Alemanha, 2000)

A quarentena e a suspensão dos eventos esportivos é uma oportunidade para relembrar que Interlagos é uma pista incrível e com capacidade para proporcionar grandes momentos, como o GP do Brasil de 2003.
Na ocasião, vários favoritos bateram, Barrichello tinha chance de vencer até uma pane seca e a vitória caiu nas mãos de Giancarlo Fisichella, com a Jordan, em uma das zebras mais incríveis da história recente da categoria.
(Largada do GP do Brasil 2003 Ferrari)

O final da temporada 2006 não foi tão disputado ou emocionante como o resto do campeonato, mas a prova de Interlagos merece espaço por dois motivos. O primeiro, é claro, é a vitória dominante de Felipe Massa, quebrando um jejum de 13 anos sem triunfos de brasileiros na corrida local.
O segundo é Michael Schumacher. Se despedindo da F1 pela primeira vez e com chances remotas de título, precisou escalar o grid após um pneu furado no início da corrida e terminou em um honroso quarto lugar, com direito a uma ultrapassagem sobre Kimi Räikkönen nas voltas finais. A exibição serve como uma boa homenagem para o alemão e o brasileiro.
(Ferrari, Michael Schumacher, Felipe Massa, GP do Brasil de 2006 (Foto: Ferrari) )

A intenção ao sugerir esta famosa corrida não é causar lágrimas no público, mas relembrar o desfecho mais sensacional de qualquer campeonato na história da F1.
É claro que mostrar novamente a ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre Timo Glock, que tirou o título de Felipe Massa, vai abrir a caixa de pandora da internet, mas ainda é uma corrida que merece muito.
(Felipe Massa celebra vitória no GP do Brasil de 2008 (Foto: Ferrari) )

Falando em desfechos incríveis e corridas épicas em Interlagos, 2012 tem de estar na lista. Sebastian Vettel parecia encaminhar o título de forma tranquila, mas foi acertado por Bruno Senna logo no início e precisou se recuperar de maneira dramática, em prova que teve chuva, várias mudanças de liderança e algumas pancadas bem fortes. Ah, Felipe Massa terminou no pódio naquele dia, em uma de suas últimas grandes exibições pela Ferrari.
(GP do Brasil de 2012 (Foto: Reprodução))

A F1 não pode viver apenas do passado, e um novo jeito de tentar cativar novos fãs é mostrar grandes corridas recentes, como o caso de Interlagos no ano passado. É uma ótima oportunidade para relembrar a batalha de Verstappen com Hamilton e a maluquice das voltas finais, que renderam o segundo lugar para Pierre Gasly. Foi um belo dia.
(Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
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