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Nesta quinta-feira, 19, em uma coletiva com jornalistas pré-GP dos Estados Unidos, em Austin, o diretor-comercial da F1, Sean Bratches, deixou escapar que o Liberty Media está negociando um acordo com a Netflix, empresa que domina o mercado de video on demand – o popular streaming. A informação é do ‘Motori Online’ e do jornalista Anthony Rowlinson, da ‘F1 Racing’.

“O Liberty Media sempre concentrou na expansão dos canais multimídia. Acreditamos que, no mundo de hoje, há uma maior abertura para a internet e, nesse sentido, temos alguns projetos”, disse o executivo. “Estamos discutindo um acordo com a Netflix para uma parceria em 2018, mas no momento não posso adiantar nada. É uma situação em andamento”. 

Este ano, a Amazon Prime Video, um dos principais concorrentes da Netflix, fechou um acordo com a NFL para a transmissão de dez jogos do chamado 'Thursday Night Football' em todo o mundo, por exemplo. Em 2016, houve um acordo do mesmo tipo entre a categoria norte-americana e o Twitter. No entanto, se Bratches se refere a algo nos mesmos moldes, talvez tenha se esquecido de “combinar com os russos”, como teria dito Garrincha ao técnico Vicente Feola às vésperas do jogo contra a União Soviética na Copa de 1958.

Hamilton e Vettel: os novos astros da Netflix? É possível (Vettel foi ao pódio, mas depois perdeu o terceiro lugar (Foto: Mercedes))

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Sempre que questionados sobre a possibilidade de acordos do tipo, os executivos da Netflix negam o assunto veementemente. “Há um leilão irracional nos esportes. Não estamos empolgados em entrar nele”, disse Ted Sarandos, executivo-chefe da área de conteúdo da Netflix, em uma coletiva para investidores realizada após o anúncio do balanço trimestral da companhia em outubro de 2015. “Esportes sob demanda não são tão legais quanto esportes ao vivo”, decretou.

“Ao invés de investirmos em coisas como esportes, estamos interessados em coisas como The Crown”, completou o CEO da companhia, Reed Hastings, em uma outra coletiva com investidores, realizada em abril de 2016. Hastings, aliás, voltou a negar que haja interesse em qualquer tipo de esporte na coletiva realizada em janeiro último.

Como as declarações deixam claro, a empresa, que tem sede em Los Gatos, na Califórnia, não teria a disposição para gastar tanto dinheiro com qualquer categoria esportiva, muito menos mudar o seu modelo de negócio para comportar transmissões ao vivo.

Claro que opiniões podem mudar em nove meses, mesmo aquelas que foram repetidas durante anos. Porém, a Netflix tem claramente procurado adquirir conteúdo exclusivo que se não for global, pode ser exibido em boa parte do mundo. E, hoje, a Liberty Media está presa a contratos com diversas redes de televisão por todo o mundo, assinados ainda durante a liderança de Bernie Ecclestone na Formula One Management. Entre eles está o do Brasil, um dos mercados mais importantes para a plataforma de streaming, onde a Rede Globo tem os direitos exclusivos até 2020. No Reino Unido, o atual acordo com a Sky Sports vai até 2024. Na Ásia, os atuais acordos com Fox e Star Sports vão até 2022. Já no resto da América Latina, a Mediapro tem os direitos até 2019. Todos acordos que rendem muito dinheiro para organizadores, equipes e pilotos.

Como fica claro, há pouco espaço para um acordo de transmissão ao vivo já para 2018.

(AFP)

Nova sede da Netflix em Los Gatos, Califórnia: o futuro novo lar da F1?

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A grande vantagem de uma liga como a NFL frente à F1 é que a sua temporada é, naturalmente, particionada em diversos contratos com emissoras diferentes. De acordo com o dia da semana, times envolvidos ou fase do campeonato, CBS, Fox, NBC, ESPN e Prime Video dividem estas transmissões nos EUA, além da própria NFL Network. Um formato inviável para uma categoria como a F1, que tem "apenas" 20 provas anuais. No futebol americano, para continuar no exemplo, são 256 jogos apenas na temporada regular. 

Por outro lado, é de se imaginar, também, que Sean Bratches não esteja blefando em suas declarações. O executivo tem larga experiência no mercado de televisão e esportes, com boa parte da carreira acontecendo nos corredores e salas da ESPN – da qual chegou a ser vice-presidente de Vendas e Marketing. É provável que ele esteja se referindo a um outro tipo de acordo, que poderia envolver produções mais frias. Podem estar no escopo do projeto o uso do acervo de temporadas passadas, uma série de documentários sobre a tecnologia da F1 ou ainda sobre as disputas na pista durante 2018, por exemplo.

Este último caso, inclusive, lembraria o Prime Video, que estreou no ano passado a série ‘All or Nothing: A Season with Arizona Cardinals’ para acompanhar de perto o dia a dia do time da Conferência Nacional da NFL. Até uma produção de ficção, aos moldes do filme ‘Grand Prix’ ou da série francesa ‘Formule 1’, dos anos 1980, não poderia ser descartada, já que se alinha mais com o perfil de conteúdo que a Netflix se interessa.

O fato é que um esporte tem um potencial de exploração maior que a simples exibição de disputas ao vivo. Algo que, provavelmente, o Liberty Media está se preparando para explorar neste exato momento. 

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