
Neste final de semana acontece uma das provas mais icônicas e lendárias do calendário da F1. A maior das categorias desembarca na charmosa Mônaco para disputar a sexta etapa da temporada 2018.
No calendário do Mundial desde o campeonato de abertura em 1950, a prova que acontece nas ruas do Principado tem um rei absoluto que mostrou dominar todas as 18 curvas: Ayrton Senna. O brasileiro tem nada menos que seis vitórias e oito pódios.
Por atuações impressionantes e muitas vezes dramáticas em Mônaco, o GRANDE PREMIUM reuniu os dez maiores e melhores momentos do tricampeão no histórico circuito de rua de Monte Carlo.

O pódio na estreia
Em 1984, Ayrton Senna estava em seu primeiro ano na F1 e defendia uma sofrível Toleman. Em sua estreia em Mônaco, contou com a presença da chuva para nivelar os carros do grid e não ficar tão atrás dos adversários. Ali estava a receita perfeita para o piloto realizar uma de suas mais memoráveis provas na categoria, terminando em segundo após largar em 13º e com direito a uma bela ultrapassagem em cima de Niki Lauda.

A primeira vitória
No GP de Mônaco de 1987, agora guiando pela Lotus, Ayrton Senna largou da segunda colocação do grid, ficando atrás apenas de Nigel Mansell, o grande favorito da época. Assim que foi dada a largada, o britânico manteve a ponta do pelotão sem problemas e já tinha uma vantagem de 11s após as primeiras voltas. No entanto, com 29 giros completados, teve um problema com seu motor Honda e se viu obrigado a abandonar. Melhor para o brasileiro, que assumiu a liderança e garantiu sua primeira vitória no Principado com 33s de distância para o segundo colocado, Nelson Piquet.

O champanhe na realeza
Vencer a primeira vez em Mônaco deve ser uma sensação indescritível, e Ayrton Senna não foi um piloto que conteve a emoção e alegria na cerimônia de premiação. O brasileiro ficou tão feliz com seu primeiro triunfo nas ruas do Principado que acabou quebrando o protocolo e espirrando champanhe no príncipe Rainier de Mônaco.

A pole-position perfeita
A classificação para o GP de Mônaco de 1988 é considerada uma das melhores da história da F1. Naquela tomada de tempos, Ayrton Senna colocou nada menos que 1s427 em cima de seu maior adversário da época, Alain Prost. O detalhe que vale a pena mencionar é que ambos pilotos usavam o mesmo carro, o excelente McLaren-Honda MP4/4.

Senna em outra dimensão
É inegável que Ayrton Senna tinha uma conexão especial em Mônaco. Na verdade, o próprio chegou a admitir que esteve muito perto do limite do seu corpo, com um extremo estado de espírito. Após a perfeita pole-position do GP do 1988, o competidor deu uma forte declaração. “Foi naquele dia em que percebi que já não estava mais dirigindo conscientemente. Para mim, era como se fosse outra dimensão. O circuito era um túnel para mim e eu só ia, ia e ia em frente”.

O fatídico acidente
O dia 15 de maio de 1988 marcou o GP de Mônaco daquele ano. Depois da pole-position perfeita, Ayrton se mostrava absoluto domínio nas ruas do Principado. Enquanto muitos de seus adversários se envolviam em acidentes, o piloto só abria na ponta do pelotão. Por 54 voltas, a ordem na pista era Senna, Berger e Prost. Foi então que as coisas começaram a embaralhar.
O francês fez a ultrapassagem em cima do austríaco e, aí, começou a alternar as voltas mais rápidas da prova com o líder Senna. A McLaren, então, falou para Ayrton aliviar na ponta, já que tinha 50s de vantagem. Mas ao contrário do pedido da equipe, o competidor só apertou mais o ritmo e o estrago estava feito: acabou errando e acertando o muro com 11 voltas para o fim. A vitória ficou com Alain.

As pazes com Mônaco
Ayrton Senna tinha a prova em Mônaco de 1989 como sua redenção. Naquele ano, conquistou a pole-position com 1s148 de vantagem para o rival Alain Prost. Assim que foi dada a largada, o brasileiro logo tratou de começar sua escapada na ponta do pelotão sem ser ameaçado pelo adversário francês. Na volta 32, Andrea de Cesaris e Nelson Piquet se envolveram em um incidente e causaram um grande tráfego, e ali Prost via suas chances de alcançar Senna morrerem. Ayrton venceu aquela prova com uma vantagem de 52s e apagou o acidente do ano anterior.

A 30ª vitória na F1
Duas semanas após Ímola, a F1 chegava em Mônaco para a quarta etapa da temporada de 1991. Naquele final de semana, Ayrton Senna dominaria o circuito de rua do Principado uma vez mais. O brasileiro largou da pole-position e sem qualquer problema ou ameaça, conquistou a vitória com 18s de vantagem em cima de Nigel Mansell. Ali marcava a 30ª vez que o piloto subia no degrau mais alto no certame mundial.

Senna vs Mansell
Ayrton Senna já era tricampeão em 1992, mas a temporada estava longe de ser fácil e ele teve de enfrentar um Nigel Mansell com uma fora de série Williams. Chegou então o momento de correr em Mônaco, onde Senna tinha larga experiência e quatro vitórias no currículo. No entanto, a etapa já não começava da melhor maneira, uma vez que o inglês conquistou a pole-position e o brasileiro saia apenas em terceiro.
Após a largada, o 'Leão' se manteve na ponta e Senna conseguiu pular para segundo. A medida que a corrida avançava, o titular da Williams já tinha mais de 30s de vantagem, mas foi na volta 70 foi quando as coisas mudaram, pois seu pneu traseiro esquerdo esvaziou e ele foi para os boxes.
Senna aproveitou e pulou para a liderança, abrindo um respiro de 5s para Mansell. Nas últimas cinco voltas, então, o inglês tentou superar o brasileiro, tentando conduzi-lo ao erro e chegando a colocar os carros lado a lado. Sem sucesso, Ayrton segurou a quase imbatível Williams para conquistar seu quinto triunfo no circuito de rua.

A última vitória
Senna não chegou no GP de Mônaco de 1993 como o grande favorito, pois era vice-líder e seguia o combro Alain Prost + Williams. Na classificação para a prova, rodou duas vezes e alinhou apenas em terceiro, atrás do francês e de Michael Schumacher. No entanto, pouco antes da largada ser autorizada, sua sorte começou a mudar.
Alain queimou a largada e foi punido com um stop-and-go de 10s, que quando foi pagar nos boxes, deixou o carro morrer duas vezes e perdeu ainda mais tempo. Quem pulou para a ponta foi o alemão, que sustentou a ponta até a 33ª volta, quando sua Benetton teve problemas hidráulicos e ele abandonou. Foi o suficiente para Senna, que venceu pela última vez em Mônaco e com uma vantagem de quase 1min de respiro e quebrando o recorde de Graham Hill.