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Ainda resta mais um episódio, mas o capítulo da temporada final de Felipe Massa na F1 foi escrito no Brasil. A cena histórica no pit-lane de Interlagos, em meio ao choro, aos aplausos, ao beijo da esposa e o abraço do filho, foi o ápice de um momento que, na verdade, foi sendo construído aos poucos durante a semana que antecedeu ao GP brasileiro. Nos dias anteriores ao domingo chuvoso na pista paulistana, Felipe se apresentou também por inteiro. Estava inundado de compromissos, como não poderia deixar de ser. Concedeu um sem número de entrevistas, falou a muita gente, respondeu pacientemente todas as perguntas sobre sua carreira, sobre a decisão mais difícil de sua vida profissional e, claro, sobre o futuro, que se diz pronto e preparado. E o que deu para perceber é que o piloto estava seguro de si. Sem qualquer pesar ou temor pelo futuro incerto. Ciente de que fez tudo que estava ao seu alcance.

Em todas as vezes em que foi solicitado a lembrar da aposentadoria, Massa não hesitou. A tomada de decisão aconteceu ainda antes da metade do campeonato – durante o mês de julho, em que a F1 disputou nada menos que quatro provas. Foi feita de maneira serena e sem alarde. O anúncio veio igualmente da mesma forma. Talvez por isso tenha sido fácil para o piloto encontrar as palavras certas para as inúmeras e repetidas perguntas. 
 

O caso é que Massa não tem qualquer arrependimento da decisão que tomou. Seria diferente se tivesse a chance de pilotar um carro mais competitivo? “Com certeza”, afirma Felipe. Mas agora não há remorso. Nem mesmo quando faz um balanço da longa e bem-sucedida carreira na F1.

“Não, nenhum arrependimento”, diz ao ser questionado pelo GRANDE PREMIUM. 

 

(Felipe Massa no GP do Brasil (Foto: Williams))

“Estou feliz com tudo que fiz. E tem coisa que faria novamente” (Felipe Massa no GP do Brasil (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio))

Porém, há situações que poderiam ter sido levadas de forma diferente. “Mas claro que, se eu tivesse de fazer alguma coisa de novo, eu faria diferente. Mas, assim, não tenho arrependimento nenhum. Aprendi muito. Talvez algumas decisões que eu tive… Momentos. Mas são coisas que acontecem na hora, mas que depois passam. A gente aprende e faz diferente. Estou feliz com tudo que fiz. E tem coisa que faria novamente”, explica.

Massa nunca escondeu que sempre preferiu ter um comportamento de bom moço, sempre defendeu as equipes em que trabalhou e fez tudo de forma sempre profissional. E acha que essa postura fez mais bem do que mal, mesmo diante de todas as polêmicas que viveu ao longo de sua trajetória na F1, sendo a mais significante delas a ordem de equipe da Ferrari durante a parte final do GP da Alemanha de 2010, quando teve de ceder a vitória ao então companheiro Fernando Alonso. 

“Não acho que esse comportamento tenha me atrapalhado e nem me prejudicado. Só me ajudou, mas, às vezes, em resultados, não muita coisa, mas em alguns momentos poderia ter acontecido diferente. Mas, também, se eu tivesse sido pior do que eu fui, poderia ter me prejudicado também. Então, não acredito nisso”, conta ao GP*

E a Williams foi uma espécie de renascimento. Massa revela que a equipe britânica nunca o decepcionou, nem mesmo nesta temporada, quando caiu drasticamente em termos de performance. E uma das razões é porque as relações dentro do time nunca mudaram. “Na Williams sempre foi tudo igual, do começo até o fim.”

“A Williams não me decepcionou. Mas se entende o tamanho da equipe e o desenvolvimento, além do lado financeiro para se ter um carro bom. Muita coisa que a gente não conseguiu melhorar é por conta desse lado”, admite Felipe, que foi contratado pela esquadra de Sir Frank logo depois de ter sido dispensado na Ferrari, time em que defendeu por oito temporadas.

 

A tradicional equipe inglesa, na verdade, surpreendeu o brasileiro. “Acho que foi melhor do que eles imaginavam”, diz sobre o desempenho em 2014, no seu primeiro ano em Grove. Os resultados de 2015 e 2014 foram muito melhores do que eles imaginavam, especialmente 2014. E para mim também. Quando eu assinei com a Williams, eles tinham terminado o campeonato de 2013 em antepenúltimo, então a minha expectativa era ter uma briga um pouco à frente da antepenúltima posição, mas foi melhor do que eu imaginava. Aí você termina 2014 e espera que 2015 continue. E foi bom até a metade do ano. Depois, na segunda metade, não foi bom não, porque o desenvolvimento do carro não foi como o das outras equipes. E 2016 começou como terminou em 2015”, reconhece. 

Por isso, Felipe não hesita ao dizer: se realmente tivesse uma chance de andar em um carro melhor, certamente sua trajetória na F1 poderia ser ampliada. “Se eu tivesse uma oportunidade boa, como eu acreditei na Williams, porque acho que a minha decisão de ir para a Williams foi muito boa. Eu poderia ter continuado, mas não acreditei em nada que era possível para continuar correndo. Não acreditei em nada que fosse me deixar feliz”, afirma. 

“Portanto, estou contente com a decisão que tomei. Seguro e tranquilo.”

“Há muitas coisas que enchem o saco na F1” (Felipe Massa no GP do Brasil (Foto: Williams))

Nem tudo são flores

Massa também falou sobre outros aspectos da vida na F1. É claro que a pressão por resultados e a cobrança que se faz quando se está no topo do automobilismo são questões frequentemente apontadas como o ônus de correr na categoria nobre do esporte. Mas há outros pontos, segundo Felipe. E situações que ele não vai sentir falta. 

“Tem muita coisa que me enche o saco na F1 ainda. A quinta-feira, por exemplo, é um dia que enche o saco e não só para mim, mas acho que para todos os pilotos”, revela ao GRANDE PREMIUM.  A quinta-feira que antecede aos GPs é o dia em que os pilotos se dedicam a atender à imprensa, além de outros diversos compromissos.

“E também tem muita coisa do lado político da F1 que é chato. Com certeza, não vou sentir qualquer falta disso aí daqui para frente.”

Porém, há o bônus também, que vem em forma das amizades que se formam ao longo dos anos, de acordo com Massa. E quem você chamaria para uma cerveja daqui a algum tempo? “O Daniel (Ricciardo), que é um cara ótimo, do bem, (Jenson) Button é outro. Na verdade, não tenho qualquer problema como ninguém. Sempre tive boas relações com todos, mas acho que os convidados seriam eles”, encerra.

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Massa não terminou a corrida no domingo, mas foi ovacionado pelo público e por seus pares (Felipe Massa no GP do Brasil (Foto: Williams))